segunda-feira, 8 de junho de 2009

Baixo preço dos materiais recicláveis prejudica catadores

Cintia Végas

Fábio Alexandre
Reunião no MP.

O baixo preço dos materiais recicláveis é o principal problema enfrentado por catadores que atuam em Curitiba e região metropolitana. No próximo dia 7, será comemorado o Dia Nacional dos Catadores e, ontem, integrantes da categoria participaram de uma reunião do Fórum Lixo e Cidadania, realizada no Ministério Público do Trabalho, na capital.

“Atualmente, o principal problema que enfrentamos em nossa atividade diz respeito à baixa do preço dos materiais recicláveis, o que fez com que nossa renda caísse bastante nos últimos meses”, disse o presidente do Instituto Lixo e Cidadania, José Ramalho, que há 25 anos trabalha como catador.

Segundo a também integrante do Instituto, Suelita Röcker, que é pedagoga e integrante da equipe de coordenação da entidade, o preço dos materiais começou a cair no último mês de novembro, em função da crise econômica mundial.

Isso fez com que, de novembro para cá, os catadores perdessem, em média, 60% de sua renda. “Muitos estão enfrentando dificuldades de sobrevivência. Por isso, queremos que eles não ganhem na coleta e transformação do material”, afirmou.

Na opinião do procurador de Justiça e coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Proteção ao Meio Ambiente, Saint Clair Honorato dos Santos, os catadores são responsáveis por fazer com que a população tenha uma visão diferente sobre a questão do lixo.

“O trabalho deles, de separação dos resíduos, é de extrema importância e faz com que as pessoas não vejam o lixo como rejeito, mas sim como algo que pode ser tratado e transformado. Mesmo assim, os catadores ainda estão às margens dos direitos sociais”, declarou.

No início da tarde, os catadores fizeram uma caminhada do Ministério Público do Trabalho até a Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Eles criticaram o fato de o lixo da capital e dos municípios da região metropolitana vir a ser depositado em um único local e tratado por uma única empresa, em função do fim da vida útil do aterro sanitário da Caximba.

“A escolha de uma única empresa para tratar o lixo deve gerar impacto na vida dos catadores, que podem ter sua renda diminuída ainda mais. Eles deveriam ter mais participação no processo de tratamento de resíduos proposto”, comentou Suelita.

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