sexta-feira, 30 de julho de 2010

Brasil prepara plano de emergência para enfrentar desastres ambientais.

Decreto vai regulamentar as funções dos órgãos públicos e estabeler uma cultura de gestão integrada

Por: Kelly Lima - Agência Estado
istra do Meio Ambiente, Isabella Teixeira, afirmou que ate setembro o Brasil dever ter concluída uma proposta para o novo Plano Nacional de Contingências em caso de emergências de grande porte. O novo plano abrigará os já existentes destinados para regiões e setores específicos.
"A ideia é um decreto que regulamente todas as funções e estabeleça uma cultura de gestão integrada no caso de um acidente da magnitude do que ocorreu no Golfo do México. É um plano voltado para a área de petróleo, mas que eventualmente poderá ser adaptado para catástrofes de grande porte, como enchentes ou outros desastres naturais", afirmou a ministra após participar de reunião na Petrobrás, com técnicos do setor e que contou com a presença do especialista Ian Hernandez, que atua na empresa americana que acompanhou a BP nas ações que se sucederam o acidente. 
Na próxima semana, segundo ela, haverá em Brasília reunião interministerial para discussão do esboço deste plano de contingência, que já vinha sendo debatido pelo ministério, com um grupo de trabalho composto por técnicos do Ibama , Marinha, além de representantes de empresas, Estados, e de outras autarquias.
"Queremos saber se o acidente do Golfo foi um ponto fora da curva, ou se poderíamos evitar isso, de que maneira, e se estamos preparados para isso, ou como nos prepararmos", disse a ministra, destacando que os estudos para um plano de contingência já vinham sendo feito desde 2001, mas foram agora acelerados. 
Segundo ela, o Brasil tem legislação bastante semelhante aos Estados Unidos e muito pouco deveria ser mudado neste sentido.
Indagada sobre considerar como modelo a legislação americana neste segmento específico, a ministra disse que "não se trata de uma comparação entre países".
"Fiquei muito bem impressionada com a capacidade americana de responder ao acidente. Os Estados Unidos estão lidando com um acidente sem parâmetros na história mundial e estamos avaliando sua capacidade de resposta. Dentro da magnitude, a resposta foi muito rápida", disse, completando que não tem condições de avaliar como o Brasil responderia num evento de tamanha proporção.
"Há acertos e erros aqui e lá. Aqui, por exemplo, a legislação permite autorizar uma perfuração imediatamente, e lá levaram 12 dias para autorizar um novo poço para tentar solucionar o problema", comentou. 
Por outro lado, a ministra lembrou que a exemplo dos Estados Unidos, o Brasil está despreparado para uma série de ações que precisam ser adotadas muito rapidamente, como a autorização para importação de equipamentos, ou mobilização de pessoal. "A proposta para o decreto prevê a regulamentação de todo o modus operandi em caso de emergência, seja da Receita Federal, Polícia Federal, Ibama, etc. Mas a ideia não é tornar a legislação mais rígida e sim sofisticar o debate de licenciamento ambiental, ao mesmo tempo em que se amplia a regulamentação de todas as funções e todos os processos que não estão previstos", disse a ministra. 
Ela também apresentou a necessidade de "mudança de cultura", para que o conceito integrado de coordenação das ações substitua a atribuição de funções para diversos órgãos. "Este é o grande conceito inovador que ficou pra nós a partir do acidente do Golfo. Já que no âmbito das leis não existe tanta distância", disse.
Ela destacou que 44 mil pessoas atuaram no contingenciamento do acidente do Golfo. "Como coordenar todo este núcleo a partir de várias autarquias, ministérios, órgãos diversos?"

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Mar à vista 62ª Reunião Anual da SBPC, em Natal, estará de olho no oceano.

Deste domingo, 25, até o dia 30, acontece em Natal, no Rio Grande Norte, a 62ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). O tema central, “Ciências do Mar: herança para o futuro”, já é indicativo de onde estará o foco dos estudiosos.
 
“Após duas reuniões voltadas à Amazônia [Belém, em 2007, e Manaus, em 2009], voltamos agora para o outro grande ecossistema brasileiro: o mar, a nossa ‘Amazônia azul’ de área de 4 milhões e 500 mil quilômetros quadrados e para a qual a ciência tem olhado muito pouco”, reconheceu Marco Antonio Raupp, presidente da SBPC.
 
Em debate estarão assuntos como “Pesca e aquicultura no Brasil”, “A qualidade de vida nas comunidades pesqueiras”, “Mar e defesa”, “A construção naval no Brasil”, “A importância dos oceanos nas mudanças climáticas”, “Cidades brasileiras e interação com o mar” e “Solos e ecossistemas terrestres das ilhas oceânicas brasileiras e da Antártica”.
 
Para Raupp, a ciência está intimamente ligada a dois pontos fundamentais ao desenvolvimento do País: inovação e sustentabilidade ambiental. “Precisamos não somente produzir o conhecimento, mas também difundi-lo para toda a sociedade a fim de que ela se desenvolva e aprenda com os erros do passado, quando não havia a preocupação atual com o meio ambiente”, disse.
 
Na página da 62ª Reunião da SBPC (www.sbpcnet.org.br/natal) é possível esmiuçar os assuntos que serão tratados no encontro, realizado no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Ao todo serão 71 conferências, 53 mesas-redondas e 29 simpósios (41 deles relacionados ao mar). O evento também abrange encontros, minicursos e sessões de pôsteres de trabalhos científicos.
 
Fapesp verde
 
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) levará a exposição Natureza Brasileira – Mistério e Destino, apresentada em 2008 no Museu Botânico de Berlim, na Alemanha, que mostra ações científicas voltadas ao conhecimento e à preservação da biodiversidade brasileira.
 
Outro destaque será a exposição virtual Flora Brasiliensis On-line, com imagens em alta resolução do inventário feito pelo botânico Carl Friedrich Philipp Von Martius sobre a flora brasileira no século 19.

Buritizais estão em extinção no cerrado.


Assoreamento e erosão, aliados à falta de consciência ambiental, estão destruindo veredas
Marcelo Calfat - Repórter


Os buritis, espécie de palmeira típica do cerrado, encontrados geralmente em áreas de preservação permanente, consideradas intocáveis pelo Código Florestal, estão desaparecendo no município. A palmeira cresce geralmente em regiões úmidas conhecidas como veredas, para poder disseminar os frutos. A reportagem do CORREIO de Uberlândia percorreu algumas áreas e observou que o assoreamento e a erosão, aliados ao desrespeito às faixas de preservação ambiental, estão diminuindo a ocorrência da espécie.
Segundo o pesquisador e professor de Planejamento Ambiental Douglas Gomes dos Santos, que acompanhou a visita, isso prejudica o meio ambiente. “O desaparecimento do buriti significa o comprometimento de todo o nosso recurso hídrico, pois a existência dele nos diz a existência da água potável”, afirmou.
Um dos pontos críticos é o assoreamento da vereda que existia na extensão do Córrego Alegre, na região sul. A água da chuva que desce dos bairros São Jorge e Shopping Park, próximo ao anel viário sul, na BR—050, assoreou o local. O córrego também foi contaminado pelo despejo clandestino de esgoto na rede pluvial.
Próximo ao Córrego Lagoinha, no bairro Lagoinha, também na zona sul, o lixo tomou conta de cerca de 10 metros em uma das margens e existem casas dentro da área de preservação. “É muito grave a situação dos buritizais e das veredas aqui em Uberlândia, por causa da falta de proteção e conservação”, disse Santos.
Para o professor, é preciso recuperar as áreas o quanto antes. “É possível recuperar, basta investimento. E temos que fazer isso agora, pois no futuro será quase impossível”, afirmou.
Secretaria recupera áreas
De acordo com a secretária municipal de Meio Ambiente, Raquel Mendes, a prefeitura tem feito o que está ao alcance, com a verba de 0,55% do orçamento do município destinada ao órgão. “No parque linear do Uberabinha, na margem esquerda, foram plantadas 40 unidades de buritis e 800 outras espécies adequadas às margens de curso d’água. Aos poucos estamos recompondo o que foi tirado”, disse. Segundo ela, nos novos loteamentos e bairros, é obrigatório cumprir a distância de preservação ambiental, de 50 metros a partir do último ponto úmido ou do último buriti. “Já nas áreas mais antigas, o município tem trabalhado para preservar e orientar a população, assim como autuar e multar quem devasta ou polui”, disse.
Saiba mais
Cursos d`água - Projetos de recuperação em execução
Córrego Lagoinha – revitalização do Parque Santa Luzia
Córrego do Óleo – revitalização da vegetação
Rio Uberabinha – parques lineares
Córrego Carvão - recomposição da vegetação e implantação de parques
Córrego Vinhedos - recomposição da vegetação e implantação de parques
Fonte: Secretaria de Meio Ambiente

Governos lançam operação contra queimadas ilegais no MT.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, lançam nesta sexta-feira em Cuiabá a Operação Mato Grosso Verde 2010. O objetivo é combater as queimadas ilegais em áreas agrícolas e florestais no Estado.
Estão previstas ações integradas de vários órgãos, como o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, além da vigilância aérea e por satélite, comandadas por um Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional.
A solenidade de lançamento da operação está marcada para o meio-dia, no Palácio Paiaguás, sede do governo de Mato Grosso.
Essa é a segunda grande operação conjunta após a criação, no final de 2009, do Programa Nacional de Redução do Uso do Fogo nas Áreas Rurais e Florestais. A primeira ocorreu em fevereiro e março deste ano, em Roraima.

Vento derruba meio bilhão de árvores na Amazônia

Em três dias de janeiro de 2005, meio bilhão de árvores podem ter sido mortas por tempestades enfileiradas que varreram a Amazônia de sudoeste a nordeste.
A área do estrago, estimada em 9.000 km2, equivale a quase uma Jamaica. É mais do que tudo o que se desmatou na Amazônia em 2009.
Para os pesquisadores responsáveis por descrever o fenômeno, o desastre pode ser uma amostra incômoda do que o aquecimento global trará para a floresta.
Numa Terra mais quente, eventos do tipo podem ficar mais comuns. Isso poderia causar, por sua vez, um círculo vicioso: mais calor mataria mais árvores, o que liberaria mais carbono no ar, aumentando o calor.
O estudo descrevendo a megaderrubada será publicado na revista científica “Geophysical Research Letters” e tem coautoria de cientistas do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e da Unesp.
“Creio que se trate de um fenômeno meteorológico relativamente comum. O que ocorre é que ele ainda não havia sido reportado”, disse à Folha o meteorologista Carlos Raupp, da Unesp.
Raupp explica que os pesquisadores detectaram uma grande linha de instabilidade – aglomerados de tempestades que se alinham por até 1.000 km de extensão.
Entre 16 e 18 de janeiro de 2005, um monstro desses saiu da Bolívia e partiu rumo à ilha de Marajó. No caminho, ventos de até 145 km/h mataram gente em Manaus, Manacapuru e Santarém.
Fechando as contas – Tempos depois, a equipe usou dados de satélite e observações de campo para comprovar o estrago deixado pelo vento na região de Manaus.
Estimam que, só ali, a linha de instabilidade causou a morte de umas 500 mil árvores – o que ajudou o grupo a fechar as contas da destruição da mata em 2005.
Isso porque, embora a grande mortalidade de árvores na Amazônia nesse ano tenha sido atribuída à seca severa que também assolou a região, “a área de Manaus não chegou a ser afetada”, lembra Raupp. A explicação mais plausível, pelo tipo de dano à vegetação, é que a tempestade seja a culpada.
Embora o número de meio bilhão de árvores seja uma extrapolação, já que os cientistas não possuem dados para a Amazônia inteira, Raupp diz que ele faz sentido diante do trajeto da tormenta.
“Em geral, um clima mais quente pode trazer mais tempestades severas, porque a atmosfera consegue reter mais vapor d’água”, diz Raupp. Supertormentas como a 2005, portanto, poderiam causar estragos piores na Amazônia do futuro. (Fonte: Reinaldo José Lopes/ Folha.com)

No Peru, floresta amazônica perde por ano área igual à cidade de São Paulo.

País tem 38 escritórios de fiscalização, mas só um tem bote operando.
Mais de 40% das emissões do país são decorrentes de desmatamento.
o Globo Amazônia, em São Paulo

A Amazônia peruana perde 150 mil hectares (1.500 km²) de florestas a cada ano por conta do desmatamento, informou nesta semana a Defensoria Pública do país. O dado sobre a área, equivalente ao tamanho do município de São Paulo, está no boletim "A Política Florestal e a Amazônia Peruana: Avanços e Obstáculos no Caminho para a Sustentabilidade", que acaba de ser publicado.




Para elaborar o boletim, a Defensoria Pública supervisionou dados do Ministério da Agricultura, do Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas pelo Estado, do Organismo de Supervisão dos Recursos Florestais e de Fauna Silvestre e mais oito governos regionais localizados na Amazônia peruana, que fazem fronteira com os estados do Acre e do Amazonas, no Brasil.

Segundo a defensora pública peruana Beatriz Merino, a perda de mata selvagem representa mais de 42% do total de emissões de gases causadores do efeito estufa no país, que contribuem para o aquecimento global.
Merino também diz que a preservação da Amazônia no país é importante porque a floresta garante o sustento de comunidades tradicionais, uma das razões pela qual a instituição pede prioridade para a aprovação da Lei Florestal e de Fauna Silvestre.

Um dos maiores problemas para conter o avanço do desmatamento na selva peruana é a fragilidade da fiscalização ambiental, que facilita a ação de madeireiros clandestinos, por exemplo. Segundo o boletim, o país conta com 38 escritórios de supervisão para o monitoramento das florestas. Cada um possui, em média, três funcionários. Mas apenas três centros contam com caminhões em bom estado e só um escritório tem bote em condições de ser utilizado.

Outro fator de preocupação para dezenas de comunidades ribeirinhas é o avanço da indústria petrolífera, que dividiu a floresta em lotes. Em maio deste ano, o governo do país anunciou a abertura de processos de licitação para a exploração do óleo em mais 10 milhões de hectares em campos na Amazônia. Em junho, após ter sofrido um acidente, um barco derramou 63 mil litros de óleo em rio da Amazônia peruana, prejudicando o consumo de água dos rios.
 
Foto: Divulgação

Acampamento de madeireiros no Peru, fotografado em sobrevoo no ano passado. (Foto: Divulgação)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Belo Monte é considerada economicamente inviável em análise de cenários de risco.



O anúncio feito na semana passada pela ANEEL sobre a composição da Sociedade de Propósito Específico (SPE) do consórcio que vai construir a polêmica hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA), revela uma falta marcante de presença do setor privado.  O consórcio Norte Energia(1) formado por 18 membros é marcado pela ausência de grupos importantes do setor financeiro e da indústria de construção de barragens no país.  A participação do Governo Federal, direta ou indiretamente no consórcio (incluindo fundos de pensão de estatais) totaliza 77,5 por cento.  A presença minoritária de investidores privados demonstra, entre outros fatores, preocupações com relação aos riscos financeiros da terceira maior hidrelétrica do mundo.

A falta de entusiasmo do setor privado reflete uma série de perguntas não respondidas: desde o custo estimado de construção do empreendimento (já muito maior do que originalmente projetado) até incertezas sobre a capacidade de geração de energia e custos de mitigação e compensação de grandes impactos sociais e ambientais.

A disposição do Governo Federal em oferecer enormes subsídios e utilizar fundos de pensão de empresas e bancos estatais num projeto de viabilidade econômica altamente duvidosa, tem provocado fortes críticas no país.  "Os contribuintes e servidores públicos com investimentos em fundos de pensão não têm noção dos enormes riscos associados a Belo Monte.  Os trabalhadores da Petrobrás, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil estão gastando o dinheiro de suas aposentadorias para financiar um projeto que investidores privados têm medo de tocar," afirmou Raul do Vale, do Instituto Socioambiental.

Um relatório intitulado "Incertezas no Desenvolvimento hidroelétrico da Amazônia: Cenários de Risco e Questões Ambientais em torno da Barragem de Belo Monte" divulgado em maio pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e pelo Fundo Estratégico de Conservação (CSF) aumentou os receios dos investidores.  O estudo revelou uma probabilidade de apenas 28 por cento do empreendimento gerar uma taxa positiva de retorno ao longo dos primeiros 50 anos de seu funcionamento.  Uma análise do cenário de risco calculou uma grande probabilidade de perda para investidores, que oscilaria entre US$3 e 8 bilhões.

Problemas de ineficiência na capacidade de geração de Belo Monte - que produziria em média apenas 39 por cento da capacidade instalada de 11.233 megawatts, em decorrência de flutuações sazonais no vazão do rio Xingu - indicam que é previsível a construção de outras grandes barragens.  O relatório do ITA/CSF sobre o cenário de risco conclui que "a construção de Belo Monte deve levar a uma crise totalmente previsível - alguns diriam até planejada - que vai gerar uma enorme pressão para a construção de novas barragens reguladoras a montante de Belo Monte voltadas para a plena utilização de sua capacidade de geração."  Há muito tempo, especialistas têm afirmado que Belo Monte é apenas a primeira de uma série de barragens planejadas para o rio Xingu, com implicações sociais, ambientais e econômicas imprevistas.

Em resposta às incertezas sobre a viabilidade econômica do projeto, o Governo Federal tem anunciado uma série de incentivos sem precedentes para atrair investidores, incluindo crédito subsidiado, isenção de impostos e garantias de seguros pelo setor público.  O BNDES vai financiar até 80 por cento do orçamento para a construção de Belo Monte, estimado oficialmente em R$ 19 bilhões, mas que pode chegar a R$30 bilhões segundo analistas econômicos, com taxas anuais de juros de apenas 4% para o que seria o maior empréstimo na história do banco.  O banco tem sido o alvo de reiteradas criticas sobre a falta de salvaguardas socioambientais adequadas e de critérios transparentes para a tomada de decisões na aprovação de empréstimos para mega-projetos.

Para Telma Monteiro, coordenadora de energia da ONG Kanindé, "o governo é majoritário, portanto é líder do consórcio com quase 80%.  Ou seja, a obra é pública, mas as empreiteiras serão contratadas pelo consórcio sem licitação num inequívoco drible da lei de licitações públicas.  Um ótimo negócio!"

"Belo Monte e outras mega-barragens previstas na Amazônia não são necessárias.  Estudos demonstram que investimentos em programas de eficiência energética e incentivos às fontes alternativas têm um custo - beneficio melhor para a sociedade brasileira.  Essas medidas evitariam a necessidade de novas mega-barragens na Amazônia, com uma economia de bilhões nesse processo" afirmou Brent Millikan, Diretor do Programa da Amazônia da International Rivers.  "Esse projeto representa um enorme benefício direto para grandes empreiteiras, inclusive várias das maiores doadoras de campanhas eleitorais, à custa do contribuinte brasileiro, povos indígenas, ribeirinhos, pequenos agricultores e da biodiversidade única do rio Xingu".

O estudo: "Incertezas no Desenvolvimento hidroelétrico da Amazônia: Cenários de Risco e Questões Ambientais em torno da Barragem de Belo Monte" (em inglês)

Nota

(1) O consórcio Norte Energia é controlado pelo grupo Eletrobrás, com participação de 49,98% divididos da seguinte forma: Eletrobras (15%), Eletronorte (19,98%) e Chesf (15%).  Os fundos de pensão de funcionários de bancos e empresas estatais (Petros, Funcef, Previ) têm participação de 25%.  A participação majoritária do Governo, no total de 77,5% se contrasta com o papel coadjuvante de investidores do setor privado no consórcio, tais como o grande produtor regional de ferro Sinobras (1%) e empresa de energia Gaia Energia e Participações do Grupo Bertin (9%), líder da indústria de carnes na Amazônia Brasileira.
Amazonia.org.br/International Rivers Network/EcoAgência

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Aldo Rebelo discute Código Florestal em evento do 'Estadão'

Deputado federal debate tema com ambientalistas na Livraria Cultura, em SP, a partir das 12h30

Manuel Cunha Pinto - estadao.com.br
 
No último dia da série Encontros Estadão & Cultura sobre meio ambiente, o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) debate a reforma do Código Florestal com Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra, e Sérgio Leitão, do Greenpeace.
André Dusek/AE
André Dusek/AE
O evento acontece às 12h30 desta sexta-feira (16) no Auditório Eva Hertz, da Livraria Cultura do Conjunto Nacional. A entrada é gratuita.
Quem perder o debate poderá acompanhá-lo pela cobertura especial do programa Planeta Eldorado, na Rádio Eldorado, que vai ao ar neste fim de semana, ou acessar o conteúdo pelo http://www.territorioeldorado.com.br/.
Também será possível acompanhar as discussões pelo Twitter @vida_estadao.

Lei que restringe sacolas plásticas já é realidade.Em Fernandópolis o assunto foi esquecido.

Em Fernandópolis o assunto foi brevemente levantado pelos vereadores mas logo esquecido.

No Rio de Janeiro, o uso de sacolas plásticas está prestes a ficar restrito.
É que nesta sexta-feira passa a valer, de fato, no Estado uma lei que determina o recolhimento e a substituição desse tipo de embalagem.

Supermercados e lojas de médio e grande porte terão que oferecer outros tipos da acomodação para as compras.

E os estabelecimentos que ainda tiverem as sacolas feitas de plástico vão ficar obrigados a receber esse material de volta dos clientes, para encaminhar para reciclagem.

Além disso, o consumidor que devolver os sacos poderá ter direito à permuta de produtos e quem levar sua própria sacola reutilizável terá direito a descontos.

A lei de substituição das sacolas plásticas foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio e sancionada pelo governador no ano passado.

Os estabelecimentos de médio e grande porte tiveram um ano para a adaptação.

Já as empresas de pequeno porte têm mais um ano para passar a cumprir a determinação e as microempresas têm mais dois anos.

EM Fernandópolis

Lei que restringe sacolas plásticas no comércio já vigora em algumas praças.Em Fernandópolis o assunto foi brevemente levantado pelos vereadores, durante a conquista do selo Verde à Fernandópolis - selo que garante subsidios federais as cidades contempladas - mas logo esquecido.

O assunto ainda foi sugerido por diversas vezes aos vereadores da casa, que ignoraram os beneficios da aplicação de tal lei ao Meio Ambiente.

Seminário mostra a importância da restinga para áreas litorâneas.

Políticas públicas, ações e projetos para conservação e manutenção dos remanescentes de restinga no Litoral paranaense foram discutidos na quinta-feira (15) em Matinhos, no Seminário “Restinga – Que ‘matinho’ é esse?”. Representantes dos sete municípios litorâneos (Guaratuba, Matinhos, Pontal do Paraná, Antonina, Morretes, Guaraqueçaba e Paranaguá) compareceram ao evento promovido para mostrar à população o que é o bioma restinga, vegetação que, entre outros benefícios, forma uma barreira natural contra as ressacas e controla o avanço das dunas evitando que seus movimentos provoquem prejuízos urbanos.

A programação incluiu palestras de biólogos sobre as espécies de fauna e flora encontradas na restinga; apresentação do projeto Restinga Viva; visita a campo; a experiência do município de Itapema, em Santa Catarina para proteção da restinga; conservação e manejo da restinga no Espírito Santo e técnicas de compostagem. Ao final, os participantes discutiram propostas e ações para proteção da restinga que deverão ser realizadas nos próximos meses que antecedem a temporada de verão.

A iniciativa é uma parceria entre a Prefeitura de Matinhos e o Governo do Estado - por meio da Sanepar, Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Secretaria de Agricultura e Abastecimento, Emater e Batalhão de Polícia Ambiental-Força Verde.

Participaram do Seminário estudantes e professores universitários, técnicos, comerciantes, surfistas, pescadores e coletores de materiais recicláveis.

IMPORTÂNCIA - Restingas são formações vegetais costeiras, extremamente adaptadas a condições adversas como ventos, terrenos arenosos, baixos níveis de fertilidade do solo e elevado grau de salinidade. Tudo isso se deve à sua proximidade com o mar.

Associadas à restinga estão as dunas, formadas pela areia e depositada nas praias pelas marés altas e transportadas pelos ventos, gerando elevações em constante mudança.

Durante o seminário, a Prefeitura de Matinhos apresentou o projeto de engordamento da orla do município, prejudicado pelo avanço do mar e, em muitos casos, pela degradação das áreas de dunas e restinga. O projeto – com investimentos de R$ 22 milhões - consiste em aumentar 50 metros a faixa de areia na orla do município, recuperando áreas de erosão e a paisagem local. Será necessária a utilização de 1,3 milhão de metros cúbicos de areia retiradas de jazidas localizadas a 13 metros de profundidade em mar aberto. O prefeito Eduardo Dalmoura contou que sempre foi defensor da preservação do ecossistema.

“É com muita alegria que Matinhos faz o primeiro seminário sobre a restinga. Eu sempre defendi a proteção desta vegetação e hoje o município terá que gastar para fazer a recuperação da nossa praia, devido à falta da restinga”, mencionou Dalmoura. Segundo ele, a primeira fase do projeto é o engordamento da orla e o segundo a revitalização da praia e que inclui o plantio de espécies nativas da restinga.

“Vamos construir um grande viveiro que vai aliar a produção de mudas de espécies nativas da restinga com e reciclagem do coco verde. A ideia é cortar o coco ao meio e utilizá-lo para o plantio de mudas, tendo em vista que o coco segura a umidade por até 30 dias, o que permite o plantio na areia”, antecipa Dalmoura.

A construção do viveiro será uma parceria entre a prefeitura, IAP e Sanepar – idealizadora do projeto piloto Restinga Viva. As mudas produzidas no viveiro, localizado no Parque Estadual Rio da Onça, contribuirão para acelerar a recuperação das áreas degradadas no litoral paranaense.

O presidente do IAP, Volnei Bisgnin, elogiou a iniciativa do Seminário e disse que o órgão ambiental continuará trabalhando em defesa dos ecossistemas naturais do Paraná. “Ações como esta, capitaneadas por moradores do litoral, são fundamentais para conscientizar os turistas durante a temporada de verão quando a vegetação corre maior risco de degradação”, declarou Volnei.

As ações de educação foi um dos pontos mencionados como fundamentais para o tema. O coordenador de biodiversidade e florestas da Secretaria, Leverci Silveira Filho, lembrou que as ações da Secretaria do Meio Ambiente tem sido focadas na orientação de turistas e veranistas. “Com o trabalho conjunto entre o IAP e a Força Verde garantimos a proteção integral das áreas de restinga em Pontal do Sul e Guaratuba, por exemplo, onde os turistas entravam com veículos na faixa de areia em temporadas anteriores”, relatou. Leverci também coordenou a publicação da Série “Ecossistemas do Paraná”, recém-finalizada pela SEMA e que inclui um volume inteiro dedicado a Restinga. “Precisamos agregar mais e avançar nesta política importante de recuperação e cuidado do nosso litoral. Quanto mais protegida, maior será o porte da vegetação e mais protegida estará a nossa orla”, destacou.

HISTÓRICO - O Governo do Paraná apoia ações em torno da preservação da restinga. Os resultados são inéditos e podem ser comprovados nos municípios de Guaratuba e Pontal do Paraná, onde o isolamento da orla foi coordenado por Associações de Surfe e Bodyboard. O trabalho despertou o interesse das crianças e dos comerciantes que já estão ‘adotando’ áreas de restinga em frente aos seus estabelecimentos.

“Além do aumento da vegetação e das dunas também estamos constatando o aumento da participação social. Neste final sábado (17) vamos promover na praia Brava de Guaratuba um novo mutirão para recolhimento do lixo da restinga e que contará com a participação de moradores e veranistas”, anunciou o presidente da Associação de Surfe de Guaratuba, Márcio Odevagen.
 
Arquivo anexado:
Áudio:

Uma semana de muitos retrocessos.

Por: Washington Novaes

Foi lamentável a semana passada no Congresso Nacional. Além de, pela enésima vez, a Comissão de Meio Ambiente da Câmara adiar a apreciação do relatório que recomenda o banimento do amianto em território brasileiro - comentada neste espaço na edição de sexta-feira passada -, outras decisões infelizes marcaram o período: 1) A aprovação, numa comissão especial da Câmara, do projeto que prevê várias alterações no Código Florestal brasileiro - com vários itens muito preocupantes; 2) a supressão, no Senado, de um dispositivo da Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos que não permitia a incineração de resíduos para geração de energia, a não ser quando esgotadas as opções de reciclagem.
A Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos contém princípios importantes, como já foi comentado neste espaço - a adoção da logística reversa, que envolve na destinação dos resíduos toda a cadeia do lixo (fabricantes, comerciantes, consumidores, governos); os incentivos à reciclagem e às cooperativas de catadores de lixo, entre outros. Mas são ainda princípios, que exigirão que sejam criados instrumentos práticos para sua efetivação. E com urgência, porque a geração de lixo continua crescendo (7% em 2009) e quase metade do lixo coletado no País (mais de 1 kg diário por pessoa, na média) continua sendo levada para lixões, 70% dos municípios dão destinação inadequada aos resíduos e a reciclagem total não passa de 12% do total recolhido, segundo a Abrelpe, a associação das empresas do setor. A logística reversa para produtos eletrônicos, pilhas, baterias e pneus, entre outros itens, é vital, já que o Brasil descarta a cada ano 1 milhão de computadores (produz 12 milhões por ano); 82 em 100 pessoas têm telefone celular (que contém metais tóxicos) e a vida média útil de cada aparelho é de três a cinco anos.
Não estranha, nessas condições, que praticamente todas as grandes cidades brasileiras estejam com seus aterros sanitários esgotados. Com a agravante de que implantar e operar um novo é extremamente difícil e custa muito caro. Além disso, em quase toda parte a reciclagem é insignificante. E isso contraria os princípios de uma boa política de resíduos, que deve ter como seu primeiro objetivo a redução do lixo; e como segundo princípio, a reutilização e reciclagem de materiais. A incineração só deveria ser a última opção, como constava do projeto submetido ao Senado após 19 anos de discussões. Além disso, a incineração é um processo muito caro, que exige altas temperaturas - principalmente quando os resíduos orgânicos estão misturados ao lixo seco, como aqui -, para evitar a emissão de poluentes carcinogênicos (dioxinas, furanos). Esse caminho também implica que se precise gerar cada vez mais lixo, para alimentar os fornos de incineração, já que cresce o consumo de energia. Só convém mesmo às empresas incineradoras e às coletoras de lixo (às quais também interessa que haja cada vez mais resíduos, já que são pagas por tonelada recolhida).
O terceiro episódio lamentável da semana passada no Congresso foi a aprovação, na comissão especial da Câmara, por 13 votos a 5, do projeto que altera o Código Florestal - e que ainda terá de ir a plenário, provavelmente em 2011. Para a aprovação agora pesou decisivamente que o PT, o PMDB e o PSDB tenham liberado seus representantes para votar a favor, se quisessem, ao lado do PCdoB (partido do relator do projeto, deputado Aldo Rebelo), do PSB, do PTB e do PP. Só votaram contra um deputado do PV, um do PSOL e mais três do PT, PSDB e PSB.
De pouco adiantaram advertências do Ministério do Meio Ambiente, do Ministério Público Federal, do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, de muitas instituições e organizações ambientalistas quanto a itens mantidos no projeto pelo relator - como a anistia para desmatadores (que, segundo o Ibama, implicará também perdão de R$ 10,6 bilhões em multas já aplicadas e não pagas), a redução de reserva legal em áreas desmatadas ocorrida antes de entrarem em vigor novas exigências (como preservação de 80% em áreas florestais da Amazônia e de 35% nas áreas de transição para o Cerrado). E algumas consequências, como a dificuldade de exigir a manutenção de reserva legal nas propriedades em geral; o possível comprometimento das metas brasileiras de reduzir emissões que agravem o efeito estufa, com o estímulo a mais desmatamento; os riscos de desastres climáticos para populações que vivem em áreas que deveriam ser de preservação permanente; e outras mais.
Os críticos do projeto cansaram-se de mostrar estudos provando que não é preciso desmatar mais para aumentar a produção agropecuária do País; que crescem as críticas ao Brasil em países importadores de soja, carne e madeiras (o Parlamento Europeu, por exemplo, acaba de aprovar resolução que proíbe o comércio, com 27 países, da madeira extraída ilegalmente; a moratória da soja está sendo prorrogada; enfrentamos dificuldades com a exportação de carnes por causa da falta de sistemas confiáveis de rastreamento da origem). A candidata Marina Silva chegou a dizer que, se eleita presidente, vetará a lei, caso seja aprovada pelo Congresso.
E sobrou muita pancada para o relator, deputado Aldo Rebelo, já apontado como "vanguarda do atraso", lembrando haver ele comandado também, no Congresso, a blitz com que o Executivo federal aprovou ali a legislação sobre alimentos transgênicos, apesar da oposição dos Ministérios do Meio Ambiente e da Saúde, que pretendiam exigir estudos prévios de impacto ambiental e epidemiológicos (para verificar possíveis danos à saúde dos consumidores de alimentos transgênicos). O conceituado professor Aziz Ab’Saber, da USP, chegou a escrever que o deputado é "neófito em matéria de questões ecológicas, espaciais e em futurologia".
Resta ver o que farão, daqui para a frente, os adversários do projeto. E que acolhida terão no Congresso.

JORNALISTA E-MAIL: WLRNOVAES@UOL.COM.BR

A interdição dos portos.

Por:Estadão.com.br


Na tentativa de explicar a interdição do Porto de Santos determinada na semana passada por seus funcionários - medida logo suspensa por interferência da Casa Civil da Presidência da República -, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deixou claro o risco de paralisação, a qualquer momento, que corre toda a atividade econômica, sob a acusação de desrespeito às normas ambientais, pois são muito amplos seus poderes.
Na semana passada, três fiscais do Ibama suspenderam as operações do Porto de Santos, que foi multado em R$ 10 milhões, sob esse tipo de acusação. Em nota à imprensa na qual procurou justificar a anulação do ato, o órgão ambiental afirmou que a interdição "foi resultado de iniciativa isolada de um grupo de três fiscais que seguiam ordem do chefe de fiscalização do Ibama em São Paulo, sem que houvesse conhecimento da Superintendência do instituto ou da Diretoria de Proteção Ambiental, responsável nacionalmente pelas operações de fiscalização dessa autarquia".
Se verdadeira, a explicação confirma que a fiscalização do Ibama pode paralisar qualquer atividade no País, inclusive as operações de seu maior porto, sem conhecimento prévio da direção do órgão e sem que, em muitos casos, os prejudicados possam se proteger. No caso de Santos, a interdição durou só três horas - sem efeitos práticos - porque a administração portuária acionou os recursos políticos de que dispunha para reverter a punição. Ligou para o Ministério dos Portos, que ligou para a Casa Civil, que ligou para o Ministério do Meio Ambiente, que ligou para o Ibama - que acabou suspendendo a interdição.
E fez isso simplesmente porque não havia motivo para paralisar aquele Porto por problemas ambientais. Nesse aspecto, a situação "está regular", como reconheceu o Ibama, que prometeu apurar a "responsabilidade dos servidores envolvidos no episódio".
É difícil acreditar, porém, que a ação dos fiscais tenha sido "uma iniciativa isolada", como diz o Ibama. Há um estímulo direto da Diretoria de Proteção Ambiental para a ação firme de seus fiscais contra os portos. "Estamos de olho em todos, acompanhando outros portos", afirmou o diretor Luciano Evaristo à Agência Brasil. "A qualquer hora podemos fazer uma nova operação."
A declaração foi feita durante a interdição dos Portos de Paranaguá - o segundo maior do País em movimento de carga - e Antonina, no Paraná, algumas horas depois da interdição temporária do Porto de Santos. O Ibama apresentou seus motivos para a ação contra os portos paranaenses. A regularização ambiental dos dois portos se arrasta desde 2002. Estudos complementares, exigidos pelo Ibama em 2004, só foram entregues em 2009. No fim do ano passado, foi assinado um termo de compromisso segundo o qual a documentação seria apresentada em maio. O descumprimento desse prazo foi o motivo alegado para a interdição.
A administração dos Portos de Paranaguá e Antonina argumentou que as exigências do Ibama são apenas formais - referem-se a relatórios e documentação -, não havendo risco iminente de danos ao meio ambiente. A Justiça liberou a operação do Porto de Paranaguá e concedeu prazo de 30 dias para a administração portuária cumprir as exigências do Ibama, que não recorrerá da decisão judicial.
O diretor de Proteção Ambiental do Ibama viu no fechamento temporário do Porto de Paranaguá medida de "caráter pedagógico", para forçar os responsáveis pela administração portuária a tratar da questão ambiental com mais presteza. Sejam quais forem as verdadeiras intenções do Ibama, a verdade é que sua atuação pode custar muito caro, não para os responsáveis pelas operações de Paranaguá e, sim, para o Brasil.
Como nossos portos são tão caros e ineficientes que as empresas exportadoras são obrigadas a buscar soluções alternativas e mais caras ainda, a paralisação de portos como Santos e Paranaguá por razões "pedagógicas" revela dificuldade para entender os problemas reais.

Investimento global em energia renovável cai 7% em 2009

ANA CONCEIÇÃO  Agencia Estado

LONDRES - O investimento em todo o mundo em novos projetos de energia renovável (eólica, solar, biocombustíveis, entre outras) diminuiu 7% em 2009, para US$ 162 bilhões, de acordo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep, na sigla em inglês). O recuo ocorreu principalmente na Europa e nos Estados Unidos por causa da crise econômica, que tornou mais difícil para os investidores obterem financiamento.
A China, contudo, foi na contramão e elevou em 53%, para US$ 33,7 bilhões, os investimentos em energia sustentável, especialmente eólica, superando o valor investido pelos Estados Unidos pela primeira vez.
Em 2009, os projetos de energia sustentável foram responsáveis por 60% de toda a nova capacidade de energia (renovável e fóssil) instalada na Europa e mais de 50% nos Estados Unidos. A energia renovável representou 25% da capacidade energética global, segundo o Unep. As informações são da Dow Jones.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Lançada “Carta Verde” para a Copa 2014 .

Documento traz recomendações para o Brasil realizar uma Copa do Mundo sustentável em 2014
 
 


“A Copa 2014 será verde como as nossas florestas”. A frase do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, proferida em Johanesburgo na última quinta-feira, 8/7, sintetiza o desejo manifesto pelos brasileiros em relação a uma das principais conquistas que, espera-se, a realização do mundial de futebol em nosso país deve proporcionar. Sintetiza também a importância que a questão da sustentabilidade vem ganhando a cada campeonato mundial de futebol realizado pela Fifa.

Em sintonia com essa aspiração manifesta e formalmente incluída entre as preocupações da Fifa/CBF e das autoridades brasileiras com a sustentabilidade, o Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco) lançou o manifesto pela Copa Verde no Brasil, batizado de “Carta Verde para a Copa 2014”. Segundo o presidente do Sinaenco, João Alberto Viol, “a sustentabilidade deve nortear todos os projetos para a infraestrutura brasileira para a Copa 2014, incluindo estádios e demais áreas, com destaque para o saneamento, uma das principais lacunas do país nessa questão”.

Elaborada a partir do encontro 2010-2014: 4 anos para uma Copa Verde, promovido pela entidade no último 9 de junho, com a presença de arquitetos, engenheiros, autoridades públicas e representantes da sociedade civil, o documento propõe ações em áreas como mobilidade urbana, saneamento, infraestrutura, construções dos estádios, entre outras.

A Carta Verde defende, por exemplo, que os investimentos nas arenas esportivas devem ser pautados pelos princípios e normas da construção sustentável (ecoeficiência, redução da poluição, reciclagem etc.) e que a realização da Copa 2014 é o melhor momento para a implementação de ações ambientalmente corretas, como a despoluição de ícones turísticos – baías, lagos e rios, entre outros – e a promoção da universalização do saneamento básico no país.

Alinhado com esse conceito, o Sinaenco realizou, em parceria com o Portal 2014, a regata “Velejando pela natureza”, que aconteceu no dia 8 de julho último, na Represa Billings, maior manancial de água doce da Região Metropolitana de São Paulo. O evento contou com a participação de mais de cem crianças de escolas públicas paulistanas, de ONGs socioambientais, como a Vento em Popa, que desenvolve um projeto de educação ambiental e ao mesmo tempo de construção de barcos à vela na região do Cocaia, na zona sul paulistana. As crianças e adolescentes do projeto velejaram pela Billings em dez barcos a vela, cada um com uma inscrição alusiva ao meio ambiente e ao melhor aproveitamento dos recursos hídricos. Além disso, os jovens também ouviram palestras sobre o uso racional  da água e de como evitar a poluição  de nossos recursos naturais.

A Carta Verde será encaminhada ao presidente Lula, ministros do Meio Ambiente, Esportes, Cidades, Planejamento, Turismo, governadores e prefeitos das 12 cidade-sede, além de secretários estaduais e municipais das pastas pertinentes.

Conheça os doze tópicos da Carta:

1-     Pautar pela sustentabilidade os investimentos em arenas, infraestrutura e outros empreendimentos voltados para a Copa, a partir das concepções dos projetos, abrangendo as diversas dimensões da intervenção sobre o meio ambiente.
2-     Orientar os empreendimentos pelos princípios e normas da construção sustentável e, principalmente, aproveitar as águas das chuvas, assim como o reuso da água tratada, minimizar o consumo de energia elétrica, utilizar fontes renováveis e materiais recicláveis, inclusive o material de demolição dos estádios, e reduzir a emissão de gases geradores do efeito estufa.
3-     Priorizar, nos projetos de mobilidade, as modalidades de uso coletivo e movidos por biocombustíveis ou eletricidade, com redução do uso de combustíveis não renováveis.
4-     Utilizar o projeto de arquitetura e engenharia como a ferramenta capaz de melhor compatibilizar, num empreendimento, a intervenção física e a dimensão  ambiental, trabalhando para a redução e mitigação de impactos.
5-     Inserir mecanismos na Lei de Licitações que incentivem as compras sustentáveis. Instituir incentivos fiscais e financiamentos especiais para empreendimentos sustentáveis.
6-     Priorizar a construção de estruturas permanentes, e não provisórias, quando, analisadas as reais demandas, são necessários investimentos na ampliação da infraestrutura, no intuito de oferecer um verdadeiro legado para a população.
7-     Ampliar a capacidade hoteleira de maneira sustentada, de forma que instalações não fiquem ociosas no pós-Copa.
8-     Aproveitar o momento oportuno de coesão nacional para o desenvolvimento de amplas campanhas educativas, com foco em reciclagem e economia de recursos renováveis e não-renováveis.
9-     Priorizar mão de obra local, quando for suficiente para atender as demandas, minimizando a imigração para as áreas das obras para as quais não haja sustentabilidade de empregos .
10-  Valer-se do momento oportuno para despoluir os ícones turísticos – baías, lagos, rios - de cada cidade-sede e desencadear o processo de despoluição do litoral brasileiro.
11- Promover a universalização do saneamento básico no país, fundamentalmente nas 12 cidades-sede e suas regiões metropolitanas.
12- Aprimorar a limpeza urbana, com inserção de pontos de reciclagem nas cidades-sede. (Com informações de Mandarim Comunicação)

  

Ibama autoriza Petrobras a ampliar exploração na Bacia de Campos

 
 
Luana Lourenço, AGÊNCIA BRASIL 



A licença de operação para os campos de Uruguá e Tambaú foi assinada pelo presidente do instituto, Abelardo Bayma.
De acordo com o órgão ambiental, entre as condicionantes para o começo da produção estão o monitoramento, o controle ambiental da operação dos campos e a apresentação imediata de um plano de emergência, que deverá detalhar as medidas a serem tomadas em casos de acidentes ambientais, como derramamento de petróleo.
Os campos Uruguá e Tambaú ficam no Bloco BS-500, localizado no Rio de Janeiro, entre os municípios de Niterói e Maricá.

Biodiversidade: especialistas querem Brasil na liderança.

Por Noéli Nobre e Luiz Cláudio Canuto 

Especialistas que participaram do seminário sobre o Ano Internacional da Biodiversidade declararam que o Brasil tem a obrigação de liderar as negociações na 10ª Conferência das Partes da Convenção da Diversidade Biológica (COP-10), que ocorrerá em outubro em Nagoya (Japão). No evento realizado nesta terça-feira, 13 de julho, pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, os participantes concluíram que o País, por ter uma das maiores biodiversidades do mundo, reúne as condições necessárias para comandar o debate, evitando que os países em desenvolvimento sejam subjugados por países ricos.
“O Brasil encerra 9,5% das espécies de plantas e animais conhecidas no mundo. Existem aqui entre 170 mil e 210 mil espécies conhecidas”, disse o coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Sarney Filho (PV-MA).
O diretor de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, Bráulio de Souza Dias, reforçou que os países ricos em biodiversidade têm de estar à frente da discussão. “É cômodo para um país europeu negociar uma meta para sustar toda a perda de biodiversidade até 2020. Se não alcançarmos o objetivo, a culpa não será de um país europeu, mas de um latino-americano ou africano.”
Desafios – Apesar da capacidade de liderar, os especialistas enfatizaram que o Brasil tem muitos desafios. Dos seis biomas existentes no País, Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal, apenas a Amazônia exibe uma proporção aceitável de áreas protegidas. Os debatedores apontaram problemas na implantação e na governança dessas áreas. Segundo eles, o Brasil também carece de coordenação entre os dados coletados sobre a biodiversidade e o País ainda não ultrapassou o debate que gera a dicotomia entre conservação e desenvolvimento, como mostra a atual polêmica na criação do novo Código Florestal, aprovado em comissão especial na Câmara.
Na opinião de Bráulio Dias, para ser mais ambicioso, o Brasil tem de ter uma demonstração clara de compromissos de implementação, com aporte de recursos financeiros, engajamento de setores etc. “Não adianta assumir compromissos internacionais para reduzir a perda de biodiversidade se, aqui, pressionados pelo setor agrícola, estamos reduzindo os instrumentos de proteção ambiental”, assinalou em referência à criação do novo Código Florestal. Para o diretor, o Brasil sinalizará negativamente se aprovar de fato mudanças no código.
O deputado Sarney Filho lembrou que o Brasil já conta com uma legislação importante de proteção ambiental, que inclui o Código Florestal. No entanto, o parlamentar considera um retrocesso as mudanças nessa lei, que, segundo ele, flexibilizam regras de proteção.
Plano estratégico – A pauta da COP-10 inclui, entre outros temas, a aprovação do regime internacional de acesso a recursos genéticos e repartição de seus benefícios e também um plano estratégico para o período 2011-2020. O plano prevê metas de conservação, de uso sustentável, de proteção a conhecimentos tradicionais, de engajamento do setor privado e de transferência de tecnologia. Mas, conforme explicou Bráulio Dias, o plano ainda não conta com apoio total do governo brasileiro.
Segundo informou o diretor, diversos países querem fixar uma meta “ambiciosa” de redução da perda da biodiversidade, mas sem se comprometer financeiramente a ajudar as nações em desenvolvimento. Por esse motivo, ainda não há consenso sobre os valores para a conservação pretendida. “Qual a meta quantitativa que se deve almejar para 2020? Estamos para decidir entre 15% e 20% de áreas protegidas no mundo inteiro. A meta atual, para até este ano, era conseguir pelo menos 10% e não conseguimos. Por isso, a gente questiona a fixação. Se queremos ser mais ambiciosos, temos de ter um compromisso, o que significa aporte de recurso financeiro”, afirmou o diretor.
Na opinião do superintendente de Conservação da organização ambiental WWF-Brasil, Cláudio Maretti, o Brasil agiu bem ao não aprovar desde agora o plano estratégico. A atitude, disse, é corajosa e provoca a negociação para conseguir resultados necessários.
O seminário, que tem como tema o “Ano Internacional da Biodiversidade – Quais os desafios para o Brasil”, ocorre hoje e amanhã e faz parte da programação comemorativa ao Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) e ao Ano Internacional da Biodiversidade, em 2010.
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  5. Audiência pública debaterá COP-10 Da Agência Ambiente Energia A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados realizará audiência pública, em data a ser definida em breve, para obter informações sobre os preparativos da 10ª Conferência das Partes da Convenção da...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Compostagem - Composteira Doméstica



__Para quem vive na cidade, toda a matéria orgânica produzida pode ser reutilizada e transformada num excelente adubo (composto).

A compostagem é a melhor maneira de dar um destino útil aos resíduos orgânicos. Veja, passo a passo, como é fácil construir uma composteira ocupando pequenos espaços em casa ou no apartamento:

.:: Materiais necessarios ::.

- Três caixotes pequenos
de madeira (encontrados
em fruteiras para colocar maçãs)
- Jornal
- Terra
- Resíduos orgânicos in natura (cascas de frutas, legumes e ovos, folhas de verduras não aproveitadas, folhas e flores, borra de café, erva-mate etc).
Importante: Não utilize alimentos processados, como restos de comida e de carne, que além de causarem mau cheiro, atraem insetos e ratos.


.:: passo-a-passo ::.
Técnica desenvolvida pelo IPEP (Bagé/RS)

1 ::. Amasse as folhas de jornal formando pequenas sanfonas.

2 ::. Forre as laterais internas das caixas com o jornal amassado, criando paredes. É importante deixar frestas para o ar circular.

3 ::. Em uma das caixas coloque aproximadamente três centímetros de terra e cubra com os resíduos orgânicos. Depois, repita o procedimento com as sobras de alimento produzidas no dia-a-dia, até que a caixa esteja cheia.

4 ::. Deixe as outras duas caixas vazias, forradas com papel amassado, para, porteriormente, receberem a terra e os resíduos.

5 ::. Empilhe as três caixas montando uma espécie de pequeno armarinho.

6 ::. Deixe por cima a caixa contendo os resíduos. Quando ela estiver cheia, transfira-a para o andar de baixo.

7 ::. Repita a operação com as outras caixas.


.:: Resultado ::.
__Cada caixa deve descansar por aproximadamente 30 dias. Depois disso, a terra com os restos estará transformada em um fértil composto, que poderá ser usado em vasos e floreiras.

domingo, 11 de julho de 2010

Lixo pode virar energia limpa e reduzir impacto ambiental.

Usina de tratamento terá capacidade para abastecer 3.000 residências

QUEILA ARIADNE
 
Parece coisa de desenho animado, onde o lixo é usado para mover carros e foguetes. Mas é a vida real: o que você joga fora hoje pode voltar para sua casa, conduzido por fios de eletricidade. No Brasil já existem alguns aterros com usinas que reaproveitam o lixo por meio da queima. Agora, os resíduos também poderão virar energia por meio de um reator de micro-ondas. E Matozinhos, no interior de Minas Gerais, será o primeiro no país a ter essa tecnologia. Para começar, a usina de tratamento de resíduos, que está sendo construída junto com o aterro, terá capacidade de 1,5 MW/h, o suficiente para abastecer 3.000 residências.

A tecnologia foi desenvolvida pelo brasileiro Luciano Prozillo, diretor da Micro Ambiental. "O lixo passa por um reator de micro-ondas que retira sua umidade, aumentando seu poder combustível. Depois, ele é compactado e se transforma em briquetes (tijolinhos), que são queimados, liberando o vapor que vai mover turbinas e gerar energia, que poderá ser usada pela prefeitura ou comercializada no mercado livre", explica.

O projeto de Matozinhos é feito em parceria com a Cavo Serviços & Meio Ambiente. De acordo com diretor comercial da empresa, João Carlos David, o aterro deve ficar pronto em agosto e a usina em outubro ou novembro deste ano. "Nós fazemos a instalação dos equipamentos, quando tudo estiver pronto, a Prefeitura de Matozinhos vai ter que realizar uma licitação para definir quem vai operar a usina".

Ganhos. A prefeitura pode fazer essa licitação ou vender briquetes diretamente para potenciais consumidores, como cimenteiras. A procuradora geral do município, Maria Sílvia Viana, explica que ainda isso não está definido. Entretanto, qualquer uma das opções trará impactos econômicos e ambientais muito positivos. "Com a comercialização de energia, teremos aumento na arrecadação de impostos sobre serviços, além disso, como a tecnologia vai reduzir a emissão de poluentes, vamos nos credenciar a receber ICMS ecológico", avalia.

O projeto recebeu investimentos de R$ 10 milhões. Os recursos vieram do Fundo de Recuperação, Proteção e Desenvolvimento Sustentável das Bacias Hidrográficas do Estado de Minas Gerais (Fhidro), pois, com a implantação da usina de tratamento de lixo, os afluentes do rio das Velhas estarão protegidos da contaminação por chorume - líquido tóxico gerado na decomposição do lixo.

Eletrobras: composição de sociedade para Belo Monte sai em dez dias.

Agência Brasil



O presidente da Eletrobras, José Antônio Muniz Lopes, informou que nos próximos dez dias a empresa concluirá a criação da Sociedade de Propósito Específico (SPE) com a composição do consórcio que vai construir a Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará.

Em entrevista à Agência Brasil, Muniz Lopes disse que a Eletrobras trabalha com a perspectiva de que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) conceda antes de setembro a licença provisória, de modo que a empresa inicie as obras civis de Belo Monte, principalmente o canteiro de obras, ainda neste ano.

“A expectativa é de que até o fim do ano possamos construir o canteiro de obras e dar início às obras civis da usina, de modo que quando chegar o verão estejamos prontos para acelerar o ritmo de execução das obras”.

Muniz acredita que a holding do sistema elétrico brasileiro possa utilizar, em Belo Monte, a experiência adquirida nas usinas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira (RO), o que facilitará o trabalho e antecipará o início das obras no Xingu.

“Nós só estamos esperando obter a licença provisória para começar a trabalhar, por exemplo, no remanejamento das populações ribeirinhas, na implantação do canteiro de obras. Eu tenho um desejo imenso de que as obras físicas de Belo Monte (principalmente o canteiro e as obras preliminares nas cidades de Altamira e Vitória) possam ter início ainda este ano.

Para o presidente da Eletrobras, o ideal é que não se passe outro inverno antes do início das obras, “porque se tivermos uma cheia grande no Xingu e for à noite, quando as pessoas estiverem dormindo, poderemos ter um desastre nos estados de Alagoas e Pernambuco”.

Sobre as críticas de ambientalistas ao projeto de Belo Monte, obra avaliada em cerca de R$ 25 bilhões, Muniz lembrou que trabalha no desenvolvimento do projeto da usina há cerca de 20 a 25 anos.

“Chegamos a fazer o primeiro projeto para a construção da usina, que envolvia um reservatório de 1.200 quilômetros quadrados (km²), chegamos mesmo a elaborar o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental EIA/Rima) e o entregamos formalmente ao Ibama ainda na década de 90”.

Ele lembrou que mais recentemente foi feito outro Relatório de Impacto Ambiental para um projeto menor, com novas exigências do Ibama.

“A demora excessiva nos últimos anos foi que surgiram demandas que eram colocadas a cada momento pelo Ibama. E, no final, praticamente fizemos um projeto do ponto de vista ambiental dos melhores que já foram feitos no Brasil. Todas essas grandes construtoras participaram do fechamento do inventário, da avaliação ambiental integrada e do EIA/Rima do projeto atual” garantiu.

Muniz contestou a versão que chegou a circular na imprensa de que houve pressão por parte do governo federal para que o Ibama liberasse a licença ambiental em tempo recorde. “É equivocado dizer que houve pressão sobre o Ibama. Nós contávamos com a licença ambiental em novembro e ela só foi sair no fim de janeiro. Então, não houve de forma alguma pressão sobre o Ibama. Nós já vínhamos trabalhando com o Ibama desde o começo do ano passado. O que houve foi problema de descontinuidade dentro do próprio instituto. A pressão foi normal tendo em vista que nós precisamos continuar expandindo a oferta de energia no Brasil”, afirmou.

Defensor da obra desde os tempos em que presidia a Eletronorte, Muniz garantiu que não existe no país nenhum projeto que tenha um Relatório de Impacto Ambiental da qualidade do de Belo Monte. “O problema é que Belo Monte está situada em uma área que já traz um passivo”.

O presidente da Eletrobras não quis falar sobre possíveis parceiros e nem confirmar informações que circulam no mercado sobre a participação dos fundos de pensão de empresas públicas no empreendimento.

“Nós temos uma forma de atuar onde delegamos às diretorias específicas a gestão das atividades. Me considero um presidente ao contrário, uso a pirâmide invertida. Fico por baixo, apoiando os setores e se eventualmente precisarem da minha ajuda, estou pronto a colaborar”.

Ele lembrou que no caso de Belo Monte, cabe ao diretor de Engenharia, Valter Cardeal, negociar a composição da SPE. “São engenharias financeiras difíceis e o Cardeal é quem está à frente desse processo. Elas exigem cuidados grandes para que o passo decisivo seja dado da melhor maneira possível”, avaliou.

A Eletrobras e suas subsidiárias (Chesf e Eletronorte) ficarão com 49,98% da SPE de Belo Monte.

sábado, 10 de julho de 2010

Selo Unicef é tema de Fórum em Cuiabá




Da Redação
Uma Impressão Digital 
Na próxima quinta-feira (15-07), Cuiabá vai sediar o I Fórum Comunitário do Selo UNICEF Município Aprovado, no auditório da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB / CENE, à Rua Tereza Lobo, 399 no Bairro Senhor dos Passos.
O objetivo é ampliar e qualificar a participação social dos cidadãos e cidadãs no acompanhamento e controle social das políticas públicas destinadas à infância e adolescência nos municípios.
Cuiabá aderiu ao selo tão logo o Unicef ampliou a abrangência do programa, concebido inicialmente apenas para os municípios do semi-árido brasileiro. Em 2008 o programa contemplou municípios da Amazônia Legal e mais 34 cidades mato-grossenses. A capacitação da equipe que desenvolve e o monitora as políticas públicas no cumprimento de metas para ações voltadas para a infância e adolescência é muito importante para a conquista do selo. O programa é um reconhecimento internacional ao esforço dos municípios no cumprimento das suas políticas públicas voltadas para a infância e adolescência.
O Selo é a contribuição do UNICEF para a Agenda Criança Amazônia, compromisso firmado pelos governos estaduais pela garantia dos direitos de todas as crianças e os adolescentes na Amazônia Legal, através de um plano de ação para a integração, articulação e cooperação de políticas dos três níveis de governo, do empresariado e da sociedade civil. A Agenda Criança Amazônia “Mais Amazônia pela Cidadania”, assinado pelo presidente Lula e os governadores da Amazônia Legal, em 2008, é uma contribuição ao compromisso para o desenvolvimento social da região.
O Articulador do Selo Unicef em Cuiabá, Natalício Menezes, explica que a adesão de Cuiabá ao programa é um compromisso para a melhoria de indicadores sociais que representam qualidade de vida, mais educação e conquistas de direitos para crianças e adolescentes.“O programa Selo UNICEF Município Aprovado ocorre por meio de ações de mobilização, diálogo e troca de experiências que possibilitam a construção conjunta de idéias, propostas e ações que melhorem as condições sociais do município, que refletem na qualidade de vida”.
“Somente será possível atingir esse objetivo”, segundo Menezes, “com a participação de todos: famílias, adolescentes, crianças, gestores e técnicos. Por isso, o Fórum é um importante momento de escuta, diagnóstico, consulta e participação social. Haverá um dia de capacitação de articuladores e conselheiros municipais dos Direitos da Criança nos municípios pólos”, resumiu.

Ator Edward Norton vira embaixador da biodiversidade.

Americano foi designado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon

 Agência Estado
Edward Norton é nomeado embaixador da ONU para a biodiversidade
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, designou o ator americano Edward Norton embaixador da boa vontade da ONU para a biodiversidade.

"Acho que cada vez há mais pessoas que relacionam a biodiversidade com o componente humano", disse Norton durante entrevista nas Nações Unidas, na qual também ressaltou que quando "acontecem coisas terríveis, como o vazamento de petróleo do Golfo do México, percebemos que o bem-estar do ser humano está conectado à biodiversidade".

Protagonista de filmes como Clube da Luta (1999) e A Última Noite (2002), ele destacou a importância de divulgar os exemplos positivos de comunidades que prosperam porque protegem a biodiversidade. O ator, de 40 anos, lembrou que seu compromisso com o meio ambiente é uma herança de seus pais, que também foram ativistas. Norton participa, entre outros projetos, da associação Maasai Wilderness Conservation Trust, que busca proteger e preservar as comunidades da África oriental.

Tailândia reproduz píton rara em cativeiro

A Tailândia conseguiu reproduzir pela primeira vez em cativeiro uma espécie rara de cobra píton, ameaçada de extinção. Trinta espécimes da píton-dourada-tailandesa (Molur bivittatus) nasceram no início da semana em um zoológico na província de Nakhon Ratchasima, a noroeste da capital Bangcoc. A espécie só é encontrada na Tailândia e, embora a população fosse numerosa no norte do país há algumas décadas, agora restam apenas cerca de cem exemplares da cobra. A píton-dourada-tailandesa cresce até 2 metros e é vítima da caça indiscriminada e da destruição de seu hábitat.

Cerrado e Caatinga mais protegidos

O Cerrado e a Caatinga estão próximos de se tornarem um patrimônio nacional e ficarem mais protegidos. O Senado aprovou uma emenda constitucional nesta semana e, segundo o Ministério do Meio Ambiente, só falta a matéria ser examinada pela Câmara. Os dois biomas tiveram quase metade de sua extensão alterada - o Cerrado perdeu 47,84% de sua área original e a Caatinga, 46,38%. A Mata Atlântica, a Amazônia e o Pantanal são considerados patrimônios nacionais do País.

Repórter encontra últimos habitantes da fronteira oeste do Brasil.

G1
 
O ex-seringueiro Nilson Mendes conhece o canto dos pássaros. É um homem amazônico na imensa floresta. “Eu tenho 30 anos de observação da natureza. Estudo as plantas, fauna, flora. Mas eu digo a você: é uma questão de conviver com o animal. Porque muita gente vê, mas não consegue conviver. Eu consegui sobreviver dentro da floresta, convivendo com os animais”, diz.

A Floresta Amazônica é o maior celeiro em biodiversidade do planeta, mas também é um grande desafio para a ciência. O tesouro que existe nela ainda é desconhecido, e só os caboclos e os índios que vivem na selva conseguiram partir na frente. De uma folha, de uma casca de árvore, de uma raiz, eles conseguem extrair remédios que curam doenças graves. É a Amazônia Selvagem que queremos conhecer, com seus rios, árvores e raízes, sua imensa teia cheia de vida.


Estamos no Parque Estadual de Chandless, no Acre, com 700 hectares e segredos que ainda estão para ser descobertos. Nessa região, vivem mais de 400 espécies de aves, 300 espécies de plantas e quase 200 tipos de peixes, anfíbios, répteis e apenas 98 pessoas, completamente isoladas.


“As pessoas que moram dentro dessa unidade já estavam aqui quando parque foi criado. Por isso, elas fazem uso dos recursos naturais que existem nessa região. Então, eles caçam, eles pescam, eles usam árvores para fazer canoa para se locomoverem. Então, eles fazem uso desses recursos de forma natural para sua sobrevivência”, afirma o biólogo Jesus Rodrigues, do Parque Estadual Chandless.


Nós vamos partir em direção aos extremos do Brasil. Jesus Rodrigues será o nosso guia. Queremos chegar à terra dos brasileiros que nunca fizeram contato, índios que só foram fotografados uma vez e do alto. Nosso equipamento para essa aventura não poderia ser mais simples. Vamos seguir a viagem em duas voadeiras, barcos pequenos que já estão lotados de combustível, equipamentos e a nossa bagagem.


Essas canoas serão as nossas casas pelos próximos oito dias. A grande cheia do início do passado deixou sua marca na calha do rio. E o que estava escondido sob as águas começa a aparecer. São muitas armadilhas no nosso caminho. Foi preciso trocar a hélice de um dos nossos barcos, após nos enroscarmos em um emaranhado de galhos.


E seguimos viagem, com os olhos atentos. Em um barranco do Rio Purus, flagramos uma sucuri, com metade do corpo para fora da água. Ela está caçando, procurando roedores nos buracos da beira do rio. Deve ter uns sete metros de comprimento e logo percebe nossa presença. Soberana, ela mergulha lentamente para o fundo do rio.


Nossas voadeiras vão de um lado a outro do rio, procurando o canal para passar. Um cargueiro típico da região estava encalhado há dois dias. Com muito esforço dos tripulantes, ele consegue sair. Nesta época do ano, todos sabem que vão encalhar dezenas de vezes, ao longo da viagem. É assim para buscar frutas e pescar. Mas todos sabem também que o rio é a única saída. Na região, não existem estradas.


Nós vamos deixar o Rio Purus e entrar no Rio Chandless. Vamos pegar a parte mais difícil da viagem. E uma canoa vai ser incorporada à nossa frota. Agora, são duas voadeiras e uma canoa com motor especial, o que vai facilitar a nossa entrada.


Do alto, o Rio Chandless mais parece uma serpente dando voltas pela selva. Em época de cheia, o rio invade a selva e causa destruição. Mas falta muito pra água voltar a subir.


Por enquanto, os donos do pedaço nos observam lá de cima: o macaco guariba. E o chefe do bando, tranquilo, está no topo da árvore, enquanto a chuva não vem.


Na região, o tempo é mesmo diferente. A chuva chega sem avisar e vem forte. Encontramos uma casa e decidimos buscar abrigo. Quando chegamos, a dona de casa Maria de Fátima Nunes Pacaya estava cozinhando. Ela conta que estava preparando o chapo. “É o mingau que a gente faz da banana. Bota no fogo é, depois, a gente bate”, explica. O liquidificador é movido à manivela, já que não há energia elétrica no local.


“Eu como da minha lavoura, o que eu planto, o que eu tenho. É a banana que a gente faz, o roçado da gente. A gente planta e a gente tem. A gente não compra como na cidade”, declara Fátima.


A criação de porcos e galinhas fica solta, embaixo da casa. Joelma, a filha de 16 anos, ajuda o pai, Jerônimo, com o gado. E, assim, as crianças vão aprendendo a viver nessa beira de rio. São raros habitantes desse paraíso amazônico, um lugar onde as pessoas chegam a se esquecer da própria idade.


Denilson ainda estava lá fora, quando a chuva começou. Ele tem só 8 anos de idade e se pegar uma gripe? “Se der febre, a gente faz um chá e dá um suador. Enrola ele todo, dos pés à cabeça. Essa pessoa vai suar. Quando soa, a gente vai descobrindo devagarzinho, para o vento. Vai esfriando o corpo. Também quando já esfria o corpo, a febre não volta mais. A gente cura aqui é assim”, explica a dona de casa.


Alimentos e remédios: Fátima vive cercada de recursos naturais poderosíssimos. Denilson revela que não tem medo de andar sozinho na canoa nesse rio e que já acostumou com os bichos. “Aqui, eu nasci e me criei, já estou acostumado e não tenho medo. Só de onça que eu tenho medo”, diz o menino.


O mateiro Jerônimo Marques, marido de Fátima, está fazendo uma canoa nova. “Gastei uns 12 ou 13 dias de serviço mais ou menos aqui. Mas vou gastar mais uns 10 dias ainda de serviço, para terminar”, declara.


É como se estivesse montando um carro zero, no machado. “Cabe muita gente. Vai ficar bem possante”, aposta Jerônimo.


É a maior canoa que ele já fez. Vai ter capacidade para carregar até duas toneladas. Jerônimo é mateiro experiente e vai nos levar aos extremos da floresta. No ponto mais distante do parque, fica a casa dos pais de Fátima, os últimos habitantes do Brasil.


Ele vai nos levar, porque ele é um dos poucos que conhece essa região para onde nós vamos. É o fim do rio. “Aqui pode se considerar o fim do mundo, porque é muito distante da cidade”, diz Jerônimo.


Mas nós já nos acostumamos com os dias de viagem pelo rio. E a chuva do dia anterior fez subir o nível das águas. Assim, conseguimos chegar até onde começa uma trilha. Jerônimo vai na frente. Os galhos das árvores gigantes tampam a luz do sol. Lá em cima, um casal de araras vermelhas. Nessa espécie, macho e fêmea são fiéis, e o casamento é para sempre.


Cruzamos a mata, e, bem no meio do caminho, encontramos uma serpente venenosa, pronta para o bote. Ela está parcialmente encoberta pelas folhas. “Se a gente passa sem ver, sem perceber, corre o risco de ela picar. E nós estamos a cinco dias de distância de uma cidade onde provavelmente teria o soro antiofídico. Só nos resta tirá-la da trilha. E é o que vamos fazer".


Por essas bandas é assim: para fazer uma simples visita, é preciso viajar dias e dias. Depois de tanto esforço, quase perdemos a viagem.


Quando chegamos, Milton e Marta, pais de Fátima, estavam de saída, já dentro da voadeira, de partida para a cidade.


A última casa brasileira, hoje, está vazia. Da casa deles em adiante não mora mais ninguém. “Não mora mais um pé de pessoa. É só selva e bicho”, diz Milton Leite, morador do Parque Estadual Chandless.


Milton e Marta são os últimos moradores da fronteira oeste do Brasil. “Essa área aqui é muito sadia. Parece que Deus abençoou esse rio. A gente só pega alguma gripinha, quando a gente vai lá em Manoel Urbano, lá na cidade”, afirma o morador.


“Eu pretendo sair daqui um dia, porque, se meu marido sai, eu tenho que acompanhar ele. Ele, sozinho, tampouco não vai sair. Eu tenho que acompanhar ele, de qualquer maneira. Sou mãe dos filhos dele. Eu tenho que seguir ele”, diz a dona de casa Maria Marta Leite.


A dona de casa também revela que é apaixonada pelo marido, que é amor pra vida inteira. “Fui doida por ele e estou até agora. Agora, pior. Ele é pai dos meus filhos e estamos ficando os dois nessa idade. E eu tenho que ficar com ele. Até o dia que Deus me tirar do costado dele”, declara.


E lá vão os dois juntos na canoa, inseparáveis, vão enfrentar cinco dias de viagem até a cidade de Manoel Urbano. Mas nós seguimos na direção contrária. Vamos avançar por essa mata desconhecida e cheia de mistérios. Ao entardecer, temos que procurar uma praia para acampar.


“Parece que estamos chegando ao fim. As árvores caíram e está muito raso. Não vai dar para continuar”, revela o repórter Francisco José.


O Chandless Chá é o último igarapé de um rio que nasce na Amazônia peruana. Nós vamos acampar no local. Está cheio de rastro de animais na areia, de capivara e anta. “Exatamente o que a gente tinha previsto. Vamos passar a noite aqui. Mais uma noite junto com a natureza”, afirma Jerônimo.


Logo montamos acampamento. A fogueira ajuda a aquecer nossa comida: "só em parar um pouquinho, nesse fim de tarde, perto do rio, os mosquitos avançam. Onde está descoberto, o carapanã e o pium pegam", declara o repórter.


Nossas redes ficam ao relento. Só resta rezar para não chover à noite. "A partir daqui, só temos rios, florestas e, se nós chegarmos próximo da área de fronteira com o Peru, nós encontraremos os vestígios de índios isolados”, explica o biólogo Jesus Rodrigues.


Mas não foi desta vez que conseguimos chegar a esse povo, guardião de tanta sabedoria. No dia seguinte, iniciamos a viagem de volta. O igarapé se fechou para nós. Deixamos para trás essa Amazônia que só os índios isolados conhecem, com a certeza que um dia voltaremos. O Brasil ainda vai descobrir os mistérios dessa selva. Longe desse local, no outro lado da terra, pudemos avaliar quantos benefícios uma floresta intocada pode oferecer ao seu país.

Bancos e mesas ecologicamente corretos de autoria da paisagista Dagný

Lindo para ter em casa, no jardim, almoço com amigos... eles vão amar!!!

Bancos e mesas ecologicamente corretos de autoria da paisagista Dagný Bjarnadóttir. O design é chamado de “Furnibloom”, e tenta integrar o meio natural ao estilo de vida das pessoas. Segundo o site diz que é de vidro, mas eu acredito que seja acrílico potente! Você pode adicionar qualquer tipo de vegetação dentro dele (eles têm uns furinhos que deixam passar ventilação, e evitar assim que as plantinhas morram, né?!).
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Segundo a designer, o mobiliário tem dupla função: móvel estiloso para áreas externas, além de ser também uma jardineira!

Para mais informações podem visitar o site Furnibloom site.
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BP trocará cápsula para tentar conter vazamento de petróleo no Golfo do México.

Empresa deverá aproveitar intervalo na temporada de tempestades para realizar operação.

 A empresa petroleira BP deverá começar neste final de semana a substituir a cápsula usada para tentar conter o vazamento de petróleo no Golfo do México.

A empresa espera que a nova cápsula aumente significativamente a quantidade de óleo sendo capturado do fundo do mar.
Enquanto a peça estiver sendo trocada, no entanto, o petróleo vazará sem contenção.
Robôs da BP poderão começar a remover a atual cápsula já neste sábado, segundo o almirante Thad Allen, comandante da Guarda Costeira americana.
Segundo ele, o fluxo de óleo voltaria a ser parcialmente contido na segunda-feira. Até lá, centenas de milhares de barris de petróleo poderão vazar.
"Nós temos uma chance significativa de reduzir dramaticamente o óleo que está sendo liberado no meio-ambiente e talvez de fechar o poço completamente na próxima semana", disse.
Solução
Segundo correspondentes, a BP tem esperança de que a nova cápsula conseguirá capturar quase todo o petróleo que vaza.
A BP continua trabalhando no que espera ser a solução final para o problema, perfurando dois poços sob o leito do mar para interceptar e bloquear o vazamento.
No momento acredita-se que a empresa esteja conseguindo conter apenas metade do óleo.
O governo americano estima que entre 35 e 60 mil barris estejam vazando diariamente.
A BP está aproveitando a previsão de uma semana de intervalo na temporada de tempestades para fazer as mudanças.
A empresa também planeja usar mais um navio na operação.
Os novos esforços para conter a catástrofe ambiental ocorrem quando um dos parceiros da BP no poço se recusou a pagar sua parte nos custos da operação.
A Anadarko, baseada na cidade americana de Houston, é dona de 25% do poço Macondo. A BP pediu para que a empresa pague US$ 272 milhões (R$ 478 milhões).
Mas a Anadarko disse que vai segurar o pagamento.
A BP respondeu dizendo que está "decepcionada" que a empresa "falhou em cumprir suas obrigações".
Outra firma que tem participação no projeto, a Mitsui Oil Exploration também se recusou a ajudar nos custos da operação de contenção do vazamento.
A BP já gastou mais de US$ 3,1 bilhões (R$ 5,4 bilhões) depois que a plataforma Deepwater Horizon explodiu em abril - e concordou em criar um fundo de US$ 20 bilhões para processos de indenização e custos de limpeza.
O presidente americano Barack Obama disse que o vazamento é o pior desastre ambiental da história dos Estados Unidos. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.


Fazendeiro é multado após desmatar área de 4 mil hectares em MS

Segundo o Ibama, ele já havia sido autuado pelo mesmo crime em 2009.
Vegetação nativa é derrubada para dar lugar à pastagem.

Do G1, com informações do Globo Rural
 Um fazendeiro foi multado, pela segunda vez, após desmatar uma área de cerca de 4 mil hectares na região do Pantanal, em Mato Grosso do Sul. Para driblar a fiscalização, eram feitos montes com os troncos das árvores. Em seguida, o fazendeiro colocava fogo nos montes. A vegetação nativa é derrubada para dar lugar à pastagem.
Veja o site do Globo Rural
De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), as árvores derrubadas são os carandás, palmeira nativa da região. A área fica em Mato Grosso do Sul, a 50 quilômetros de Porto Murtinho.
A área desmatada faz parte da Fazenda Tereré, que tem um total de 30 mil hectares. O produtor rural já havia sido autuado pelo mesmo crime no ano passado. Mas, de acordo com o Ibama, voltou a derrubar árvores ilegalmente.
“Houve uma quebra de embargo e ele vai ser enquadrado como tal. Essa ação será passada ao Ministério Público. Além da sanção administrativa, ele sofrerá um processo cível”, explicou Luiz Benatti, chefe de fiscalização do Ibama em Mato Grosso do Sul.
Pelo crime ambiental, o pecuarista foi multado em R$ 4,2 milhões.
 

Deputado quer apurar ação de fiscais do Ibama.

Rejane Lima / SANTOS - O Estado de S.Paulo
 
O deputado federal Márcio França (PSB-SP) vai solicitar que a Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara Federal apure as razões que levaram o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de São Paulo a interditar o Porto de Santos na última quinta-feira. Aplicada juntamente com uma multa de R$ 10 milhões, a punição alegava a falta de licenciamento ambiental, mas foi retirada pelo próprio Ibama três horas depois, sem que as operações portuárias tivessem sido paralisadas nesse período.
"Esse fato demonstra o perigo a que o País fica sujeito, estando à mercê de dois ou três fiscais públicos. Foi um negócio inacreditável, de muito amadorismo", disse o deputado, ex-prefeito de São Vicente e Presidente Estadual do PSB, partido que comanda a Secretaria Especial de Portos (SEP), que tem a frente o ministro Pedro Brito.
França destaca que a ação do Ibama só não causou dano maior por causa da SEP, criada em maio de 2007. "O presidente da Codesp ligou diretamente para o Ministro Pedro Brito, que falou com a Casa Civil, que falou com Ministro do Meio Ambiente que revogou a decisão". Em relação ao trabalho da Comissão, o deputado destaca que é um instrumento do legislativo para fiscalizar o executivo e que o procedimento instaurado vai investigar o ocorrido, ouvir os envolvidos e tomar as providências necessárias.
"Foi como se um fiscal de obras da prefeitura de São Paulo interditasse Congonhas, que envolve milhares de pessoas. A operação do Porto de Santos envolve milhões de dólares por hora, e quem paga o prejuízo com a paralisação é o País", reclamou.
Em nenhum momento a Codesp reconheceu o embargo aplicado pelo Ibama de São Paulo e esclareceu que está cumprindo todas as determinações estabelecidas pelo Ibama de Brasília.