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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Wal-Mart expande plano de defesa da floresta amazônica.

Ann Zimmerman
The Wall Street Journal


O Wal-Mart Stores Inc. se comprometeu a aumentar bastante as compras locais de pequenos produtores em vários países, inclusive o Brasil, nos próximos cinco anos, num plano que pretende, entre outras coisas, evitar desmatamento da Amazõnia para produção de alimentos.

A iniciativa abre uma nova frente nos esforços da maior varejista do mundo para melhorar sua imagem, com a redução do impacto de suas atividades sobre o meio ambiente. Mas algumas questões persistem, incluindo quanto do custo será carregado por seus fornecedores.

A gigante do varejo apresentou ontem um grande número de metas relacionadas a sua cadeia de fornecimento, incluindo dobrar a quantidade de alimentos comprada de produtores nos Estados Unidos nos próximos cinco anos.

A empresa planeja investir US$ 65 milhões para desenvolver agricultores locais no Brasil e reduzir em 20% o desperdício de suas lojas. A Wal-Mart, terceira maior rede de varejo do país, também afirma estar compromissada em não comprar produtos que tenham contribuído para o desmatamento da Amazônia, incluindo soja, madeira e carne.

O Wal-Mart promete, ainda, estender a suas operações em outros países que revendem carne brasileira informações e conhecimentos que a rede no Brasil tem sobre a origem do produto.

Em outros países emergentes, como a China e a Índia, o grupo planeja vender o equivalente a US$ 1 bilhão em alimentos produzidos por 1 milhão de pequenos e médios agropecuaristas e treiná-los para usar água, pesticidas e fertilizantes de forma mais eficiente.

Nos EUA, o Wal-Mart afirma acreditar que pode converter áreas do sul, onde costumava haver muito tabaco e algodão, em plantações de produtos como frutas, ajudando a empresa a levar itens mais frescos para as lojas ao mesmo tempo em que ajuda a preservar o uso da terra para agricultura.

Os alimentos representam a maior parte das vendas da Wal-Mart, que bateram em US$ 405 bilhões no ano fiscal encerrado em 31 de janeiro. Nos EUA, os alimentos responderam por mais da metade das vendas.

Esta é a primeira vez que o Wal-Mart prioriza na agricultura local os esforços de seu programa de cinco anos para se tornar mais cuidadoso com o meio ambiente.

O Wal-Mart estabeleceu esses objetivos com a contribuição de grupos ambientalistas e voltados às questões sociais que cooperam com a varejista.

"O Wal-Mart tem o potencial de usar a sua escala para fazer a diferença na agricultura sustentável", disse Michelle Harvey, que trabalha na filial do Fundo de Defesa Ambiental que fica perto da sede do Wal-Mart em Bentonville, no Estado de Arkansas. O varejista tem "potencial para ter um impacto significativo na melhor forma de se produzir alimentos, de uma maneira que danifique menos o planeta."

Um painel de especialistas em agricultura montado pelo Wal-Mart alertou que a produção de alimentos terá que se expandir muito nos próximos 35 anos para acompanhar de forma adequada o esperado aumento da população. As iniciativas são um primeiro passo em direção a "produzir melhor os alimentos que nós vendemos, de uma forma mais sustentável", disse Leslie Dach, diretora de negócios corporativos e relações governamentais do Wal-Mart. "E nós queremos que os agricultores que fazem isso vivam uma vida melhor."

O Wal-Mart vai, pela primeira vez, perguntar aos fornecedores sobre a água, a energia e os fertilizantes que eles usam por unidade de alimento produzida, num esforço para encorajar a eficiência e a inovação no uso desses recursos, afirmou a empresa.

Especialistas dizem que duas atividades que estão contribuindo para o desflorestamento são a criação de gado na América do Sul e a produção de óleo de palma na Indonésia, um produto usado na cozinha, cosméticos e sabonetes.

O Wal-Mart está lançando uma iniciativa que exige que óleo de palma usado em seus produtos de marca própria venha de fontes que não tenham relação com a destruição da floresta tropical.

Esse esforço vai ajudar a estimular o crescimento de palmeiras em plantações abandonadas, em vez de em novas áreas de floresta, disse Jason Clay, vice-presidente do Fundo Mundial para a Vida Selvagem.

"Quando o Wal-Mart toma uma posição em relação às coisas, até mesmo em relação às próprias marcas, ele manda uma mensagem para outros produtores e fornecedores de que essas questões são importantes e eles precisam começar a realmente ver qual é a fonte das coisas", diz Clay.

Essas iniciativas virão com um custo e não está claro quem vai arcar com ele. "Na medida em que entramos nessa área, nós descobrimos que existe muito desperdício e ineficiência e dois terços das melhores práticas se pagam", completou Clay. "Mas haverá custos iniciais e temporários. Mudança é assim mesmo."

Fonte: WSJ


Mais um passo pela Amazônia.

Anúncio do Walmart de assumir globalmente compromisso pelo desmatamento zero é avanço na preservação da floresta. Mas ainda falta dizer como vai chegar lá.
Manaus – O Walmart anunciou um pacote de medidas globais para que sua marca esteja mais próxima da sustentabilidade. Uma das ações prometidas é suspender a compra de produtos que estejam associados ao desmatamento da Amazônia. Segundo o anúncio, até 2015, os itens produzidos a partir da criação de gado, do cultivo de soja ou da extração de madeira que vêm de áreas devastadas na floresta tropical brasileira não terão vez nas lojas da rede pelo mundo.
“A iniciativa do Walmart é um passo ambicioso para garantir a preservação da Amazônia. Mas, com ele, vem uma grande responsabilidade, de explicar como vão colocar a promessa em prática. É o que esperamos agora”, diz Marcio Astrini, da campanha Amazônia do Greenpeace.
Gado, soja e madeira são os principais vetores de destruição da floresta tropical brasileira. Uma parte dos setores de pecuária e sojeiro caminha para uma produção mais limpa, pressionados pelo próprio mercado internacional, que não aceita mais produtos associados à destruição da Amazônia. Mas para que a floresta deixe de cair e o Brasil reduza suas emissões de CO2 – que o colocaram entre os países que mais contribuem com o aquecimento global – é preciso que novos atores exijam uma produção livre de desmatamento.
“Medidas como a do Walmart são um grande avanço para o Brasil e para o equilíbrio climático global. Mas uma boa parcela do problema ainda precisa ser resolvida: os outros supermercados ainda fingem que a destruição da Amazônia não é problema deles”, diz Astrini.