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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Em 40 anos, o mundo perdeu 30% de sua biodiversidade. Mais de 190 países debatem no Japão soluções para frear a perda de espécies.

Os animais mais ameaçados de extinção

Vanessa Barbosa, de EXAME.com
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São Paulo - Quando percebemos o valor de todo o tipo de vida, pensamos menos no que já passou e nos concentramos mais na preservação do futuro. A afirmação é da pesquisadora Dian Fossey, encontrada assassinada em 1985 em sua cabana no centro de estudo sobre gorilas-das-montanhas que fundara em Ruanda na década de 70. Quando seu gorila favorito foi morto (e suas mãos retiradas para fazer cinzeiros), Fossey começou uma campanha contra a atividade, tornando-se alvo da ira de caçadores ilegais. Ainda hoje, o futuro do gorila-da-montanha e de muitas outras espécies animais continua incerto.

Segundo o Relatório Planeta Vivo 2010 da World Wild Fund (WWF), o mundo perdeu 30% de sua biodiversidade em 40 anos. Nas espécies tropicais essa queda foi de 60%. Em 2002, a ONU definiu metas para frear a perda de espécies. Lnge de lograr sucesso, mais de 190 países se reúnem novamente em Nagoya, no Japão, para encontrar um plano B, durante a 10ª Conferência das Partes da Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica, que vai até dia 27 de outubro. O futuro de muito seres vivos pode ser definido nos próximos dias. Entre eles, estão as 10 espécies mais ameaçadas do mundo, de acordo com a WWF. Os animais listados a seguir são apenas alguns de um vasto universo ameaçado de forma preocupante e negligente pela perda de habitats, pela caça ilegal e alterações climáticas.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Preocupação oficial com áreas ameaçadas de desertificação se restringe ao semiárido do Nordeste Especialistas, porém, enxergam problemas similares na Amazônia, em Goiás e no Sul.

Por: Vinicius Sassine
 


O sistema de alerta de desertificação, anunciado ontem pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vai ignorar áreas desertificadas fora do Nordeste brasileiro. Os alertas de períodos secos que se avizinham e de formação de bancos de areia por causa da exploração intensa do solo devem começar a ser emitidos no início de 2011, exclusivamente para a região do semiárido. É essa região onde, conceitual e oficialmente, estão as áreas desertificadas no Brasil. Mas, nas regiões Centro-Oeste e Sul, centros de pesquisa independentes do governo já confirmaram ocorrências de desertificação. Em Goiás, os bancos de areia somam 7,5 mil hectares. No Rio Grande do Sul, chegam a 6,5 mil hectares.

Somente os areais nos dois estados, formados em terrenos de solo frágil e altamente explorados pela soja, em Goiás, e pelo eucalipto, no Rio Grande do Sul, equivalem a área de 875 estádios de futebol de porte médio. Nos dois estados, pesquisadores, governos e produtores rurais buscam uma solução para essas terras, que se tornaram improdutivas depois de décadas de monocultura.

A suscetibilidade dos pampas gaúchos e do cerrado à desertificação não aparece no mapa oficial das áreas vulneráveis no Brasil, concluído em 2007 pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). Fazem parte desse mapa os nove estados do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo. Ao todo, 30 milhões de brasileiros vivem nesses locais e podem enfrentar escassez de água, períodos de seca severa e dificuldades econômicas em decorrência dos processos de desertificação.

Frágil
Desde 1997, o Brasil é signatário da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), que enquadra o problema como a degradação da terra nas regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas. Interferem na formação de desertos as mudanças climáticas e a exploração intensa do solo.

Para a própria ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a desertificação não é um processo exclusivo do Nordeste. “Nas outras regiões do Brasil, áreas altamente produtivas podem deixar de ser nos próximos anos.” A ministra citou a “savanização da Amazônia”, prevista em razão das mudanças de temperatura, perdas de água e períodos de seca. No cerrado, 14% da área tem solos suscetíveis à desertificação. Nos pampas, o sudoeste gaúcho é o mais vulnerável.

Os alertas que serão emitidos pelo MMA e pelo Inpe vão informar a disponibilidade de água, a qualidade do solo e as possibilidades de formação de areais. “São informações relevantes, que vão mostrar problemas a serem enfrentados em determinadas regiões”, afirma o coordenador do Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação, ligado ao MMA, Marcos Dal Fabbro. “O alerta será para o semiárido. O que se sabe fora do semiárido ainda é muito empírico.”

Cana
Em Goiás, parte das áreas desertificadas está sendo ocupada pela cana-de-açúcar, segundo a geógrafa Selma Simões de Castro, professora do doutorado em Ciências Ambientais da Universidade Federal de Goiás (UFG). Selma pesquisa a desertificação no estado. Estudos mostraram que os terrenos arenizados podem ser recuperados com o plantio de espécies nativas do cerrado. “Há áreas suscetíveis (à desertificação) fora do semiárido, na Amazônia e no cerrado.”

Para a geógrafa Dirce Suertegaray, que pesquisa a arenização no Rio Grande do Sul desde 1983, o ideal é que as áreas desertificadas sejam replantadas com espécies nativas, no caso dos pampas. Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutora em Geomorfologia pela Universidade de São Paulo, Dirce defende que Rio Grande do Sul e Goiás entrem no sistema de alerta do MMA e do Inpe. “A definição de desertificação para o que ocorre nesses estados os colocaria nas agendas internacionais, o que garantiria recursos especiais para a recomposição dos biomas.”

Esta é a Década da ONU sobre Desertos e de Combate à Desertificação, como reforçará a 2ª Conferência Internacional sobre Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Áridas e Semiáridas (Icid 2010). O Icid 2010 será realizado em Fortaleza (CE), entre 16 e 20 deste mês.

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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Animais ameaçados de extinção

Segundo ONU, 1 em cada 5 espécies corre risco de desaparecer

Estamos no Ano da Biodiversidade, campanha lançada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para chamar a atenção do planeta para a preservação da vida na Terra. Apesar disso, o World Wildlife Fund (WWF) divulgou em 2010 uma lista com os principais animais ameaçados de extinção. Aliás, uma em cada cinco espécies corre o risco de desaparecer do mapa, para sempre.
Entre as causas conhecidas estão o desmatamento, o aquecimento global e a caça predatória, mas também a incompreensível perseguição a algumas espécies, para a extração de partes de seu corpo e um “suposto benefício” (em geral sem qualquer base científica). É o caso do chifre do rinoceronte, do pênis do tigre, das patas dos ursos e dos gorilas ou das barbatanas do tubarão, que supostamente podem ter propriedades afrodisíacas e/ ou medicinais.
Constam da lista dos animais mais ameaçados o tigre (novos levantamentos indicam que existem menos de 3,2 mil tigres na natureza, uma vez que restam também apenas 7% de seu habitat natural preservado); o urso polar (que se tornou o principal símbolo dos animais que perdem seu habitat a cada dia, devido ao aquecimento global, sem falar nas ameaças dos petroleiros e o derramamento de óleo na região); a morsa (só em setembro passado foram encontradas 200 indivíduos mortos no Alasca, que com o derretimento das geleiras estão ficando sem alimento); o pinguim-de-magalhães (também afetados pelo aquecimento das correntes marítimas, que os tem forçado a nadar cada vez mais longe para achar comida; aliás, das 17 espécies de pinguins, 12 estão ameaçadas pelo aquecimento global).
Ampliam essa lista a tartaruga-gigante (também conhecida tartaruga-de-couro), considerada um dos maiores répteis do planeta, que chega a pesar 700 quilos. Estimativas mostram que há apenas 2,3 mil fêmeas no Oceano Pacífico, seu habitat natural. O tripé temperaturas altas, pesca e poluição tem sido uma ameaçada constante à sua procriação. Juntam-se a ela o atum-azul (um dos ingredientes principais do sushi, já quase extinto por causa da pesca predatória); o gorila-das-montanhas(que podem deixar de existir na próxima década; são apenas 720 animais vivendo nas florestas da África, e outros 200 no Parque Nacional de Virunga, a maior área de preservação desta espécie); a borboleta-monarca (as temperaturas extremas são a sua principal ameaça; elas vivem em florestas de pinheiros, área cada vez mais ameaçada pelo aquecimento global e urbanização crescente); o rinoceronte-de-java (hoje são apenas 60 em seu habitat natural, cujo o chifre é usado na medicina tradicional asiática; para isso, eles são caçados de forma predatória); e, por fim, o panda (são apenas 1,6 mil deles na natureza, de acordo com o WWF; vivem nas florestas da China, que estão cada vez mais ameaçadas pelo crescimento das cidades).