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segunda-feira, 15 de novembro de 2010
WWF e Coca-Cola: Programa de Recuperação do Guadiana atinge objectivos.
Os trabalhos de conservação do ecossistema da bacia internacional do rio Guadiana desenvolvem-se em três áreas da bacia: ribeira do Vascão (Portugal), ribeira do Murtega e rio Ruecas (Espanha). O projecto de restauro transfronteiriço da bacia do rio Guadiana tem como prioridades: - melhorar o estado ecológico da bacia, como estabelece a Directiva-Quadro da Água da União Europeia; - promover a criação de corredores ecológicos que liguem as diferente secções da bacia; -recuperar a flora local tornando-a mais resistente a impactos futuros; -melhorar os conhecimentos técnicos e científicos de restauro de ecossistemas degradados; - sensibilizar o público sobre a importância de proteger, manter e restaurar as reservas de água em meio natural. O projecto visa ainda promover uma gestão coordenada, integrada e partilhada entre as entidades envolvidas, tanto em Portugal como Espanha.
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Comissão Europeia propõe proibição de fosfatos nos detergentes para roupa
AFP
A Comissão Europeia propôs hoje a proibição da utilização de fosfatos e a limitação do respectivo teor noutros compostos de fósforo nos detergentes têxteis para melhorar a qualidade das águas.Essencialmente utilizados para aumentar a eficácia da lavagem, os fosfatos são em grande parte responsáveis, com os nitratos, pela proliferação de algas e de “marés” verdes ou vermelhas.
Os detergentes figuram entre as principais fontes de fosfatos nas águas, depois da agricultura e do tratamento de efluentes. A sua eliminação nas estações de depuração das águas torna-se muito cara, sublinhou a Comissão Europeia. No entanto, a medida isenta os detergentes para lavar a loiça e aqueles usados por profissionais.
“Quando chegam aos rios, aos lagos e aos mares, os fosfatos produzem fortes concentrações de algas que consomem muito oxigénio e eliminam rapidamente todos os organismos vivos”, disse Sergey Moroz, da organização WWF. O fenómeno afecta especialmente grandes zonas do Báltico e do Mar Negro.
A organização lembra que existem alternativas aos fosfatos, menos poluentes e sublinha que vários estados norte-americanos e vários países europeus, como a Suécia, já baniram os fosfatos dos detergentes para lavar a louça.
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WWF lança campanha em prol de tartarugas-da-amazônia.
Filme narra o nascimento dos animais e o trabalho de pesquisadores, estudantes e ribeirinhos para garantir a reprodução dessa espécie
por Globo Rural OnlineO Tabuleiro do Embaubal é o principal local de desova de tartarugas-da-Amazônia
O Tabuleiro do Embaubal é umas das 10 áreas prioritárias para a criação de novas unidades de conservação indicadas pelo WWF-Brasil no movimento “Cuidar da Natureza é Cuidar da Vida”. Lançado no mês de outubro, o movimento tem como objetivo mostrar a relação entre a conservação da natureza e a qualidade de vida da população.
Para estimular a participação, o movimento conta com um concurso cultural cujo prêmio será uma viagem para a Amazônia para aqueles que responderem a pergunta: Por que você precisa da natureza para viver?. A resposta pode ser encontrada em uma série de materiais disponibilizados no site do movimento.
Tabuleiro é uma praia ou conjunto de praias utilizado por tartarugas para depositarem seus ovos. O Tabuleiro do Embaubal, um conjunto de ilhas no Baixo Rio Xingu, é o principal local de desova de tartarugas-da-amazônia (Podocnemis expansa), espécie que, assim como a pitiú ou iaçá (Podocnemis sextuberculata) e a tracajá (Podocnemis unifilis), povoa os rios, lagos e igarapés amazônicos. O lugar está ameaçado por grandes cheias, grandes secas e pela crescente presença humana nas margens do rio Xingu. As tartarugas e seus ovos ainda são intensa e ilegalmente consumidos em toda a região amazônica.
Pesquisadores, órgãos públicos e os ribeirinhos que vivem perto desse conjunto de ilhas trabalham juntos para conservar o local e as espécies. O objetivo do documentário é mostrar o trabalho e sensibilizar a sociedade brasileira para a necessidade de preservação.
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sexta-feira, 29 de outubro de 2010
ONU garante novo acordo para proteção da biodiversidade.
Os quase 200 participantes na Convenção sobre Diversidade Biológica, que decorreu no Japão, chegaram a um acordo de 10 anos que fixa várias metas estratégicas para a protecção da biodiversidade no planeta.
«Este acordo reafirma a necessidade fundamental de conservar a natureza, enquanto a própria base das nossas economias e das nossas sociedades», disse à BBC Jim Leape, director geral do Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês). «Os Governos enviaram uma forte mensagem de que a protecção da saúde do planeta tem um lugar nas políticas internacionais e que as nações estão prontas para juntar esforços para salvar a Terra», concluiu.
Entre as metas agora definidas está a garantia de que 17 por cento da superfície terrestre do planeta e 20 por cento dos oceanos estarão protegidos até 2020. Além disso, foi acordada uma nova estratégia de mobilização de recursos para os próximos dez anos e um protocolo para a partilha de acesso aos benefícios de recursos genéticos.
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Acordo mundial sobre recursos genéticos pode ser alcançado hoje...
A organização japonesa da Convenção sobre a Diversidade Biológica acredita que se poderá chegar ainda hoje a um acordo sobre a divisão dos lucros procedentes dos recursos genéticos do planeta.
“A proposta foi aceite pelos representantes dos grupos regionais. Queremos examinar a adopção deste acordo mais tarde”, explicou Ryu Matsumoto, ministro do Ambiente japonês.
O protocolo sobre o Acesso e a Divisão das Vantagens (ABS) tem como objectivo fazer com que os lucros gerados pelas empresas (sobretudo laboratórios farmacêuticos e de cosmética, entre outros) de genes provenientes da reserva de biodiversidade dos países do hemisfério sul (animais, plantas e microrganismos) sejam partilhados com estes.
De acordo com um delegado europeu presente na convenção, as consultas para garantir o apoio de todos os países dentro de cada grupo regional estavam a ser feitas e a votação poderá acontecer ainda hoje.
Ontem, porém, as negociações estavam paradas. União Europeia e Canadá seriam as regiões que mais se opunham ao acordo – e os países em desenvolvimento os que mais o desejam.
Na altura, um responsável japonês tinha inclusive referido que a União Europeia estaria a “empatar” a negociação, opondo-se a pequenos detalhes para adiar uma proposta.
Como já adiantámos durante a semana passada no Green Savers, a reunião de Nagoya começou a 18 de Outubro e tem como objectivo fixar 20 metas estratégicas para 2020, que visam proteger a biodiversidade e conter o alarmante ritmo de desaparecimento das espécies.
Outro dos objectivos é estender as áreas protegidas dos actuais 13% (superfície do planeta) e menos de 1% (oceanos).
“A proposta foi aceite pelos representantes dos grupos regionais. Queremos examinar a adopção deste acordo mais tarde”, explicou Ryu Matsumoto, ministro do Ambiente japonês.
O protocolo sobre o Acesso e a Divisão das Vantagens (ABS) tem como objectivo fazer com que os lucros gerados pelas empresas (sobretudo laboratórios farmacêuticos e de cosmética, entre outros) de genes provenientes da reserva de biodiversidade dos países do hemisfério sul (animais, plantas e microrganismos) sejam partilhados com estes.
De acordo com um delegado europeu presente na convenção, as consultas para garantir o apoio de todos os países dentro de cada grupo regional estavam a ser feitas e a votação poderá acontecer ainda hoje.
Ontem, porém, as negociações estavam paradas. União Europeia e Canadá seriam as regiões que mais se opunham ao acordo – e os países em desenvolvimento os que mais o desejam.
Na altura, um responsável japonês tinha inclusive referido que a União Europeia estaria a “empatar” a negociação, opondo-se a pequenos detalhes para adiar uma proposta.
Como já adiantámos durante a semana passada no Green Savers, a reunião de Nagoya começou a 18 de Outubro e tem como objectivo fixar 20 metas estratégicas para 2020, que visam proteger a biodiversidade e conter o alarmante ritmo de desaparecimento das espécies.
Outro dos objectivos é estender as áreas protegidas dos actuais 13% (superfície do planeta) e menos de 1% (oceanos).
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Estado do Acre aprova política inédita de incentivos ambientais.
Estado do Acre aprova política inédita de incentivos ambientais
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Na quinta-feira, 21 de outubro, o Acre deu um importante passo no sentido de consolidar uma economia de base florestal no estado. Foi aprovada, com ampla maioria na Assembleia Legislativa acreana, a criação do Sistema de Incentivo a Serviços Ambientais do Acre (Sisa). O objetivo da lei é organizar um marco legal, inédito no Brasil, para o incentivo aos serviços ambientais, com remuneração adequada a proprietários, populações tradicionais e projetos que contribuam para conservar as florestas.
O novo sistema organiza as estratégias que vêm sendo implementadas nos últimos anos para valorizar os ativos florestais, por meio de incentivos econômicos fiscais e de oferta de crédito para cadeias produtivas sustentáveis. Além disso, a política prevê a criação de uma agência estatal que receberá diversos projetos de produção sustentável e de pagamento por serviços ambientais, assegurando que estejam em conformidade com o novo modelo e viabilizando-os técnica e financeiramente.
O governador do Acre, Arnóbio (Binho) Marques, ressalta que a lei resulta de contribuições colhidas junto à sociedade civil acreana, parceiros, instituições do Acre, de outros estados do Brasil e até internacionais. “Trata-se de um importante passo para a consolidação do projeto de desenvolvimento sustentável do Acre, que vem sendo praticado há 12 anos”, avalia.
Segundo a secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú, o sistema servirá de modelo não só para outros estados da Amazônia brasileira, como também para a formulação de políticas públicas relacionadas ao desenvolvimento sustentável em outras partes do mundo. “Esse novo marco legal dá significativa contribuição para que o Acre tenha um ambiente cada vez mais adequado para a adoção de iniciativas da economia de baixo carbono e assim inovar e ser um exemplo”, salienta.
Outro importante papel do Sistema de Incentivo a Serviços Ambientais do Acre é unificar diversas leis e iniciativas. A política integra estratégias nas áreas de produção e meio ambiente, criando um robusto sistema que possa lidar, de maneira integrada e simultânea, com o combate ao desmatamento, a promoção do desenvolvimento sustentável e a inclusão social de milhares de famílias.
O governador Binho Marques recorda que esteve na Dinamarca em 2009, durante a COP-15, apresentando a concepção geral do Projeto de Pagamentos de Incentivos Ambientais do estado, como sequência de outras iniciativas como a Política de Valorização do Ativo Ambiental (2008) e o pagamento de prêmios pela produção extrativista sustentável e produção familiar certificada.
“A aprovação da política na Assembleia Legislativa foi o coroamento de um processo de construção coletiva já incorporado às políticas do estado. Foram feitas reuniões setoriais, consultas públicas e debates”, informa o governador.
O WWF-Brasil participou da elaboração da política apoiando técnica e financeiramente a realização de estudos, consultas públicas e oficinas que subsidiaram o processo. Segundo Denise Hamú, é importante que se tenha um sistema estadual que aborde de forma integrada as iniciativas de conservação, evitando a prática usual de tratar cada projeto de maneira isolada
“Temos muito orgulho de nossa participação na concepção do Sistema de Incentivo a Serviços Ambientais e de sermos parceiros do Governo do Acre em iniciativas que vêm construindo um novo modelo de desenvolvimento para aquele estado, com base em sólidos princípios de sustentabilidade e participação da sociedade”, concluiu a secretária-geral do WWF-Brasil.
Envolverde/WWF-Brasil
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Na quinta-feira, 21 de outubro, o Acre deu um importante passo no sentido de consolidar uma economia de base florestal no estado. Foi aprovada, com ampla maioria na Assembleia Legislativa acreana, a criação do Sistema de Incentivo a Serviços Ambientais do Acre (Sisa). O objetivo da lei é organizar um marco legal, inédito no Brasil, para o incentivo aos serviços ambientais, com remuneração adequada a proprietários, populações tradicionais e projetos que contribuam para conservar as florestas.
O novo sistema organiza as estratégias que vêm sendo implementadas nos últimos anos para valorizar os ativos florestais, por meio de incentivos econômicos fiscais e de oferta de crédito para cadeias produtivas sustentáveis. Além disso, a política prevê a criação de uma agência estatal que receberá diversos projetos de produção sustentável e de pagamento por serviços ambientais, assegurando que estejam em conformidade com o novo modelo e viabilizando-os técnica e financeiramente.
O governador do Acre, Arnóbio (Binho) Marques, ressalta que a lei resulta de contribuições colhidas junto à sociedade civil acreana, parceiros, instituições do Acre, de outros estados do Brasil e até internacionais. “Trata-se de um importante passo para a consolidação do projeto de desenvolvimento sustentável do Acre, que vem sendo praticado há 12 anos”, avalia.
Segundo a secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú, o sistema servirá de modelo não só para outros estados da Amazônia brasileira, como também para a formulação de políticas públicas relacionadas ao desenvolvimento sustentável em outras partes do mundo. “Esse novo marco legal dá significativa contribuição para que o Acre tenha um ambiente cada vez mais adequado para a adoção de iniciativas da economia de baixo carbono e assim inovar e ser um exemplo”, salienta.
Outro importante papel do Sistema de Incentivo a Serviços Ambientais do Acre é unificar diversas leis e iniciativas. A política integra estratégias nas áreas de produção e meio ambiente, criando um robusto sistema que possa lidar, de maneira integrada e simultânea, com o combate ao desmatamento, a promoção do desenvolvimento sustentável e a inclusão social de milhares de famílias.
O governador Binho Marques recorda que esteve na Dinamarca em 2009, durante a COP-15, apresentando a concepção geral do Projeto de Pagamentos de Incentivos Ambientais do estado, como sequência de outras iniciativas como a Política de Valorização do Ativo Ambiental (2008) e o pagamento de prêmios pela produção extrativista sustentável e produção familiar certificada.
“A aprovação da política na Assembleia Legislativa foi o coroamento de um processo de construção coletiva já incorporado às políticas do estado. Foram feitas reuniões setoriais, consultas públicas e debates”, informa o governador.
O WWF-Brasil participou da elaboração da política apoiando técnica e financeiramente a realização de estudos, consultas públicas e oficinas que subsidiaram o processo. Segundo Denise Hamú, é importante que se tenha um sistema estadual que aborde de forma integrada as iniciativas de conservação, evitando a prática usual de tratar cada projeto de maneira isolada
“Temos muito orgulho de nossa participação na concepção do Sistema de Incentivo a Serviços Ambientais e de sermos parceiros do Governo do Acre em iniciativas que vêm construindo um novo modelo de desenvolvimento para aquele estado, com base em sólidos princípios de sustentabilidade e participação da sociedade”, concluiu a secretária-geral do WWF-Brasil.
Envolverde/WWF-Brasil
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quarta-feira, 27 de outubro de 2010
ONG documenta os registros de 1,2 mil novos animais e plantas em dez anos.
Celeiro de espécies
O cálculo é da organização não-governamental WWF Brasil: mais de 1,2 mil espécies novas de plantas e de animais vertebrados foram descobertas no bioma Amazônia entre 1999 e 2009. Significa uma nova espécie a cada três dias e confirma a Amazônia como um dos lugares mais diversos do planeta, segundo o relatório Amazônia Viva, divulgado pela rede.As novas espécies compreendem 637 plantas, 257 peixes, 216 anfíbios, 55 répteis, 16 aves e 39 mamíferos. A Amazônia abrange um território de nove países, mas mais da metade dela está em oito Estados do Brasil, o país com o maior número de espécies descobertas na década (cerca de 280). Seis das sete espécies de primatas estão no Brasil.
Entre as descobertas, a ONG destacou a serpente Eunectes beniensis, a primeira espécie nova de sucuri desde 1936, que pode medir quatro metros. A rã Ranitomeya amazonica é natural da floresta úmida da Amazônia peruana. O peixe Phreatobius dracunculus, espécie de bagre cego e minúsculo que vive em águas subterrâneas, foi encontrado em Rondônia. Alguns deles ficaram presos no balde que buscava água num poço. Certas espécies eram desconhecidas apenas dos cientistas. O sagui-do-rio-acari (Mico acariensis), registrado em 2000 no Brasil, é animal de estimação de moradores de um povoado perto do rio Acari.
No relatório, a WWF compara a biodiversidade da Amazônia à devastação da floresta tropical. Pelo menos 17% da floresta úmida foram destruídos nos últimos 50 anos, área maior que a Venezuela. A ONG culpa a pecuária: estima que 80% das áreas desmatadas na Amazônia estejam hoje ocupados por pastagens para gado.
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terça-feira, 26 de outubro de 2010
Desenvolvimento versus biodiversidade
COP 10 destaca a economia dos ecossistemas
Durante plenária que debateu o TEEB, Pavan Sukhdev, líder do estudo, falou sobre a necessidade de os líderes mundiais assumirem responsabilidade pela perda da biodiversidade e incluírem os valores econômicos da biodiversidade na formulação de políticas públicas em seus países e em suas contas.
Para Sukhdev, contabilizar os gastos gerados pela degradação do meio ambiente é importante porque a destruição atingiu níveis muito altos e tendem a subir ainda mais. Ele acredita que os custos sociais e econômicos consequentes da degradação ambiental serão ainda mais sérios se nada for feito de fato.
Cláudio Maretti, superintendente de conservação do WWF-Brasil, concorda com Sukhdev. Para ele, considerar o valor da biodiversidade na formulação de políticas públicas, a inclusão desse valor na contabilidade pública, nas contas nacionais e nos cálculos dos planos de desenvolvimento é fundamental para a conservação.
Maretti explica que os governantes precisam, antes de investir em uma obra de infraestrutura como uma estrada, por exemplo, estudar o que a degradação da área para a construção da estrada irá representar futuramente em termos econômicos para o país. Ou seja, devem-se levar em conta os serviços que a biodiversidade deixará de fornecer à região, quais serão os impactos dessa obra e quais serão os custos para lidar com tais impactos. “É uma questão de valorizar a biodiversidade pelos benefícios diretos que nos gera”, completa Moretti.
Porém, alguns países já demonstram preocupação com o assunto. A Índia, por exemplo, foi o primeiro país a anunciar que irá seguir as recomendações do TEEB. A Noruega manifestou o mesmo interesse e, segundo Bráulio Dias, secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, o Brasil também pretende implantar o estudo no país. “Como um dos países com maior biodiversidade do mundo e que enfrenta grandes ameaças, o governo do Brasil e o setor privado estão levando as recomendações do estudo a sério. Em nível nacional estamos discutindo a aplicação do estudo TEBB do nosso capital natural”, explica Dias.
Para Dias, o Brasil possui grande potencial para liderar uma nova economia e aderir à uma economia verde no país. “Para isso, é preciso que todos os setores da sociedade estejam engajados em incorporar os valores da nossa biodiversidade em suas contabilidades”, conclui.
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sábado, 23 de outubro de 2010
Os 10 animais mais ameaçados de extinção.
O relatório Planeta Vivo 2010, da WWF, alertou: em cerca de 40 anos, o mundo perdeu 30% de toda a sua biodiversidade (para saber mais, leia a reportagem Biodiversidade nas regiões tropicais cai 60% em 4 décadas). As estatísticas, baseadas em profundos estudos científicos, deixam claro que a fauna e flora do planeta estão desaparecendo, pouco a pouco. No entanto, algumas espécies estão muito mais próximas da extinção do que outras e, por isso, merecem ser priorizadas nas discussões a respeito da preservação ambiental.A WWF compartilha dessa ideia e, no Ano Internacional da Biodiversidade, divulgou a lista “10 to Watch in 2010”, que aponta as 10 espécies de animais que correm maior risco de desaparecer, para sempre, do planeta e, portanto, merecem maior atenção dos representantes de mais de 190 países que participam da COP-10 – 10ª Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU, na cidade de Nagoya, no Japão, até o dia 29 de outubro.
A lista conta com espécies conhecidas – como os tigres e ursos polares – e outras nem tão famosas assim – as morsas, por exemplo –, que segundo os pesquisadores da WWF estão correndo sério risco de extinção por conta de três fatores: caça ilegal, desmatamento e mudanças climáticas.
São elas:
1. Tigre (Panthera tigris);
2. Urso Polar (Ursus maritimus);
3. Morsa (Odobenus rosmarus divergens);
4. Pingüim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus);
5. Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriaceathe);
6. Atum-azul (Thunnus thynnus);
7. Gorila-das-montanhas (Gorilla beringei beringei);
8. Borboleta-monarca (Danaus plexippus);
9. Rinoceronte de java (Rhinoceros sondaicus);
10. Panda-gigante (Ailuropoda melanoleuca).
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WWF define estratégia de alívio à pobreza nas comunidades.
Uma equipa do WWF Moçambique composta por executores de projectos ligados ao alívio da pobreza nas comunidades, está reunida desde esta quarta-feira, 20 de Outubro na cidade do Maputo, com o objectivo de avaliar os níveis da pobreza e fazer o respectivo diagnóstico, nos locais de implementação dos projectos.
A reunião, que terá a duração de três dias e que conta com a participação de alguns parceiros do WWF, deverá terminar com a elaboração duma estratégia central da forma de actuação e envolvimento dos projectos do WWF, com vista ao alívio da pobreza nas comunidades.
Mais informações acerca desta reunião serão fornecidas oportunamente.
A reunião, que terá a duração de três dias e que conta com a participação de alguns parceiros do WWF, deverá terminar com a elaboração duma estratégia central da forma de actuação e envolvimento dos projectos do WWF, com vista ao alívio da pobreza nas comunidades.
Mais informações acerca desta reunião serão fornecidas oportunamente.
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WWF-Brasil lança movimento nas redes sociais
“O que você precisa pra viver?” Com essa indagação, a organização não-governamental WWF-Brasil lançou o desafio da reflexão. Objetivando chamar atenção para a relação entre conservação da natureza e qualidade de vida da população, a organização passou um mês colhendo contribuições da população nas ruas, no Twitter, no Facebook e no You Tube.
Sem saber que se tratava de uma campanha do WWF, as principais respostas coletadas foram: amor, amigos, sol, saúde e família. Agora, com o movimento lançado, a organização responde que “Para viver você precisa que a natureza também viva” e apresenta uma lista com 10 áreas prioritárias para a criação de novas unidades de conservação na Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal.
A resposta “Para viver você precisa que a natureza também viva” sustenta sua argumentação na manutenção dos serviços ecológicos, como o equilíbrio climático e a prevenção e recuperação de desastres ambientais; no uso direto da biodiversidade, como os recursos naturais que fornecem remédios, fibras e combustíveis para a garantia do nosso bem-estar; na segurança de estoques de alimentos naturais como peixes, frutas e verduras; e no uso público, pois as áreas protegidas também podem ser fonte de lazer e aprendizado. Sem esquecer os benefícios econômicos, pois a biodiversidade é um recurso do qual dependem famílias, comunidades e gerações futuras.
A campanha de comunicação integrada foi criada pela agência Repense, e incluí ações on-line, com foco nas mídias sociais, propaganda e ações de mobilização urbana que serão implementadas nos próximos meses.
Grandes empresas também aderiram à primeira etapa do movimento, apoiando a disseminação da mensagem, como Walmart Brasil, Yazigi, Seguros Unimed, hotéis da rede Sol Meliá e indústria farmacêutica Boehringer Ingelheim.
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CABM realiza campanha Pegada Ecológica na Redenção
População é convidada a responder um questionário sobre o consumo de produtos eletrônicos, uso racional da água, etc, para a criação de um perfil que deverá nortear ações de educação ambiental
aredencao.com.br
Atividade acontece domingo em frente ao Colégio Militar
Por Jussara Pelissoli - CABM Neste domingo (24), entre 9h e 16 horas, o Comando Ambiental da Brigada Militar (CABM) estará com uma tenda no Parque da Redenção, em frente ao Colégio Militar, aplicando o questionário da Campanha Pegada Ecológica – Que legado você quer deixar.
A Campanha busca colher informações sobre o comportamento do gaúcho em relação ao meio ambiente e vem sendo realizada desde a Semana Farroupilha, quando foi lançada. O questionário enfoca questões práticas do cotidiano das pessoas com relação ao consumo de produtos eletrônicos, uso racional da água, separação do lixo, racionamento de energia, entre outros itens. Os dados serão tabulados e a partir do perfil dos entrevistados o CABM deverá elaborar ações de educação ambiental não-formal, buscando ampliar a conscientização das pessoas para o uso adequado dos recursos naturais.
A Pegada Ecológica se compõe de todo o impacto que o cidadão gera no meio ambiente e ela não é uma medida exata, mas uma estimativa para mostrar até que ponto a forma de viver da humanidade está de acordo com a capacidade que o Planeta tem de oferecer e renovar seus recursos naturais, além de absorver os resíduos gerados por longos anos.
A média diária por pessoa para garantir a sustentabilidade é de 1,8 hectares de área disponível, considerando uma população mundial de 6 bilhões de pessoas, mas desde 1999 a média de consumo por pessoa no mundo está calculada em 2,2 hectares, ou seja, cerca de 25% a mais do que o Planeta pode suportar, conforme divulgação da organização ambientalista WWF.
CABM - EcoAgência
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Atividade acontece domingo em frente ao Colégio Militar
Por Jussara Pelissoli - CABM Neste domingo (24), entre 9h e 16 horas, o Comando Ambiental da Brigada Militar (CABM) estará com uma tenda no Parque da Redenção, em frente ao Colégio Militar, aplicando o questionário da Campanha Pegada Ecológica – Que legado você quer deixar.
A Campanha busca colher informações sobre o comportamento do gaúcho em relação ao meio ambiente e vem sendo realizada desde a Semana Farroupilha, quando foi lançada. O questionário enfoca questões práticas do cotidiano das pessoas com relação ao consumo de produtos eletrônicos, uso racional da água, separação do lixo, racionamento de energia, entre outros itens. Os dados serão tabulados e a partir do perfil dos entrevistados o CABM deverá elaborar ações de educação ambiental não-formal, buscando ampliar a conscientização das pessoas para o uso adequado dos recursos naturais.
A Pegada Ecológica se compõe de todo o impacto que o cidadão gera no meio ambiente e ela não é uma medida exata, mas uma estimativa para mostrar até que ponto a forma de viver da humanidade está de acordo com a capacidade que o Planeta tem de oferecer e renovar seus recursos naturais, além de absorver os resíduos gerados por longos anos.
A média diária por pessoa para garantir a sustentabilidade é de 1,8 hectares de área disponível, considerando uma população mundial de 6 bilhões de pessoas, mas desde 1999 a média de consumo por pessoa no mundo está calculada em 2,2 hectares, ou seja, cerca de 25% a mais do que o Planeta pode suportar, conforme divulgação da organização ambientalista WWF.
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Balanço da primeira semana da COP em Nagoia: alguns avanços, muitos impasses e poucas definições.
Ligia Paes de Barros, de Nagoia
WWF-Brasil
Durante a primeira semana de negociações sobre biodiversidade na 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 10 da CDB), que acontecem em Nagoia até o dia 29 de outubro, o clima foi de muito trabalho, impasses e indefinição em relação aos resultados para a conservação da biodiversidade do planeta.
No início da semana, três temas se destacaram como fundamentais na COP 10: o Plano Estratégico, documento que define as ações de conservação que os países membros terão que implementar na próxima década, a mobilização de recursos financeiros para implementação desse plano e o protocolo de acesso e repartição de benefícios dos recursos genéticos da biodiversidade (ABS).
Hoje, sexta-feira, 22 de outubro, na véspera de uma suposta pausa nas discussões para o fim de semana (já que muitas discussões avançarão fim de semana adentro), os três temas continuam se destacando. No entanto, não tão positivamente quanto todos esperavam ou desejam.
Vale lembrar que as Conferências das Partes da CDB acontecem a cada dois anos e a COP de Nagoia - que acontece em 2010, declarado pela ONU como Ano Internacional da Biodiversidade - é uma COP especial e extremamente importante. Neste ano fizemos um balanço – infelizmente não muito positivo – do que foi alcançado em termos de conservação e uso sustentável da biodiversidade até 2010 e serão definidas as ações que países terão que implementar até 2020.
Resultados pouco ambiciosos nessa COP representam um grande risco para humanidade uma vez que a biodiversidade global está seriamente ameaçada e várias regiões ecológicas da Terra estão próximas de atingir pontos de colapso, a partir do qual nunca mais poderá se recuperar dos impactos sofridos.
Plano Estratégico
O Plano Estratégico 2011 – 2020 é o documento considerado o mais importante da Convenção sobre Diversidade Biológica. É ele que define as ações que serão tomadas na próxima década pelos países signatários da CDB para reduzir a perda de biodiversidade do planeta. Ele deve integrar os programas e decisões da Convenção, dar o tom e o nível de ambição dos próximos 10 anos e ter metas claras e verificáveis.
As discussões sobre o tema têm sido longas, cansativas, e não muito animadoras. Houve um retrocesso na negociação com a reabertura da discussão sobre alguns pontos que já haviam sido acordados entre os países.
Um ponto sensível nas negociações é a definição da missão do Plano. Alguns países defendem zerar a taxa de perda de biodiversidade até 2020, o que é considerado extremamente desejável pela Rede WWF e pelo WWF-Brasil, e outros defendem a redução dessa taxa pela metade. Para a surpresa e desapontamento da sociedade civil do país, o Brasil apoiou a segunda opção, manifestando-se a favor de um Plano Estratégico menos ambicioso.
A meta sobre o aumento da proteção em unidades de conservação de 10 para 20% dos países até 2020 tem fortes defesas, mas também tem gerado polêmica. Muitos países têm se posicionado contra esse aumento e inclusive abrindo a discussão para uma diminuição dessa meta para 6% na proteção das áreas dos oceanos.
Outro ponto crucial é a meta que aborda a questão do desmatamento ou conversão de habitats, ou seja, a transformação de áreas naturais em áreas degradadas, áreas agrícolas ou urbanas. Novamente o desejável seria acabar com a conversão de habitats e desmatamento até 2020, mas o Brasil anunciou que defende o compromisso de reduzir essa conversão pela metade até o fim da década.
“O Brasil está cooperando nas discussões sobre áreas protegidas, no entanto o posicionamento por uma missão do Plano Estratégico pouco ambiciosa e a redução apenas pela metade do desmatamento surpreenderam negativamente. Não esperávamos essa posição”, apontou Maretti.
“Isso não é nem manter os níveis dos compromissos nacionais! É fundamental um comprometimento mais forte no Brasil, sobretudo para quem sonha com o Brasil como líder do desenvolvimento sustentável, da economia verde. Esperamos que com o andar das negociações, eles mudem de ideia”, afirmou.
Repartição dos benefícios da biodiversidade
O protocolo sobre o acesso e repartição dos benefícios dos recursos genéticos da biodiversidade (ABS), vem despontando como o tema mais polêmico da conferência em Nagoia até o momento.
Na história da CDB, a repartição dos benefícios, sempre foi a questão que menos avançou em relação aos outros dois objetivos da Convenção – conservação e uso sustentável da biodiversidade. Depois de alguns anos de espera, estabeleceu-se que uma decisão sobre a questão seria tomada até esta COP, no entanto, os países ainda não atingiram consenso sobre o conteúdo do texto que servirá de base para negociações de alto nível que começam na próxima semana.
O grupo de trabalho que discute o tema está trabalhando intensivamente sem conseguir atingir um consenso. Estava prometida para hoje a entrega do documento final, no entanto, na plenária de avaliação da primeira semana, o responsável pelo grupo anunciou que os debates continuarão durante o fim de semana. Para saber alguns dos elementos de disputa entre os países, clique aqui.
O conflito de interesses tem acontecido principalmente entre países desenvolvidos, usuários dos recursos da biodiversidade, e países ricos em biodiversidade, em sua maioria em desenvolvimento, detentores desses recursos.
O principal problema desse conflito é que os países detentores da biodiversidade, como é o caso do Brasil, anunciaram que, sem a aprovação do protocolo de ABS, eles não aprovarão o Plano Estratégico com compromissos de conservação para a próxima década.
“Estamos bastante preocupados com a falta de consenso entre os países sobre o tema. A aprovação do protocolo de ABS é fundamental nessa COP. Chegou a hora dos países desenvolvidos mostrarem seu comprometimento com o sucesso desta COP e maior flexibilidade nas negociações do tema, em benefício de melhor equilíbrio e justiça”, afirmou Cláudio Maretti, superintendente de conservação do WWF-Brasil.
O chefe da delegação brasileira na Conferência, Paulino de Carvalho afirmou que a prioridade do país na COP de Nagoia é o protocolo. “Só iremos aprovar o Plano estratégico com um acordo no pacote completo: Plano, ABS e mobilização de recursos financeiros. Não estamos blefando”, afirmou Carvalho. No entanto, o ministro apontou que está otimista e que acredita que até o dia 29 de outubro, os países cheguem a um acordo.
Recursos Financeiros
As negociações também estão difíceis em relação à mobilização de recursos financeiros, embora haja avanços no estabelecimento da estrutura de um plano sobre o tema. Nesse ponto, a principal divergência acontece entre os países em desenvolvimento e os países desenvolvidos.
Os primeiros, liderados principalmente por países africanos, exigem que seja aprovada durante esta COP uma estratégia de financiamento de longo prazo que estabeleça um compromisso dos países desenvolvidos em doar recursos para ações de conservação da biodiversidade nos países em desenvolvimento.
Os países desenvolvidos estão resistindo principalmente com o argumento de que não tem mais recursos disponíveis.
Segunda semana
Na próxima semana acontecerão as negociações de alto nível entre os ministros dos países partes da Convenção sobre Diversidade Biológica. Nesse clima de indefinições e falta de consenso, as delegações das nações ainda têm muito trabalho pela frente.
“Tudo será definido na próxima semana. Esperamos bastante disposição das delegações dos países para superar as diferenças e muita vontade política para tomar decisões ambiciosas pela biodiversidade do planeta. Não podemos correr o risco de ver essa COP ser um fracasso. A vida no planeta é que pagaria por isso”, afirmou Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil.
Para James Leape, diretor-geral do WWF-Internacional, chegou o momento dos delegados dos países colocarem suas diferenças de lado. “Estamos chamando os delegados dos países a assumirem suas responsabilidades. Nossa segurança alimentar e estabilidade econômica dependem disso”, afirmou Leape.
WWF-Brasil
© Ligia Paes de Barros
Evento de encerramento da primeira semana da COP 10, em Nagoia.Durante a primeira semana de negociações sobre biodiversidade na 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 10 da CDB), que acontecem em Nagoia até o dia 29 de outubro, o clima foi de muito trabalho, impasses e indefinição em relação aos resultados para a conservação da biodiversidade do planeta.
No início da semana, três temas se destacaram como fundamentais na COP 10: o Plano Estratégico, documento que define as ações de conservação que os países membros terão que implementar na próxima década, a mobilização de recursos financeiros para implementação desse plano e o protocolo de acesso e repartição de benefícios dos recursos genéticos da biodiversidade (ABS).
Hoje, sexta-feira, 22 de outubro, na véspera de uma suposta pausa nas discussões para o fim de semana (já que muitas discussões avançarão fim de semana adentro), os três temas continuam se destacando. No entanto, não tão positivamente quanto todos esperavam ou desejam.
Vale lembrar que as Conferências das Partes da CDB acontecem a cada dois anos e a COP de Nagoia - que acontece em 2010, declarado pela ONU como Ano Internacional da Biodiversidade - é uma COP especial e extremamente importante. Neste ano fizemos um balanço – infelizmente não muito positivo – do que foi alcançado em termos de conservação e uso sustentável da biodiversidade até 2010 e serão definidas as ações que países terão que implementar até 2020.
Resultados pouco ambiciosos nessa COP representam um grande risco para humanidade uma vez que a biodiversidade global está seriamente ameaçada e várias regiões ecológicas da Terra estão próximas de atingir pontos de colapso, a partir do qual nunca mais poderá se recuperar dos impactos sofridos.
Plano Estratégico
O Plano Estratégico 2011 – 2020 é o documento considerado o mais importante da Convenção sobre Diversidade Biológica. É ele que define as ações que serão tomadas na próxima década pelos países signatários da CDB para reduzir a perda de biodiversidade do planeta. Ele deve integrar os programas e decisões da Convenção, dar o tom e o nível de ambição dos próximos 10 anos e ter metas claras e verificáveis.
As discussões sobre o tema têm sido longas, cansativas, e não muito animadoras. Houve um retrocesso na negociação com a reabertura da discussão sobre alguns pontos que já haviam sido acordados entre os países.
Um ponto sensível nas negociações é a definição da missão do Plano. Alguns países defendem zerar a taxa de perda de biodiversidade até 2020, o que é considerado extremamente desejável pela Rede WWF e pelo WWF-Brasil, e outros defendem a redução dessa taxa pela metade. Para a surpresa e desapontamento da sociedade civil do país, o Brasil apoiou a segunda opção, manifestando-se a favor de um Plano Estratégico menos ambicioso.
A meta sobre o aumento da proteção em unidades de conservação de 10 para 20% dos países até 2020 tem fortes defesas, mas também tem gerado polêmica. Muitos países têm se posicionado contra esse aumento e inclusive abrindo a discussão para uma diminuição dessa meta para 6% na proteção das áreas dos oceanos.
Outro ponto crucial é a meta que aborda a questão do desmatamento ou conversão de habitats, ou seja, a transformação de áreas naturais em áreas degradadas, áreas agrícolas ou urbanas. Novamente o desejável seria acabar com a conversão de habitats e desmatamento até 2020, mas o Brasil anunciou que defende o compromisso de reduzir essa conversão pela metade até o fim da década.
“O Brasil está cooperando nas discussões sobre áreas protegidas, no entanto o posicionamento por uma missão do Plano Estratégico pouco ambiciosa e a redução apenas pela metade do desmatamento surpreenderam negativamente. Não esperávamos essa posição”, apontou Maretti.
“Isso não é nem manter os níveis dos compromissos nacionais! É fundamental um comprometimento mais forte no Brasil, sobretudo para quem sonha com o Brasil como líder do desenvolvimento sustentável, da economia verde. Esperamos que com o andar das negociações, eles mudem de ideia”, afirmou.
Repartição dos benefícios da biodiversidade
O protocolo sobre o acesso e repartição dos benefícios dos recursos genéticos da biodiversidade (ABS), vem despontando como o tema mais polêmico da conferência em Nagoia até o momento.
Na história da CDB, a repartição dos benefícios, sempre foi a questão que menos avançou em relação aos outros dois objetivos da Convenção – conservação e uso sustentável da biodiversidade. Depois de alguns anos de espera, estabeleceu-se que uma decisão sobre a questão seria tomada até esta COP, no entanto, os países ainda não atingiram consenso sobre o conteúdo do texto que servirá de base para negociações de alto nível que começam na próxima semana.
O grupo de trabalho que discute o tema está trabalhando intensivamente sem conseguir atingir um consenso. Estava prometida para hoje a entrega do documento final, no entanto, na plenária de avaliação da primeira semana, o responsável pelo grupo anunciou que os debates continuarão durante o fim de semana. Para saber alguns dos elementos de disputa entre os países, clique aqui.
O conflito de interesses tem acontecido principalmente entre países desenvolvidos, usuários dos recursos da biodiversidade, e países ricos em biodiversidade, em sua maioria em desenvolvimento, detentores desses recursos.
O principal problema desse conflito é que os países detentores da biodiversidade, como é o caso do Brasil, anunciaram que, sem a aprovação do protocolo de ABS, eles não aprovarão o Plano Estratégico com compromissos de conservação para a próxima década.
“Estamos bastante preocupados com a falta de consenso entre os países sobre o tema. A aprovação do protocolo de ABS é fundamental nessa COP. Chegou a hora dos países desenvolvidos mostrarem seu comprometimento com o sucesso desta COP e maior flexibilidade nas negociações do tema, em benefício de melhor equilíbrio e justiça”, afirmou Cláudio Maretti, superintendente de conservação do WWF-Brasil.
O chefe da delegação brasileira na Conferência, Paulino de Carvalho afirmou que a prioridade do país na COP de Nagoia é o protocolo. “Só iremos aprovar o Plano estratégico com um acordo no pacote completo: Plano, ABS e mobilização de recursos financeiros. Não estamos blefando”, afirmou Carvalho. No entanto, o ministro apontou que está otimista e que acredita que até o dia 29 de outubro, os países cheguem a um acordo.
Recursos Financeiros
As negociações também estão difíceis em relação à mobilização de recursos financeiros, embora haja avanços no estabelecimento da estrutura de um plano sobre o tema. Nesse ponto, a principal divergência acontece entre os países em desenvolvimento e os países desenvolvidos.
Os primeiros, liderados principalmente por países africanos, exigem que seja aprovada durante esta COP uma estratégia de financiamento de longo prazo que estabeleça um compromisso dos países desenvolvidos em doar recursos para ações de conservação da biodiversidade nos países em desenvolvimento.
Os países desenvolvidos estão resistindo principalmente com o argumento de que não tem mais recursos disponíveis.
Segunda semana
Na próxima semana acontecerão as negociações de alto nível entre os ministros dos países partes da Convenção sobre Diversidade Biológica. Nesse clima de indefinições e falta de consenso, as delegações das nações ainda têm muito trabalho pela frente.
“Tudo será definido na próxima semana. Esperamos bastante disposição das delegações dos países para superar as diferenças e muita vontade política para tomar decisões ambiciosas pela biodiversidade do planeta. Não podemos correr o risco de ver essa COP ser um fracasso. A vida no planeta é que pagaria por isso”, afirmou Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil.
Para James Leape, diretor-geral do WWF-Internacional, chegou o momento dos delegados dos países colocarem suas diferenças de lado. “Estamos chamando os delegados dos países a assumirem suas responsabilidades. Nossa segurança alimentar e estabilidade econômica dependem disso”, afirmou Leape.
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Filhotes de onça de cores diferentes nascem em um zoo grego
Imagens divulgadas nesta quinta-feira mostram filhotes de onças-pintadas brincando no zoológico Attica, localizado próximo a Atenas, capital da Grécia. Os filhotes têm dois meses de vida e uma das onças é de pelagem negra.
A onça-pintada é o único membro da família das panteras a ser encontrado nas Américas. Sua pelagem é amarelo-dourada com pintas pretas na cabeça, pescoço e patas. Mas também há onças de pelagem escura. “É uma variedade da onça-pintada (Panthera onca), apenas possui uma variedade melânica”, explica Vincent Kurt, biólogo da divisão técnica e de fauna do IBAMA.
Antigamente encontrada desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina, hoje está extinta no país da América do Norte, é rara no México mas pode ser encontrada na América Latina, Brasil incluído, segundo a WWF.
Pode chegar a 135 kg. Sua mordida é considerada a de maior potência dentre os felinos do mundo. Vive em vários tipos de habitat, desde florestas como a Amazônica e Mata Atlântica, até em ambientes como o Pantanal e o cerrado.
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Tigres podem estar extintos em apenas 12 anos, adverte organização.
WWF faz campanha para dobrar número de animais até 2022.
População caiu 97% no século passado, para 3.200 indivíduos.
Os tigres podem estar extintos em 12 anos, mas um encontro na Rússia, no próximo mês, poderá reverter o declínio da população desses animais, anunciou nesta quinta-feira (21) a organização ambientalista Fundo Mundial para a Natureza (WWF).
Tigres são vítimas da caça ilegal,
da redução do hábitat e do comércio de órgãos utilizados
na medicina oriental
da redução do hábitat e do comércio de órgãos utilizados
na medicina oriental
A organização lidera uma campanha global para tentar dobrar o número de tigres até 2022, quando começará o próximo ano do tigre.
O WWF informou que no último século, a caça ilegal, a redução do hábitat e o comércio de partes de tigre utilizadas na medicina oriental fizeram o número de grandes felinos cair, em todo o mundo, 97%, diminuindo sua população para 3.200 indivíduos, atualmente.
"Apesar dos números pessimistas, a situação é mais esperançosa do que nunca", disse Jennersten, enaltecendo a iniciativa política dos 13 'estados tigres' e de diferentes entidades de se encontrar na Rússia de 21 a 24 de novembro a fim de deter uma possível extinção da espécie.
"Isto será alcançado com um maior envolvimento político, concentrado em áreas para tigres, que têm a maior chance de garantir a conservação a longo prazo dos animais, e um controle maior sobre o comércio" ligado aos felinos, afirmou.
Segundo a WWF, 1.800 tigres vivem na Índia, no Nepal, no Butão e em Bangladesh; 450, em Sumatra, 400 na Malásia, 350 estão espalhados em todo o sudeste asiático e 450 vivem, em hábitat natural, na Rússia.
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Já perdemos mais de 30% da nossa biodiversidade mundial, de acordo com a organização não governamental WWF.
Prazo para a redução da biodiversidade será renovado Foto: Bruno Tozim
A 10ª Conferência das Partes da Convenção da Organização das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP-10) teve seu início nesta segunda (18) na cidade de Nagoya, no Japão. Os 190 países participantes discutem um plano efetivo para frear a perda da biodiversidade e a destruição dos ecossistemas.
A definição de um novo prazo para redução da biodiversidade faz parte do principal debate, já que o antigo compromisso não foi alcançado em 2010. Já perdemos mais de 30% da nossa biodiversidade mundial, de acordo com a organização não governamental WWF. Nos países tropicais esse quadro é ainda mais grave, com a perda de 60% da fauna e flora originais.
Os principais temas do encontro são as metas de conservação, a regulamentação do acesso e repartição dos benefícios da biodiversidade e o financiamento de ações de conservação. O Brasil, com mais de 15% da biodiversidade do planeta, pode ser um dos países mais influentes na Conferência. O governo reconheceu que apenas duas das 15 metas nacionais de proteção da biodiversidade foram alcançadas. Porém, temos para apresentar em nosso favor, a redução do desmatamento da Amazônia e a criação de áreas de preservação no país.
A COP-10 segue até o dia 29 de outubro.
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Em vinte anos, precisaremos de um segundo planeta.
O Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês) é taxativo: devido à excessiva exploração e poluição, precisaremos de um novo planeta Terra até 2030 se mantivermos as mesmas taxas de danos à natureza. Metade de nossa população de 6,8 bilhões de pessoas, segundo a ONG internacional, vive em desacordo com os padrões sustentáveis de estilo de vida. Isso sem falar que a estimativa da organização leva em conta as estimativas de crescimento populacional feitas pela ONU, que segundo eles estão abaixo do que realmente deve acontecer.
O cálculo que os levou a fazer tal afirmação diz respeito à poluição. Daqui a 20 anos, precisaremos do dobro da capacidade atual em capacidade de capturar CO2. Sem isso, haverá um inevitável desequilíbrio nas taxas de recursos naturais do ecossistema, e (ponto para os apoiadores da teoria de aquecimento global) no clima do planeta.O cálculo ainda dá uma grande alfinetada nos norte-americanos: eles afirmam que, se o mundo todo tivesse a mesma taxa de consumo da população dos EUA, não precisaríamos apenas de mais um planeta Terra até 2030, e sim de quatro Terras e meia. O relatório indica que tivemos uma queda média de 30% na biodiversidade no mundo. Considerando apenas os trópicos, essa taxa é de 60%.
A receita para evitar que precisemos de um novo planeta (já que dificilmente teremos) já é conhecida: sustentabilidade. Investir em meios de manter o mesmo nível de qualidade de vida explorando menos os recursos naturais. Em suma, o desafio é garantir o uso destes mesmos recursos para as próximas gerações sem precisar diminuir o nosso próprio. [USA Today]
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terça-feira, 19 de outubro de 2010
Em 40 anos, o mundo perdeu 30% de sua biodiversidade. Mais de 190 países debatem no Japão soluções para frear a perda de espécies.
São Paulo - Quando percebemos o valor de todo o tipo de vida, pensamos menos no que já passou e nos concentramos mais na preservação do futuro. A afirmação é da pesquisadora Dian Fossey, encontrada assassinada em 1985 em sua cabana no centro de estudo sobre gorilas-das-montanhas que fundara em Ruanda na década de 70. Quando seu gorila favorito foi morto (e suas mãos retiradas para fazer cinzeiros), Fossey começou uma campanha contra a atividade, tornando-se alvo da ira de caçadores ilegais. Ainda hoje, o futuro do gorila-da-montanha e de muitas outras espécies animais continua incerto.
Segundo o Relatório Planeta Vivo 2010 da World Wild Fund (WWF), o mundo perdeu 30% de sua biodiversidade em 40 anos. Nas espécies tropicais essa queda foi de 60%. Em 2002, a ONU definiu metas para frear a perda de espécies. Lnge de lograr sucesso, mais de 190 países se reúnem novamente em Nagoya, no Japão, para encontrar um plano B, durante a 10ª Conferência das Partes da Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica, que vai até dia 27 de outubro. O futuro de muito seres vivos pode ser definido nos próximos dias. Entre eles, estão as 10 espécies mais ameaçadas do mundo, de acordo com a WWF. Os animais listados a seguir são apenas alguns de um vasto universo ameaçado de forma preocupante e negligente pela perda de habitats, pela caça ilegal e alterações climáticas.
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ONU inaugura encontro sobre biodiversidade no Japão.
TÓQUIO — Uma conferência das Nações Unidas sobre diversidade biológica iniciou seus trabalhos nesta segunda-feira em Nagoya (centro da Japão) para buscar soluções destinadas a prevenir a perda de espécies animais e vegetais.
A 10ª Conferência da Convenção sobre a Diversidade Biológica reúne durante 12 dias o conjunto dos países que assinaram este tratado adotado na Cúpula da Terra do Rio de 1992, a Eco-92.
“Vamos discutir sinceramente sobre o futuro da Terra para encontrar uma solução”, declarou nesta segunda-feira o ministro japonês do Meio Ambiente, Ryu Matsumoto, ao pronunciar o discurso de abertura.
Os delegados terão de reconhecer que, até o momento, fracassaram em concretizar os objetivos fixados na primeira conferência celebrada em 1992.
O ritmo de extinção das espécies é agora muito mais elevada que no passado, recordou a ONU, que atribui esse fenômeno à superexploração dos recursos, à poluição, à modificação dos hábitats e as mudanças climáticas.
Uma espécie de anfíbios em cada três, mais de um pássaro em cada oito, mais de um mamífero em cada cinco e mais de uma espécie conífera em cada quatro estão ameaçadas de extinção.
O empobrecimento também afeta os genes e os ecossistemas, uma verdadeira ameaça para muitos setores, em primeiro lugar o da alimentação.
“Chegou a hora de passar à ação e é preciso fazer isso aqui”, alertou Ahmed Djoghlaf, secretário executivo da Convenção.
“Proteger as florestas protege as espécies, mas também ajuda a absorver as emissões de dióxido de carbono que provocam as mudanças climáticas”, acrescentou Djoghlaf.
“Nossa prosperidade e nossa sobrevivência dependem de ecossistemas saudáveis”, declarou, por sua parte, Jim Leape, chefe do Fundo Mundial para a Natureza (WWF).
Os delegados vão estudar três assuntos-chave: fixar novos objetivos para frear a perda de espécies antes de 2020, encontrar um acordo internacional sobre as condições de acesso das indústrias do Norte aos recursos genéticos do países do Sul, esboçar a evolução da ajuda aos países mais pobres para proteger os recursos naturais.
A busca de um marco jurídico para repetir equitativamente os benefícios obtidos pela exploração dos recursos genéticos - essencialmente plantas, com aplicações farmacêuticas, a química e a cosmética - estará no centro dos debates.
A assinatura de um “protocolo ABS”, siglas em inglês para Access and Benefits Sharing (acesso e partilha de vantagens), cuja negociação começou em 2002, dará a pauta do fracasso ou êxito do encontro de Nagoya.
“Para nós não é aceitável ir a Nagóia oya e não conseguir um protocolo ABS”, advertiu no início de outubro a ministra brasileira do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.
De forma mais ou menos específica, vários países do hemisfério sul vincularam esta negociação à da criação de um “IPCC da biodiversidade”, que permitirá, tal como acontece na luta contra as mudanças climáticas, dispor de um instrumento de medida confiável para guiar os políticos na tomada de decisões.
Batizado de IPBES, este organismo poderá ser aprovado pela assembleia geral das Nações Unidas antes do final de sua 65ª sessão em dezembro.
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Recursos naturais diminuem em ritmo alarmante.
As últimas análises demonstram que as populações de espécies tropicais estão em queda livre e a demanda humana por recursos naturais sobe vertiginosamente e chega a 50% a mais do que o planeta pode suportar. Isto é o que revela a edição de 2010 do Relatório do Planeta Vivo, da Rede WWF, publicação que apresenta a principal pesquisa sobre a saúde do planeta.
O relatório bianual da Rede WWF, produzido em colaboração com a Sociedade Zoológica de Londres e a Global Footprint Network, utiliza o Índice do Planeta Vivo para medir a saúde de quase 8 mil populações de mais de 2.500 espécies. Esse índice mundial demonstra uma redução de 30% desde 1970. O declínio é mais acentuado nas regiões tropicais, onde se verifica uma queda de 60% em menos de 40 anos.
“É alarmante o ritmo da perda de biodiversidade que se verifica nos países de baixa renda, em sua maioria situados nos trópicos, enquanto o mundo desenvolvido vive num falso paraíso, alimentado pelo consumo excessivo e elevadas emissões de carbono”, declarou Jim Leape, diretor geral da Rede WWF.
O Relatório mostra que, em algumas áreas temperadas, houve uma recuperação promissora de populações de espécies -- graças, em parte, ao aumento dos esforços de conservação da natureza e a um melhor controle da poluição e do lixo. No entanto, nas áreas tropicais, houve uma queda de quase 70% nas populações aquáticas (água doce) que foram rastreadas – esse percentual corresponde ao maior declínio já mensurado em quaisquer espécies, em áreas terrestres ou nos oceanos.
“As espécies são a base dos ecossistemas,” afirmou Jonathan Baillie, diretor do Programa de Conservação da Sociedade Zoológica de Londres. “Ecossistemas saudáveis constituem as fundações de tudo o que nós temos – se perdemos isso, destruímos o sistema do qual depende a vida”, completou Baillie.
A Pegada Ecológica -- um dos indicadores utilizados no Relatório -- demonstra que a nossa demanda por recursos naturais duplicou desde 1966 e que utilizamos o equivalente a um planeta e meio para sustentar nossas atividades. Se continuarmos a viver além da capacidade do planeta, até 2030 precisaremos de uma capacidade produtiva equivalente a dois planetas para satisfazer os níveis anuais da nossa demanda.
"O Relatório demonstra que, se as tendências atuais de consumo forem mantidas, chegaremos a um ponto sem retorno,” acrescentou Leape. A conclusão é de que “seriam necessários quatro planetas e meio (4,5) para atender a uma população mundial num estilo de vida equiparável ao de quem vive hoje nos Emirados Árabes Unidos ou nos Estados Unidos."
O carbono é o principal culpado por levar o planeta a usar uma espécie de “cheque sem fundos” ecológico. Nossa pegada de carbono aumentou de forma assustadora e nesses últimos 50 anos multiplicou-se por onze. Isso significa que hoje o carbono é responsável por mais da metade da Pegada Ecológica mundial.
Os dez países com a maior Pegada Ecológica per capita são: Emirados Árabes Unidos, Catar, Dinamarca, Bélgica, Estados Unidos, Estônia, Canadá, Austrália, Kuwait e Irlanda. O Brasil ocupa a 56º posição neste ranking.
Os 32 países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entre os quais se incluem as mais ricas economias mundiais, são responsáveis por quase 40% da Pegada mundial. Os países do BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – têm o dobro dos habitantes dos países da OCDE e, segundo o Relatório, sua Pegada per capita atual segue na mesma trajetória da OCDE; se for mantido esse modelo de desenvolvimento, o BRIC irá ultrapassar o índice per capita da Pegada da OCDE.
"Países que mantêm um nível elevado de dependência dos recursos (naturais) colocam em risco sua própria economia”, alertou Mathis Wackernagel, presidente da Global Footprint Network. “Os países que conseguem proporcionar um nível mais elevado de qualidade de vida com a menor demanda ecológica atenderão o interesse mundial e, mais do que isso, vão se tornar os líderes de um mundo com recursos limitados”, completou Wackernagel.
O Relatório mostra novas análises que comprovam que o declínio mais agudo da biodiversidade ocorre em países de baixa renda. Em menos de 40 anos, esses países sofreram uma queda de 60% em sua biodiversidade.
A maior Pegada é a dos países de alta renda. Em média, a Pegada desses países é cinco vezes maior do que a dos países de baixa renda. Isso sugere que o consumo em nível não-sustentável das nações mais ricas está baseado, em grande parte, no esgotamento dos recursos naturais das nações mais pobres; e que, muitas vezes, essas nações mais pobres são também as mais ricas em recursos naturais e estão situadas em regiões tropicais.
O Relatório do Planeta Vivo (RPV) mostra, também, que uma grande Pegada e um elevado nível de consumo – muitas vezes mantido às custas dos outros – não se refletem num nível elevado de desenvolvimento. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Nações Unidas -- baseado na expectativa de vida, renda e nível de instrução – pode ser alto em países com uma Pegada média.
O RPV aponta as soluções necessárias para garantir que o planeta possa aguentar a população mundial que, segundo projeções, será de mais de nove bilhões de pessoas em 2050. Entre as questões críticas a serem abordadas para reduzir a Pegada incluem-se a dieta e o consumo energético, assim como maiores esforços para valorizar e investir em nosso capital natural.
“O desafio colocado pelo Relatório do Planeta Vivo é bem claro”, disse Leape. “Precisamos, de alguma maneira, encontrar uma forma de satisfazer as necessidades de uma população crescente e cada vez mais próspera e, ao mesmo tempo, nos manter dentro dos limites dos recursos deste planeta, que é um só. Precisamos, todos nós, encontrar uma maneira de fazer melhores escolhas em nosso consumo e em nossa forma de produção e uso de energia", concluiu.
Desafio do Brasil é crescer sem destruir
O Brasil possui uma alta biocapacidade, mas isso não nos coloca em uma situação confortável. As mudanças nos hábitos de consumo da população brasileira e a demanda crescente por produtos agrícolas têm pressionado os recursos naturais, aumentado a Pegada Ecológica do país. Hoje, a média de consumo da população brasileira já chega a 2,1 hectares por pessoa e a soma do consumo de todas as pessoas mostra que no Brasil já estamos consumindo mais de um planeta.
Esse modelo é insustentável e preocupante. “A redução da desigualdade com aumento do poder aquisitivo da população brasileira é uma conquista positiva. No entanto, também nos coloca frente a um grande desafio que é o de crescer sem esgotar nossos recursos naturais”, destaca a Secretária-Geral do WWF-Brasil, Denise Hamú.
As riquezas naturais são parte dos ativos necessários ao crescimento econômico que estamos presenciando, mas deve existir sempre um equilíbrio entre o que é consumido e o que a natureza pode prover. Para Hamú, esta é a principal mensagem do Relatório Planeta Vivo 2010.“O estudo é uma ferramenta importante para os tomadores de decisão estimularem uma economia de baixo carbono, uma economia verde, criando novas oportunidades de crescimento para o País e protegendo os serviços ecossistêmicos que são a base de nosso desenvolvimento econômico”, afirma.
O Relatório traz indicadores que apontam o quanto está sendo consumido - a pegada ecológica e a pegada hidrológica - e o quanto o planeta pode prover em recursos naturais renováveis - a biocapacidade. “O desafio será manter esses fatores balanceados para que possamos garantir um desenvolvimento sustentável no Planeta”, diz o coordenador do Programa Pantanal do WWF-Brasil, Michael Becker.
Segundo ele, para que haja esse equilíbrio, além de políticas de proteção de áreas importantes para as espécies, é importante valorizar produtos sustentáveis e certificados e aperfeiçoar mecanismos de monitoramento que possibilitem a redução de impactos, como o cálculo da Pegada Ecológica pelas cidades.
Versão brasileira
A versão em português do Relatório Planeta Vivo 2010 está disponível no endereço www.wwf.org.br/informacoes/bliblioteca/?26162/Relatrio-Planeta-Vivo-2010. Esta é a primeira vez que o relatório é traduzido integralmente para este idioma.
© Michel Gunther / WWF-Canon
Ecossistemas saudáveis são fundamentais para a manutenção da vida no Planeta.O relatório bianual da Rede WWF, produzido em colaboração com a Sociedade Zoológica de Londres e a Global Footprint Network, utiliza o Índice do Planeta Vivo para medir a saúde de quase 8 mil populações de mais de 2.500 espécies. Esse índice mundial demonstra uma redução de 30% desde 1970. O declínio é mais acentuado nas regiões tropicais, onde se verifica uma queda de 60% em menos de 40 anos.
“É alarmante o ritmo da perda de biodiversidade que se verifica nos países de baixa renda, em sua maioria situados nos trópicos, enquanto o mundo desenvolvido vive num falso paraíso, alimentado pelo consumo excessivo e elevadas emissões de carbono”, declarou Jim Leape, diretor geral da Rede WWF.
O Relatório mostra que, em algumas áreas temperadas, houve uma recuperação promissora de populações de espécies -- graças, em parte, ao aumento dos esforços de conservação da natureza e a um melhor controle da poluição e do lixo. No entanto, nas áreas tropicais, houve uma queda de quase 70% nas populações aquáticas (água doce) que foram rastreadas – esse percentual corresponde ao maior declínio já mensurado em quaisquer espécies, em áreas terrestres ou nos oceanos.
“As espécies são a base dos ecossistemas,” afirmou Jonathan Baillie, diretor do Programa de Conservação da Sociedade Zoológica de Londres. “Ecossistemas saudáveis constituem as fundações de tudo o que nós temos – se perdemos isso, destruímos o sistema do qual depende a vida”, completou Baillie.
A Pegada Ecológica -- um dos indicadores utilizados no Relatório -- demonstra que a nossa demanda por recursos naturais duplicou desde 1966 e que utilizamos o equivalente a um planeta e meio para sustentar nossas atividades. Se continuarmos a viver além da capacidade do planeta, até 2030 precisaremos de uma capacidade produtiva equivalente a dois planetas para satisfazer os níveis anuais da nossa demanda.
"O Relatório demonstra que, se as tendências atuais de consumo forem mantidas, chegaremos a um ponto sem retorno,” acrescentou Leape. A conclusão é de que “seriam necessários quatro planetas e meio (4,5) para atender a uma população mundial num estilo de vida equiparável ao de quem vive hoje nos Emirados Árabes Unidos ou nos Estados Unidos."
O carbono é o principal culpado por levar o planeta a usar uma espécie de “cheque sem fundos” ecológico. Nossa pegada de carbono aumentou de forma assustadora e nesses últimos 50 anos multiplicou-se por onze. Isso significa que hoje o carbono é responsável por mais da metade da Pegada Ecológica mundial.
Os dez países com a maior Pegada Ecológica per capita são: Emirados Árabes Unidos, Catar, Dinamarca, Bélgica, Estados Unidos, Estônia, Canadá, Austrália, Kuwait e Irlanda. O Brasil ocupa a 56º posição neste ranking.
Os 32 países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entre os quais se incluem as mais ricas economias mundiais, são responsáveis por quase 40% da Pegada mundial. Os países do BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – têm o dobro dos habitantes dos países da OCDE e, segundo o Relatório, sua Pegada per capita atual segue na mesma trajetória da OCDE; se for mantido esse modelo de desenvolvimento, o BRIC irá ultrapassar o índice per capita da Pegada da OCDE.
"Países que mantêm um nível elevado de dependência dos recursos (naturais) colocam em risco sua própria economia”, alertou Mathis Wackernagel, presidente da Global Footprint Network. “Os países que conseguem proporcionar um nível mais elevado de qualidade de vida com a menor demanda ecológica atenderão o interesse mundial e, mais do que isso, vão se tornar os líderes de um mundo com recursos limitados”, completou Wackernagel.
O Relatório mostra novas análises que comprovam que o declínio mais agudo da biodiversidade ocorre em países de baixa renda. Em menos de 40 anos, esses países sofreram uma queda de 60% em sua biodiversidade.
A maior Pegada é a dos países de alta renda. Em média, a Pegada desses países é cinco vezes maior do que a dos países de baixa renda. Isso sugere que o consumo em nível não-sustentável das nações mais ricas está baseado, em grande parte, no esgotamento dos recursos naturais das nações mais pobres; e que, muitas vezes, essas nações mais pobres são também as mais ricas em recursos naturais e estão situadas em regiões tropicais.
O Relatório do Planeta Vivo (RPV) mostra, também, que uma grande Pegada e um elevado nível de consumo – muitas vezes mantido às custas dos outros – não se refletem num nível elevado de desenvolvimento. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Nações Unidas -- baseado na expectativa de vida, renda e nível de instrução – pode ser alto em países com uma Pegada média.
O RPV aponta as soluções necessárias para garantir que o planeta possa aguentar a população mundial que, segundo projeções, será de mais de nove bilhões de pessoas em 2050. Entre as questões críticas a serem abordadas para reduzir a Pegada incluem-se a dieta e o consumo energético, assim como maiores esforços para valorizar e investir em nosso capital natural.
“O desafio colocado pelo Relatório do Planeta Vivo é bem claro”, disse Leape. “Precisamos, de alguma maneira, encontrar uma forma de satisfazer as necessidades de uma população crescente e cada vez mais próspera e, ao mesmo tempo, nos manter dentro dos limites dos recursos deste planeta, que é um só. Precisamos, todos nós, encontrar uma maneira de fazer melhores escolhas em nosso consumo e em nossa forma de produção e uso de energia", concluiu.
Desafio do Brasil é crescer sem destruir
O Brasil possui uma alta biocapacidade, mas isso não nos coloca em uma situação confortável. As mudanças nos hábitos de consumo da população brasileira e a demanda crescente por produtos agrícolas têm pressionado os recursos naturais, aumentado a Pegada Ecológica do país. Hoje, a média de consumo da população brasileira já chega a 2,1 hectares por pessoa e a soma do consumo de todas as pessoas mostra que no Brasil já estamos consumindo mais de um planeta.
Esse modelo é insustentável e preocupante. “A redução da desigualdade com aumento do poder aquisitivo da população brasileira é uma conquista positiva. No entanto, também nos coloca frente a um grande desafio que é o de crescer sem esgotar nossos recursos naturais”, destaca a Secretária-Geral do WWF-Brasil, Denise Hamú.
As riquezas naturais são parte dos ativos necessários ao crescimento econômico que estamos presenciando, mas deve existir sempre um equilíbrio entre o que é consumido e o que a natureza pode prover. Para Hamú, esta é a principal mensagem do Relatório Planeta Vivo 2010.“O estudo é uma ferramenta importante para os tomadores de decisão estimularem uma economia de baixo carbono, uma economia verde, criando novas oportunidades de crescimento para o País e protegendo os serviços ecossistêmicos que são a base de nosso desenvolvimento econômico”, afirma.
O Relatório traz indicadores que apontam o quanto está sendo consumido - a pegada ecológica e a pegada hidrológica - e o quanto o planeta pode prover em recursos naturais renováveis - a biocapacidade. “O desafio será manter esses fatores balanceados para que possamos garantir um desenvolvimento sustentável no Planeta”, diz o coordenador do Programa Pantanal do WWF-Brasil, Michael Becker.
Segundo ele, para que haja esse equilíbrio, além de políticas de proteção de áreas importantes para as espécies, é importante valorizar produtos sustentáveis e certificados e aperfeiçoar mecanismos de monitoramento que possibilitem a redução de impactos, como o cálculo da Pegada Ecológica pelas cidades.
Versão brasileira
A versão em português do Relatório Planeta Vivo 2010 está disponível no endereço www.wwf.org.br/informacoes/bliblioteca/?26162/Relatrio-Planeta-Vivo-2010. Esta é a primeira vez que o relatório é traduzido integralmente para este idioma.
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