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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Preservar mananciais é mais barato que solucionar problemas da degradação .


Por:Vinicius Sassine



A preservação do que resta das florestas brasileiras é decisiva para o fornecimento de água potável às médias e grandes cidades e para a geração de energia elétrica em todo o país. Os maiores municípios brasileiros são dependentes de mananciais protegidos por unidades de conservação. Além disso, essas áreas protegidas garantem 79% da água utilizada como fonte da energia gerada pelas usinas hidrelétricas, conforme um estudo divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) na 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-10), que vai até sexta-feira em Nagoya, no Japão.

A garantia de água para o consumo e como matéria-prima da geração de energia — as usinas hidrelétricas geram metade da energia consumida no país — dá a dimensão do valor econômico da biodiversidade brasileira. O Correio mostrou ontem que a preservação dos biomas é lucrativa (os ganhos vão bem além dos dividendos do agronegócio e do desmatamento). Pesquisas recentes — como o próprio estudo do MMA apresentado na COP-10 — tentam detalhar quanto vale a biodiversidade, em uma forma de legitimar economicamente a preservação e forçar os governos a desenvolverem políticas públicas de conservação.

A manutenção das áreas protegidas, fundamentais para garantir o abastecimento de água no país, depende de um investimento de quase R$ 1,7 bilhão, como concluiu o levantamento do MMA. Em 2008, os recursos previstos no Orçamento da União às unidades de conservação federais somaram R$ 316 milhões, cinco vezes menos do que o montante necessário para assegurar a preservação.

O Parque Nacional de Brasília, principal reserva de Cerrado do Distrito Federal, é exemplo de como a preservação de um patrimônio natural garante o fornecimento de água potável. Segundo um estudo da WWF, organização não governamental que analisou a importância de reservas naturais para o abastecimento das grandes cidades, 40% da água fornecida no DF sofre influência direta do parque. A reserva é tão importante para o abastecimento que as queimadas no período mais seco no DF, no mês passado, ameaçaram o parque e, consequentemente, o fornecimento de água a Brasília e às cidades vizinhas.

A água que chega às torneiras do DF é proveniente principalmente das barragens de Santa Maria e do Torto, ao lado do Parque Nacional, e da área de proteção ambiental (APA) do Rio Descoberto. Como a Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) capta água numa área de conservação, para distribuir à população, é necessário que a estatal pague uma contribuição financeira para compensar eventuais danos.

É o que prevê a lei que criou o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc). O valor dessa contribuição — e, logo, o valor econômico da reserva para o fornecimento de água — pode ser medido pela disposição da população em pagar pela preservação do parque, para que não falte água em casa. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) fez esse cálculo. Os resultados serviram de base para a cobrança da contribuição financeira paga pela Caesb.

Conforme a pesquisa, os moradores entrevistados concordaram em pagar para não enfrentar um desabastecimento decorrente de problemas ambientais. Ao todo, 407 mil habitantes dependem da água da barragem próxima ao parque. A soma das contribuições chegaria a R$ 162 mil por mês, dinheiro equivalente à contribuição financeira que a Caesb é obrigada a pagar por extrair água de uma unidade de conservação.

“O Lago Santa Maria se encontra em processo de degradação, devido principalmente às fundações clandestinas de casas e barracos”, concluem os pesquisadores do Ipea no levantamento. Quanto maior o nível de consumo da população, maior a disposição dos moradores em pagar pela conservação da água.

“No Distrito Federal, a unidade de conservação não ajuda apenas no abastecimento de água, mas também na regulação microclimática, em que se atenuam eventos extremos de seca e de inundação”, como explica o coordenador do programa Água Viva, da WWF, Samuel Barreto. Um estudo da ONG com as 105 maiores cidades no mundo, entre elas as capitais Brasília, Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), constatou a estreita dependência entre áreas protegidas e abastecimento de água potável.

Redução

Economicamente, os custos com a preservação dessas unidades de conservação são menores do que os custos com o tratamento da água ou com a busca de novas fontes de abastecimento, diante da degradação de um manancial. “Em Nova York, já se paga para manter preservadas as florestas. Fica seis vezes mais barato do que tratar a água fornecida à população”, compara Samuel Barreto. “Áreas que deveriam estar protegidas estão sendo ocupadas. Estamos perdendo serviços que a natureza oferece de graça.”

O pagamento por serviços ambientais passou a ser defendido como uma das principais formas de se garantir o aproveitamento de serviços ofertados pela natureza. O proprietário de uma área de florestas recebe um pagamento equivalente à renda que seria obtida do desmatamento e da exploração da agropecuária no local. O mecanismo é chamado de Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação de Florestas (Redd) e ganhou força na discussão sobre as mudanças climáticas, desde o ano passado.

A preservação evitaria novas emissões de CO2, garantiria uma remuneração aos produtores rurais e levaria a um aproveitamento mais eficiente de áreas já desmatadas. Faltam, porém, recursos para a consolidação do Redd, o que vem levando o governo brasileiro a buscar fundos internacionais.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Cientistas desenvolvem método de detecção e rastreamento de CO2 no subsolo.

Sistema pode impedir que dióxido de carbono e gases de efeito estufa se aglomerem na atmosfera


AP
ALBUQUERQUE - Cientistas americanos desenvolveram um método de detecção e rastreamento de dióxido de carbono no subsolo, o que pode significar uma importante ferramenta ao governo dos Estados Unidos, à medida que se buscam maneiras de impedir que o dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa se aglomerem na atmosfera.
Os cientistas, que trabalham no Departamento de Energia do Laboratório de Tecnologia Energética Nacional, usaram líquidos incolores e atóxicos, chamados de marcadores perfluorcarbonos, para recolher a 'impressão digital' do CO2 que foi injetado em um veio de carvão no noroeste do Novo México. Eles seguiram o movimento do dióxido de carbono ao rastrear os marcadores.
O uso dos marcadores ajudaria a eliminar algumas das incertezas em torno de captura e da apreensão de carbono, disse Brian Strazisar, físico do Laboratório Nacional de Tecnologia da Energia em Pittsburgh.
"Deve haver algum tipo de exigência de que o dióxido de carbono vá para onde nós esperamos, e não volte para a atmosfera ou zonas geológicas às quais não se pretendia. Os marcadores vão ajudar com isso'', afirma Strazisar.
Com cerca de um terço das emissões de carbono nos EUA provenientes de usinas de energia e outros grandes poluidores, os cientistas têm olhado para fissuras subterrâneas, cavernas e leitos de carvão como lugares onde essas emissões podem ser armazenadas para reduzir o acúmulo de gases com efeito estufa na atmosfera.
São esses gases que estão sendo responsabilizados pelo aquecimento global. A administração Obama estabeleceu uma força-tarefa para a captura de carbono e prometeu US$ 4 bilhões para pesquisas relacionadas, com o intuito de implantar amplamente essa tecnologia dentro de 10 anos.
Na bomba Canyon, perto de Aztec, no Novo México, os cientistas injetaram cerca de 18.400 toneladas de dióxido de carbono, juntamente com os marcadores, em um leito de carvão de cerca de 3.000 pés (900 metros) abaixo da superfície.
Unidades especiais foram criadas em três linhas de produção de metano da camada de carvão e nas proximidades de poços em águas rasas ao longo da área monitorada pelos marcadores e o CO2 injetado. O projeto durou cerca de um ano.
A tecnologia pode medir concentrações tão pequenas quanto partes por quatrilhão. Ela também pode dizer a diferença entre dióxido de carbono CO2 injetado e o que é produzido naturalmente.
Alguns países ocidentais começaram a desenvolver leis para regulamentar o chamado espaço poroso embaixo da terra onde o CO2 pode ser armazenado.

Por: Estadão



sexta-feira, 11 de junho de 2010

Mudança no Código Florestal pode causar estragos na proposta de redução de CO2.

Mais carbono no ar

11/06/2010 - 10:59
fonte: Greenpeace
A proposta apresentada esta semana pelo deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB/ SP) sobre as mudanças no Código Florestal brasileiro poderá causar estragos sem tamanho (se aprovada).
Segundo um cálculo conservador e preliminar, feito pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e o Greenpeace, a conta de emissões de CO2 aumentará em 31,5 bilhões, só na Amazônia. Ou sete vezes mais do que a meta de redução do governo brasileiro para 2020.

O cálculo foi feito com base em um dos artigos do novo texto, o que extingue das pequenas propriedades a Reserva Legal, área de mata nativa que, pelo atual Código Florestal, deve ser mantida em qualquer propriedade rural.
A conta é simples: se propriedades com menos de quatro módulos (na média, algo em torno de 400 hectares) forem dispensadas desta preservação, basta multiplicar a quantidade dessas terras na região (diga-se, estimado pela própria Confederação Nacional da Agricultura (CNA), para chegar ao seguinte número: o Brasil perderá cerca de 30 milhões de hectares de florestas.

No caso de fazendas maiores de quatro módulos, a área a ser computada começa descontando-se os 400 hectares. Segundo dados do CNA, existem hoje 122 mil propriedades rurais nestas condições na Amazônia.

Resultado: mais 48,8 milhões de hectares deixarão de ser preservados. O cálculo ainda supôs que todas estas propriedades estivessem no bioma Cerrado. Mesmo assim, seriam outros 17 milhões de hectares de floresta.

“Se levarmos em consideração que todo o Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima e partes do Tocantins e Maranhão são regiões de bioma Amazônia, que deveriam ter 80% de Reserva Legal preservados, o número real é muito maior”, diz Paulo Adário, coordenador da Campanha de Amazônia.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Áreas protegidas na Amazônia evitam um ano de emissões mundiais de carbono

Áreas 
protegidas na Amazônia evitam um ano de emissões
Foto: Reuters
Segundo artigo de professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), proteção de terras na Amazônia podem evitar o equivalente a um ano de emissões mundiais de carbono
Entre 2004 e 2009, o Brasil conseguiu reduzir em 75% as emissões de CO2 geradas por desmatamentos na Floresta Amazônica e um dos principais fatores nessa redução é o aumento do número de áreas protegidas nessa região do país.
É o que mostra o artigo “O papel das áreas protegidas da Amazônia Brasileira nas mitigações de mudanças climáticas” (“Role of Brazilian Amazon protected areas in climate change mitigation“), escrito pelo professor Britaldo Soares Filho, do Centro de Sensoriamento Remoto do Instituto de Geociências (IGC) da UFMG, em parceria com pesquisadores brasileiros e norte-americanos.

O artigo, recentemente publicado na “Pnas”, um dos periódicos científicos mais relevantes dos Estados Unidos, afirma que a expansão das áreas protegidas na década passada contribuiu com 37% da redução total de CO2 na Amazônia brasileira.
Entre os outros fatores relevantes estão a desaceleração da atividade agrícola e aumento da fiscalização do Governo Federal. “Esses dados demonstram que as áreas protegidas são peças fundamentais para frear o avanço do desmatamento, formando uma espécie de ‘barreira verde’”, constata Britaldo Soares.
Segundo o pesquisador, se forem consideradas todas as categorias de áreas de proteção, inclusive reservas indígenas e áreas militares, elas equivalem a 46% do bioma da Amazônia no Brasil e 54% da floresta remanescente (aproximadamente 1,9 milhão de km²). De todo esse território, 709 mil km² foram transformados em áreas protegidas apenas no período entre 2002 e 2009. “Isso mostra que a redução no desmatamento, e, consequentemente, na emissão de CO2, tem relação direta com o crescimento das áreas protegidas”, conclui Britaldo Soares.
A partir desses dados, a equipe de pesquisadores responsável pelo artigo simulou vários cenários que ampliavam o número de áreas protegidas no país. “Concluímos que, se todas as áreas protegidas forem completamente instauradas, elas podem reduzir em 8 gigatons a emissão de carbono da floresta até 2050. Isso equivale a toda emissão de carbono de mundo em um ano, considerando apenas as fontes de emissão antropogênicas”, afirma o professor.
Desafios
Para Britaldo Soares, é importante ressaltar que não basta apenas “criar” as áreas protegidas: é preciso também consolidar e manter essas áreas, se não elas podem se tornar reservas futuras de desmatamento. “Isso se torna ainda mais difícil para um país em desenvolvimento como o Brasil, que precisa fazer grandes investimentos em outras áreas sociais”, afirma.
Além dos custos de manutenção, é preciso considerar também que as áreas protegidas podem trazer um impacto negativo para a economia do país, já que elas evitam que parte do território da floresta seja utilizado para a pecuária e a agricultura. Porém, é possível realizar atividades econômicas nessas áreas. As biossustentáveis, por exemplo, podem realizar atividades extrativistas, como a coleta de castanhas do Brasil, e as florestas nacionais podem se tornar concessões de madeira para exploração de baixo impacto.
O governo federal criou ainda uma alternativa para arrecadar recursos para a preservação da floresta: o Fundo da Amazônia, que recebe investimentos voluntários de outros países para serem aplicados em projetos que ajudem na redução das emissões de CO2.
“Essas políticas são importantes porque somente as áreas protegidas não são suficientes para preservar a Amazônia”, revela Britaldo Soares. “É preciso criar ainda políticas que forneçam estímulos econômicos para a conservação da floresta dentro das propriedades privadas também.”
Divulgação Científica da Assessoria de Imprensa Cedecom/UFMG, publicada pelo EcoDebate, 02/06/2010
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Por:EcoDebate

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A florestação do planeta não serve apenas para reduzir a pegada de carbono.

O aquecimento global e a mudança no clima são temas que se encontram permanentemente em foco na actualidade. Mas o debate sobre o ambiente vai muito para além da emissão de gases com efeito de estufa. Inclui a gestão dos recursos naturais e do lixo,

O aquecimento global e a mudança no clima são temas que se encontram permanentemente em foco na actualidade. Mas o debate sobre o ambiente vai muito para além da emissão de gases com efeito de estufa. Inclui a gestão dos recursos naturais e do lixo, a erosão, a poluição do ar, a sustentabilidade.

A crescente preocupação com os riscos associados ao uso dos combustíveis fósseis está a conduzir a energia renovável cada vez mais à ribalta. É, por isso, que muitos governos e organizações estão a promover o uso das energias renováveis de várias formas, como acontece com o nosso país com a energia eólica.

Entraves ao renovável
O interesse das empresas em mudar para a energia renovável tem uma série de entraves. O primeiro deles é o custo. O segundo é a falta de uma vontade política concertada, no âmbito das Nações Unidas, que transmita um sinal claro de mudança do paradigma energético.

A falta de acordo da Cimeira de Copenhaga constituiu, por exemplo, um entrave para a vontade de União Europeia, de elevar a sua meta de redução de emissão de CO2 para não perder competitividade em relação a outras economias.

Actualmente a energia renovável é mais cara de produzir do que a dos combustíveis fósseis. Só que o crescimento do preço destes devido, não tanto pela sua escassez, mas mais pelos custos crescentes da sua exploração, pode contribuir para inverter essa relação.

Mas a descarbonização global da economia mundial não é esperada no curto prazo, até porque o valor previsto para que isso aconteça é superior a 7,4 mil milhões de euros, e implica a necessidade do envolvimento de todos. A acrescentar a isto, e apesar dos avanços tecnológicos, a energia renovável ainda é considerada menos fiável e previsível do que a dos combustíveis fósseis.

O movimento do sol, água e vento está sujeito a flutuações frequentes, e o armazenamento da energia gerada é um desafio mais difícil de enfrentar do que o de armazenar petróleo ou carvão. E nenhuma empresa quer defrontar-se com a perspectiva de ser desligada durante horas ou mesmo dias, porque o sol não se mostrou o suficiente ou a intensidade do vento é baixa.

Finalmente há a questão da acessibilidade. Nalguns países, como a Escócia, os fornecedores oferecem aos seus clientes a oportunidade de dispor de parte ou de toda a energia que precisam a partir de fontes de energia renovável. Mas esta opção não existe em economias em desenvolvimento com grande dependência dos combustíveis fósseis. É evidente que as empresas podem optar por construir as suas próprias centrais de energia renovável no local, mas essa mudança é dispendiosa e arriscada. A tecnologia actual permite elevar a proporção de energia renovável necessária para suprir as necessidades mundiais para valores muito mais altos. Mas concretizar este potencial depende tanto da tecnologia como da política.

Eficiência energética
Isto não acaba aqui. O contributo da humanidade para um melhor planeta também passa pelo uso mais eficiente da energia, algo que começa em casa de cada um, com pequenos gestos como o apagar das luzes ou da chama do esquentador quando não são necessários. E vai até ao uso mais racional dos recursos por parte das empresas e instituições, onde se tem sentido avanços no sentido da reciclagem ou do uso mais racional do papel, entre outras coisas.

A florestação do planeta contribui para a diminuição da denominada pegada de carbono, mas também é essencial para diminuir a erosão e todos os seus efeitos nefastos. É, pois, preciso fazer um uso mais racional da produção florestal e agrícola, para melhorar o coberto vegetal e explorar os solos de forma mais sustentada, numa visão integrada do uso dos recursos, para além da necessidade imediata de maximização dos lucros.

Tudo isto tem a ver com equilíbrio, com a capacidade da Terra ser, ou não, um bom lugar para viver no futuro. Queremos pensar no nosso bem estar de hoje, ou queremos um planeta melhor para os nossos descendentes? Eu prefiro a opção de longo prazo.