NAGOYA, Japão — A ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, disse nesta terça-feira em uma conferência da ONU que a preservação da biodiversidade depende da negociação de um acordo para acabar com a biopirataria nos países em desenvolvimento.
Para Teixeira, garantir um acordo vinculante que acabe com a "biopirataria" é indispensável para que se alcance um pacto mais amplo nas negociações, que acontecem esta semana na cidade japonesa de Nagoya.
Precisamos de um acordo para um protocolo ABS", disse a ministra à AFP, referindo-se ao Acordo de Acesso e Compartilhamento de Lucros (ABS, na sigla em inglês).
"É muito importante que consigamos ainda este ano. Para nós, é inaceitável que ainda não tenhamos uma legislação formal" (para o ABS).
Delegados de mais de 190 países participam na conferência de Nagoya, cuja função é discutir o 'modus vivendi' da raça humana, a destruição da natureza e quem está liderando a corrida da extinção.
Um rascunho do texto proposto lista 20 metas a serem alcançadas nos próximos 10 anos, como a proteção de florestas e mares, a redução dos níveis de poluição e recuperar ecossistemas degradados.
O Brasil, no entanto, insistiu que nenhum objetivo será estabelecido até que os países ricos assinem um acordo BDS.
Por quase duas décadas, os países ricos resistiram à consolidação de um pacto como este.
"É preciso entender a necessidade de compartilhar os lucros", disse a ministra à AFP em Nagoya.
"Para haver um acordo sobre a biodiversidade, é importante proteger, é importante ter um uso sustentável, mas também é importante dividir os lucros", indicou.
Questionada sobre a possibilidade de que as negociações terminem em fracasso na sexta-feira, Teixeira disse que "sempre há um risco".
Ela disse, no entanto, que é otimista.
"Acho que conseguiremos alcançar um acordo", afirmou.
"Sou uma otimista, então... espero que sim. Trabalhei duro para isso".
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quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Brasil quer o fim da biopirataria para preservar biodiversidade
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Preservar mananciais é mais barato que solucionar problemas da degradação .
Por:Vinicius Sassine
A preservação do que resta das florestas brasileiras é decisiva para o fornecimento de água potável às médias e grandes cidades e para a geração de energia elétrica em todo o país. Os maiores municípios brasileiros são dependentes de mananciais protegidos por unidades de conservação. Além disso, essas áreas protegidas garantem 79% da água utilizada como fonte da energia gerada pelas usinas hidrelétricas, conforme um estudo divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) na 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-10), que vai até sexta-feira em Nagoya, no Japão.
A garantia de água para o consumo e como matéria-prima da geração de energia — as usinas hidrelétricas geram metade da energia consumida no país — dá a dimensão do valor econômico da biodiversidade brasileira. O Correio mostrou ontem que a preservação dos biomas é lucrativa (os ganhos vão bem além dos dividendos do agronegócio e do desmatamento). Pesquisas recentes — como o próprio estudo do MMA apresentado na COP-10 — tentam detalhar quanto vale a biodiversidade, em uma forma de legitimar economicamente a preservação e forçar os governos a desenvolverem políticas públicas de conservação.
A manutenção das áreas protegidas, fundamentais para garantir o abastecimento de água no país, depende de um investimento de quase R$ 1,7 bilhão, como concluiu o levantamento do MMA. Em 2008, os recursos previstos no Orçamento da União às unidades de conservação federais somaram R$ 316 milhões, cinco vezes menos do que o montante necessário para assegurar a preservação.
O Parque Nacional de Brasília, principal reserva de Cerrado do Distrito Federal, é exemplo de como a preservação de um patrimônio natural garante o fornecimento de água potável. Segundo um estudo da WWF, organização não governamental que analisou a importância de reservas naturais para o abastecimento das grandes cidades, 40% da água fornecida no DF sofre influência direta do parque. A reserva é tão importante para o abastecimento que as queimadas no período mais seco no DF, no mês passado, ameaçaram o parque e, consequentemente, o fornecimento de água a Brasília e às cidades vizinhas.
A água que chega às torneiras do DF é proveniente principalmente das barragens de Santa Maria e do Torto, ao lado do Parque Nacional, e da área de proteção ambiental (APA) do Rio Descoberto. Como a Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) capta água numa área de conservação, para distribuir à população, é necessário que a estatal pague uma contribuição financeira para compensar eventuais danos.
É o que prevê a lei que criou o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc). O valor dessa contribuição — e, logo, o valor econômico da reserva para o fornecimento de água — pode ser medido pela disposição da população em pagar pela preservação do parque, para que não falte água em casa. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) fez esse cálculo. Os resultados serviram de base para a cobrança da contribuição financeira paga pela Caesb.
Conforme a pesquisa, os moradores entrevistados concordaram em pagar para não enfrentar um desabastecimento decorrente de problemas ambientais. Ao todo, 407 mil habitantes dependem da água da barragem próxima ao parque. A soma das contribuições chegaria a R$ 162 mil por mês, dinheiro equivalente à contribuição financeira que a Caesb é obrigada a pagar por extrair água de uma unidade de conservação.
“O Lago Santa Maria se encontra em processo de degradação, devido principalmente às fundações clandestinas de casas e barracos”, concluem os pesquisadores do Ipea no levantamento. Quanto maior o nível de consumo da população, maior a disposição dos moradores em pagar pela conservação da água.
“No Distrito Federal, a unidade de conservação não ajuda apenas no abastecimento de água, mas também na regulação microclimática, em que se atenuam eventos extremos de seca e de inundação”, como explica o coordenador do programa Água Viva, da WWF, Samuel Barreto. Um estudo da ONG com as 105 maiores cidades no mundo, entre elas as capitais Brasília, Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), constatou a estreita dependência entre áreas protegidas e abastecimento de água potável.
Redução
Economicamente, os custos com a preservação dessas unidades de conservação são menores do que os custos com o tratamento da água ou com a busca de novas fontes de abastecimento, diante da degradação de um manancial. “Em Nova York, já se paga para manter preservadas as florestas. Fica seis vezes mais barato do que tratar a água fornecida à população”, compara Samuel Barreto. “Áreas que deveriam estar protegidas estão sendo ocupadas. Estamos perdendo serviços que a natureza oferece de graça.”
O pagamento por serviços ambientais passou a ser defendido como uma das principais formas de se garantir o aproveitamento de serviços ofertados pela natureza. O proprietário de uma área de florestas recebe um pagamento equivalente à renda que seria obtida do desmatamento e da exploração da agropecuária no local. O mecanismo é chamado de Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação de Florestas (Redd) e ganhou força na discussão sobre as mudanças climáticas, desde o ano passado.
A preservação evitaria novas emissões de CO2, garantiria uma remuneração aos produtores rurais e levaria a um aproveitamento mais eficiente de áreas já desmatadas. Faltam, porém, recursos para a consolidação do Redd, o que vem levando o governo brasileiro a buscar fundos internacionais.
A garantia de água para o consumo e como matéria-prima da geração de energia — as usinas hidrelétricas geram metade da energia consumida no país — dá a dimensão do valor econômico da biodiversidade brasileira. O Correio mostrou ontem que a preservação dos biomas é lucrativa (os ganhos vão bem além dos dividendos do agronegócio e do desmatamento). Pesquisas recentes — como o próprio estudo do MMA apresentado na COP-10 — tentam detalhar quanto vale a biodiversidade, em uma forma de legitimar economicamente a preservação e forçar os governos a desenvolverem políticas públicas de conservação.
A manutenção das áreas protegidas, fundamentais para garantir o abastecimento de água no país, depende de um investimento de quase R$ 1,7 bilhão, como concluiu o levantamento do MMA. Em 2008, os recursos previstos no Orçamento da União às unidades de conservação federais somaram R$ 316 milhões, cinco vezes menos do que o montante necessário para assegurar a preservação.
O Parque Nacional de Brasília, principal reserva de Cerrado do Distrito Federal, é exemplo de como a preservação de um patrimônio natural garante o fornecimento de água potável. Segundo um estudo da WWF, organização não governamental que analisou a importância de reservas naturais para o abastecimento das grandes cidades, 40% da água fornecida no DF sofre influência direta do parque. A reserva é tão importante para o abastecimento que as queimadas no período mais seco no DF, no mês passado, ameaçaram o parque e, consequentemente, o fornecimento de água a Brasília e às cidades vizinhas.
A água que chega às torneiras do DF é proveniente principalmente das barragens de Santa Maria e do Torto, ao lado do Parque Nacional, e da área de proteção ambiental (APA) do Rio Descoberto. Como a Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) capta água numa área de conservação, para distribuir à população, é necessário que a estatal pague uma contribuição financeira para compensar eventuais danos.
É o que prevê a lei que criou o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc). O valor dessa contribuição — e, logo, o valor econômico da reserva para o fornecimento de água — pode ser medido pela disposição da população em pagar pela preservação do parque, para que não falte água em casa. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) fez esse cálculo. Os resultados serviram de base para a cobrança da contribuição financeira paga pela Caesb.
Conforme a pesquisa, os moradores entrevistados concordaram em pagar para não enfrentar um desabastecimento decorrente de problemas ambientais. Ao todo, 407 mil habitantes dependem da água da barragem próxima ao parque. A soma das contribuições chegaria a R$ 162 mil por mês, dinheiro equivalente à contribuição financeira que a Caesb é obrigada a pagar por extrair água de uma unidade de conservação.
“O Lago Santa Maria se encontra em processo de degradação, devido principalmente às fundações clandestinas de casas e barracos”, concluem os pesquisadores do Ipea no levantamento. Quanto maior o nível de consumo da população, maior a disposição dos moradores em pagar pela conservação da água.
“No Distrito Federal, a unidade de conservação não ajuda apenas no abastecimento de água, mas também na regulação microclimática, em que se atenuam eventos extremos de seca e de inundação”, como explica o coordenador do programa Água Viva, da WWF, Samuel Barreto. Um estudo da ONG com as 105 maiores cidades no mundo, entre elas as capitais Brasília, Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), constatou a estreita dependência entre áreas protegidas e abastecimento de água potável.
Redução
Economicamente, os custos com a preservação dessas unidades de conservação são menores do que os custos com o tratamento da água ou com a busca de novas fontes de abastecimento, diante da degradação de um manancial. “Em Nova York, já se paga para manter preservadas as florestas. Fica seis vezes mais barato do que tratar a água fornecida à população”, compara Samuel Barreto. “Áreas que deveriam estar protegidas estão sendo ocupadas. Estamos perdendo serviços que a natureza oferece de graça.”
O pagamento por serviços ambientais passou a ser defendido como uma das principais formas de se garantir o aproveitamento de serviços ofertados pela natureza. O proprietário de uma área de florestas recebe um pagamento equivalente à renda que seria obtida do desmatamento e da exploração da agropecuária no local. O mecanismo é chamado de Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação de Florestas (Redd) e ganhou força na discussão sobre as mudanças climáticas, desde o ano passado.
A preservação evitaria novas emissões de CO2, garantiria uma remuneração aos produtores rurais e levaria a um aproveitamento mais eficiente de áreas já desmatadas. Faltam, porém, recursos para a consolidação do Redd, o que vem levando o governo brasileiro a buscar fundos internacionais.
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MMA apresenta dados de conservação na COP-10
Por: Só Notícias
Autor: Assessoria
Os resultados do programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), considerado a experiência que mais contribuiu para a criação de áreas protegidas em todo o planeta nos últimos oito anos, foram apresentados nesta terça-feira (26), em Nagoya, durante a COP-10, pelo Ministério do Meio Ambiente.
A principal conclusão do estudo preliminar apresentado pelo MMA, que será lançado em sua versão integral em dezembro, indica que a criação de áreas protegidas tem impacto direto e positivo não somente na conservação da biodiversidade, mas também nas economias locais e regionais.
Criado em 2003 com o objetivo de garantir a proteção da biodiversidade da Amazônia a longo prazo, o Arpa tornou-se o maior programa de proteção de florestas tropicais do mundo.
Em sua primeira fase, finalizada em 2009, o programa contribuiu para a criação de 44 unidades de conservação na região amazônica brasileira, além da implementação de outras 62 áreas protegidas.
Também foi instituído nesta etapa um Fundo para Áreas Protegidas, que contabilizou US$ 25 milhões. Parte deste recurso será direcionada à populações e comunidades tradicionais da região.
As novas áreas criadas totalizam 24 milhões de hectares. Com isso, o País criou três quartos das áreas de conservação em todo mundo nos últimos oito anos. O estabelecimento dessas áreas protegidas contribuiu, ainda, para uma redução expressiva na emissão de gases de efeito estufa, e há a perspectiva de que as ações do Arpa previstas para até 2050 possam significar uma redução de emissões de 70% de tudo o que foi estabelecido pelo Protocolo de Kyoto.
Prêmio - O reconhecimento da importância do programa na conservação da Amazônia brasileira fez com que a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, recebesse um prêmio da instituição WWF Internacional, no dia 19 de outubro, nos Estados Unidos. A instituição participa do projeto Arpa desde a sua primeira fase, em parceria com a agência de cooperação técnica alemã GTZ e o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, em inglês).
Novas metas - Na segunda e terceira fases do programa, previstas para os próximos sete anos, existe a meta de criação de outros 20 milhões de hectares na região, sendo que metade será de unidades de conservação de proteção integral. Os outros 10 milhões, de hectares de uso sustentável.
Os recursos para as novas etapas do programa são provenientes de organismos internacionais e do governo brasileiro: US$ 16 milhões do GEF; US$ 60 milhões provenientes do governo alemão, por meio do Banco Alemão (KFW); US$ 15 milhões do WWF Internacional (Fundo Mundial para a Natureza), e US$ 40 milhões do Fundo Amazônia. A contrapartida do governo brasileiro é de aproximadamente US$ 25 milhões.
Assim que atingir a nova meta, o Brasil será responsável pela criação de 60 milhões de hectares de florestas protegidas na Amazônia, até 2017, o que abrange a consolidação de áreas já protegidas e a criação e consolidação de novas unidades de conservação.
Desta forma, os resultados do Arpa contribuirão para atingir as metas brasileiras assumidas nas negociações internacionais sobre mudanças climáticas e na Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).
Proteção - Para o diretor do Departamento de Áreas Protegidas do MMA, Fábio França, os maiores benefícios das áreas protegidas para a economia se concentram principalmente em cinco itens: turismo, produtos florestais, água, transferência fiscal e carbono. Dos 67 parques nacionais, apenas 18 podem receber visitantes atualmente, em decorrência da falta de investimento na infraestrutura e na contratação de funcionários para atuar nessas áreas de conservação. Mesmo com o baixo índice, a visitas promovem um impacto na economia estimado entre US$ 213 milhões e 284 milhões de dólares por ano.
Amazônia Viva - De acordo com o relatório “Amazônia Viva”, apresentado nesta terça-feira na COP-10 pela World Wildlife Fund (WWF), uma nova espécie é descoberta a cada três dias, em média, na região. Entre 1999 e 2009 foram descobertas cerca de 1,2 mil novas espécies. As recentes descobertas na floresta amazônica, que abrange vários países da América do Sul, abrangem 637 plantas, 257 peixes, 216 anfíbios, 55 répteis, 16 pássaros e 39 mamíferos.
O estudo da WWF comprova que grande parte da biodiversidade amazônica é ainda desconhecida pelos cientistas, e que nos últimos 50 anos a pressão antrópica sobre a região ocasionou a perda de 17% da área de floresta tropical, uma área duas vezes maior que o tamanho da Espanha.
Entre as raras espécies encontradas destacam-se a formiga marciana, o papagaio-de-cabeça-laranja, a rã-camaleônica, e um pequeno peixe que vive em águas subterrâneas (Phreatobius dracunculus).
A WWF indica o avanço na criação de áreas protegidas, parques naturais e reservas que permitam a conservação do meio ambiente.
Autor: Assessoria
Os resultados do programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), considerado a experiência que mais contribuiu para a criação de áreas protegidas em todo o planeta nos últimos oito anos, foram apresentados nesta terça-feira (26), em Nagoya, durante a COP-10, pelo Ministério do Meio Ambiente.
A principal conclusão do estudo preliminar apresentado pelo MMA, que será lançado em sua versão integral em dezembro, indica que a criação de áreas protegidas tem impacto direto e positivo não somente na conservação da biodiversidade, mas também nas economias locais e regionais.
Criado em 2003 com o objetivo de garantir a proteção da biodiversidade da Amazônia a longo prazo, o Arpa tornou-se o maior programa de proteção de florestas tropicais do mundo.
Em sua primeira fase, finalizada em 2009, o programa contribuiu para a criação de 44 unidades de conservação na região amazônica brasileira, além da implementação de outras 62 áreas protegidas.
Também foi instituído nesta etapa um Fundo para Áreas Protegidas, que contabilizou US$ 25 milhões. Parte deste recurso será direcionada à populações e comunidades tradicionais da região.
As novas áreas criadas totalizam 24 milhões de hectares. Com isso, o País criou três quartos das áreas de conservação em todo mundo nos últimos oito anos. O estabelecimento dessas áreas protegidas contribuiu, ainda, para uma redução expressiva na emissão de gases de efeito estufa, e há a perspectiva de que as ações do Arpa previstas para até 2050 possam significar uma redução de emissões de 70% de tudo o que foi estabelecido pelo Protocolo de Kyoto.
Prêmio - O reconhecimento da importância do programa na conservação da Amazônia brasileira fez com que a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, recebesse um prêmio da instituição WWF Internacional, no dia 19 de outubro, nos Estados Unidos. A instituição participa do projeto Arpa desde a sua primeira fase, em parceria com a agência de cooperação técnica alemã GTZ e o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, em inglês).
Novas metas - Na segunda e terceira fases do programa, previstas para os próximos sete anos, existe a meta de criação de outros 20 milhões de hectares na região, sendo que metade será de unidades de conservação de proteção integral. Os outros 10 milhões, de hectares de uso sustentável.
Os recursos para as novas etapas do programa são provenientes de organismos internacionais e do governo brasileiro: US$ 16 milhões do GEF; US$ 60 milhões provenientes do governo alemão, por meio do Banco Alemão (KFW); US$ 15 milhões do WWF Internacional (Fundo Mundial para a Natureza), e US$ 40 milhões do Fundo Amazônia. A contrapartida do governo brasileiro é de aproximadamente US$ 25 milhões.
Assim que atingir a nova meta, o Brasil será responsável pela criação de 60 milhões de hectares de florestas protegidas na Amazônia, até 2017, o que abrange a consolidação de áreas já protegidas e a criação e consolidação de novas unidades de conservação.
Desta forma, os resultados do Arpa contribuirão para atingir as metas brasileiras assumidas nas negociações internacionais sobre mudanças climáticas e na Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).
Proteção - Para o diretor do Departamento de Áreas Protegidas do MMA, Fábio França, os maiores benefícios das áreas protegidas para a economia se concentram principalmente em cinco itens: turismo, produtos florestais, água, transferência fiscal e carbono. Dos 67 parques nacionais, apenas 18 podem receber visitantes atualmente, em decorrência da falta de investimento na infraestrutura e na contratação de funcionários para atuar nessas áreas de conservação. Mesmo com o baixo índice, a visitas promovem um impacto na economia estimado entre US$ 213 milhões e 284 milhões de dólares por ano.
Amazônia Viva - De acordo com o relatório “Amazônia Viva”, apresentado nesta terça-feira na COP-10 pela World Wildlife Fund (WWF), uma nova espécie é descoberta a cada três dias, em média, na região. Entre 1999 e 2009 foram descobertas cerca de 1,2 mil novas espécies. As recentes descobertas na floresta amazônica, que abrange vários países da América do Sul, abrangem 637 plantas, 257 peixes, 216 anfíbios, 55 répteis, 16 pássaros e 39 mamíferos.
O estudo da WWF comprova que grande parte da biodiversidade amazônica é ainda desconhecida pelos cientistas, e que nos últimos 50 anos a pressão antrópica sobre a região ocasionou a perda de 17% da área de floresta tropical, uma área duas vezes maior que o tamanho da Espanha.
Entre as raras espécies encontradas destacam-se a formiga marciana, o papagaio-de-cabeça-laranja, a rã-camaleônica, e um pequeno peixe que vive em águas subterrâneas (Phreatobius dracunculus).
A WWF indica o avanço na criação de áreas protegidas, parques naturais e reservas que permitam a conservação do meio ambiente.
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terça-feira, 26 de outubro de 2010
Desenvolvimento versus biodiversidade
COP 10 destaca a economia dos ecossistemas
Durante plenária que debateu o TEEB, Pavan Sukhdev, líder do estudo, falou sobre a necessidade de os líderes mundiais assumirem responsabilidade pela perda da biodiversidade e incluírem os valores econômicos da biodiversidade na formulação de políticas públicas em seus países e em suas contas.
Para Sukhdev, contabilizar os gastos gerados pela degradação do meio ambiente é importante porque a destruição atingiu níveis muito altos e tendem a subir ainda mais. Ele acredita que os custos sociais e econômicos consequentes da degradação ambiental serão ainda mais sérios se nada for feito de fato.
Cláudio Maretti, superintendente de conservação do WWF-Brasil, concorda com Sukhdev. Para ele, considerar o valor da biodiversidade na formulação de políticas públicas, a inclusão desse valor na contabilidade pública, nas contas nacionais e nos cálculos dos planos de desenvolvimento é fundamental para a conservação.
Maretti explica que os governantes precisam, antes de investir em uma obra de infraestrutura como uma estrada, por exemplo, estudar o que a degradação da área para a construção da estrada irá representar futuramente em termos econômicos para o país. Ou seja, devem-se levar em conta os serviços que a biodiversidade deixará de fornecer à região, quais serão os impactos dessa obra e quais serão os custos para lidar com tais impactos. “É uma questão de valorizar a biodiversidade pelos benefícios diretos que nos gera”, completa Moretti.
Porém, alguns países já demonstram preocupação com o assunto. A Índia, por exemplo, foi o primeiro país a anunciar que irá seguir as recomendações do TEEB. A Noruega manifestou o mesmo interesse e, segundo Bráulio Dias, secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, o Brasil também pretende implantar o estudo no país. “Como um dos países com maior biodiversidade do mundo e que enfrenta grandes ameaças, o governo do Brasil e o setor privado estão levando as recomendações do estudo a sério. Em nível nacional estamos discutindo a aplicação do estudo TEBB do nosso capital natural”, explica Dias.
Para Dias, o Brasil possui grande potencial para liderar uma nova economia e aderir à uma economia verde no país. “Para isso, é preciso que todos os setores da sociedade estejam engajados em incorporar os valores da nossa biodiversidade em suas contabilidades”, conclui.
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sábado, 23 de outubro de 2010
Balanço da primeira semana da COP em Nagoia: alguns avanços, muitos impasses e poucas definições.
Ligia Paes de Barros, de Nagoia
WWF-Brasil
Durante a primeira semana de negociações sobre biodiversidade na 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 10 da CDB), que acontecem em Nagoia até o dia 29 de outubro, o clima foi de muito trabalho, impasses e indefinição em relação aos resultados para a conservação da biodiversidade do planeta.
No início da semana, três temas se destacaram como fundamentais na COP 10: o Plano Estratégico, documento que define as ações de conservação que os países membros terão que implementar na próxima década, a mobilização de recursos financeiros para implementação desse plano e o protocolo de acesso e repartição de benefícios dos recursos genéticos da biodiversidade (ABS).
Hoje, sexta-feira, 22 de outubro, na véspera de uma suposta pausa nas discussões para o fim de semana (já que muitas discussões avançarão fim de semana adentro), os três temas continuam se destacando. No entanto, não tão positivamente quanto todos esperavam ou desejam.
Vale lembrar que as Conferências das Partes da CDB acontecem a cada dois anos e a COP de Nagoia - que acontece em 2010, declarado pela ONU como Ano Internacional da Biodiversidade - é uma COP especial e extremamente importante. Neste ano fizemos um balanço – infelizmente não muito positivo – do que foi alcançado em termos de conservação e uso sustentável da biodiversidade até 2010 e serão definidas as ações que países terão que implementar até 2020.
Resultados pouco ambiciosos nessa COP representam um grande risco para humanidade uma vez que a biodiversidade global está seriamente ameaçada e várias regiões ecológicas da Terra estão próximas de atingir pontos de colapso, a partir do qual nunca mais poderá se recuperar dos impactos sofridos.
Plano Estratégico
O Plano Estratégico 2011 – 2020 é o documento considerado o mais importante da Convenção sobre Diversidade Biológica. É ele que define as ações que serão tomadas na próxima década pelos países signatários da CDB para reduzir a perda de biodiversidade do planeta. Ele deve integrar os programas e decisões da Convenção, dar o tom e o nível de ambição dos próximos 10 anos e ter metas claras e verificáveis.
As discussões sobre o tema têm sido longas, cansativas, e não muito animadoras. Houve um retrocesso na negociação com a reabertura da discussão sobre alguns pontos que já haviam sido acordados entre os países.
Um ponto sensível nas negociações é a definição da missão do Plano. Alguns países defendem zerar a taxa de perda de biodiversidade até 2020, o que é considerado extremamente desejável pela Rede WWF e pelo WWF-Brasil, e outros defendem a redução dessa taxa pela metade. Para a surpresa e desapontamento da sociedade civil do país, o Brasil apoiou a segunda opção, manifestando-se a favor de um Plano Estratégico menos ambicioso.
A meta sobre o aumento da proteção em unidades de conservação de 10 para 20% dos países até 2020 tem fortes defesas, mas também tem gerado polêmica. Muitos países têm se posicionado contra esse aumento e inclusive abrindo a discussão para uma diminuição dessa meta para 6% na proteção das áreas dos oceanos.
Outro ponto crucial é a meta que aborda a questão do desmatamento ou conversão de habitats, ou seja, a transformação de áreas naturais em áreas degradadas, áreas agrícolas ou urbanas. Novamente o desejável seria acabar com a conversão de habitats e desmatamento até 2020, mas o Brasil anunciou que defende o compromisso de reduzir essa conversão pela metade até o fim da década.
“O Brasil está cooperando nas discussões sobre áreas protegidas, no entanto o posicionamento por uma missão do Plano Estratégico pouco ambiciosa e a redução apenas pela metade do desmatamento surpreenderam negativamente. Não esperávamos essa posição”, apontou Maretti.
“Isso não é nem manter os níveis dos compromissos nacionais! É fundamental um comprometimento mais forte no Brasil, sobretudo para quem sonha com o Brasil como líder do desenvolvimento sustentável, da economia verde. Esperamos que com o andar das negociações, eles mudem de ideia”, afirmou.
Repartição dos benefícios da biodiversidade
O protocolo sobre o acesso e repartição dos benefícios dos recursos genéticos da biodiversidade (ABS), vem despontando como o tema mais polêmico da conferência em Nagoia até o momento.
Na história da CDB, a repartição dos benefícios, sempre foi a questão que menos avançou em relação aos outros dois objetivos da Convenção – conservação e uso sustentável da biodiversidade. Depois de alguns anos de espera, estabeleceu-se que uma decisão sobre a questão seria tomada até esta COP, no entanto, os países ainda não atingiram consenso sobre o conteúdo do texto que servirá de base para negociações de alto nível que começam na próxima semana.
O grupo de trabalho que discute o tema está trabalhando intensivamente sem conseguir atingir um consenso. Estava prometida para hoje a entrega do documento final, no entanto, na plenária de avaliação da primeira semana, o responsável pelo grupo anunciou que os debates continuarão durante o fim de semana. Para saber alguns dos elementos de disputa entre os países, clique aqui.
O conflito de interesses tem acontecido principalmente entre países desenvolvidos, usuários dos recursos da biodiversidade, e países ricos em biodiversidade, em sua maioria em desenvolvimento, detentores desses recursos.
O principal problema desse conflito é que os países detentores da biodiversidade, como é o caso do Brasil, anunciaram que, sem a aprovação do protocolo de ABS, eles não aprovarão o Plano Estratégico com compromissos de conservação para a próxima década.
“Estamos bastante preocupados com a falta de consenso entre os países sobre o tema. A aprovação do protocolo de ABS é fundamental nessa COP. Chegou a hora dos países desenvolvidos mostrarem seu comprometimento com o sucesso desta COP e maior flexibilidade nas negociações do tema, em benefício de melhor equilíbrio e justiça”, afirmou Cláudio Maretti, superintendente de conservação do WWF-Brasil.
O chefe da delegação brasileira na Conferência, Paulino de Carvalho afirmou que a prioridade do país na COP de Nagoia é o protocolo. “Só iremos aprovar o Plano estratégico com um acordo no pacote completo: Plano, ABS e mobilização de recursos financeiros. Não estamos blefando”, afirmou Carvalho. No entanto, o ministro apontou que está otimista e que acredita que até o dia 29 de outubro, os países cheguem a um acordo.
Recursos Financeiros
As negociações também estão difíceis em relação à mobilização de recursos financeiros, embora haja avanços no estabelecimento da estrutura de um plano sobre o tema. Nesse ponto, a principal divergência acontece entre os países em desenvolvimento e os países desenvolvidos.
Os primeiros, liderados principalmente por países africanos, exigem que seja aprovada durante esta COP uma estratégia de financiamento de longo prazo que estabeleça um compromisso dos países desenvolvidos em doar recursos para ações de conservação da biodiversidade nos países em desenvolvimento.
Os países desenvolvidos estão resistindo principalmente com o argumento de que não tem mais recursos disponíveis.
Segunda semana
Na próxima semana acontecerão as negociações de alto nível entre os ministros dos países partes da Convenção sobre Diversidade Biológica. Nesse clima de indefinições e falta de consenso, as delegações das nações ainda têm muito trabalho pela frente.
“Tudo será definido na próxima semana. Esperamos bastante disposição das delegações dos países para superar as diferenças e muita vontade política para tomar decisões ambiciosas pela biodiversidade do planeta. Não podemos correr o risco de ver essa COP ser um fracasso. A vida no planeta é que pagaria por isso”, afirmou Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil.
Para James Leape, diretor-geral do WWF-Internacional, chegou o momento dos delegados dos países colocarem suas diferenças de lado. “Estamos chamando os delegados dos países a assumirem suas responsabilidades. Nossa segurança alimentar e estabilidade econômica dependem disso”, afirmou Leape.
WWF-Brasil
© Ligia Paes de Barros
Evento de encerramento da primeira semana da COP 10, em Nagoia.Durante a primeira semana de negociações sobre biodiversidade na 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 10 da CDB), que acontecem em Nagoia até o dia 29 de outubro, o clima foi de muito trabalho, impasses e indefinição em relação aos resultados para a conservação da biodiversidade do planeta.
No início da semana, três temas se destacaram como fundamentais na COP 10: o Plano Estratégico, documento que define as ações de conservação que os países membros terão que implementar na próxima década, a mobilização de recursos financeiros para implementação desse plano e o protocolo de acesso e repartição de benefícios dos recursos genéticos da biodiversidade (ABS).
Hoje, sexta-feira, 22 de outubro, na véspera de uma suposta pausa nas discussões para o fim de semana (já que muitas discussões avançarão fim de semana adentro), os três temas continuam se destacando. No entanto, não tão positivamente quanto todos esperavam ou desejam.
Vale lembrar que as Conferências das Partes da CDB acontecem a cada dois anos e a COP de Nagoia - que acontece em 2010, declarado pela ONU como Ano Internacional da Biodiversidade - é uma COP especial e extremamente importante. Neste ano fizemos um balanço – infelizmente não muito positivo – do que foi alcançado em termos de conservação e uso sustentável da biodiversidade até 2010 e serão definidas as ações que países terão que implementar até 2020.
Resultados pouco ambiciosos nessa COP representam um grande risco para humanidade uma vez que a biodiversidade global está seriamente ameaçada e várias regiões ecológicas da Terra estão próximas de atingir pontos de colapso, a partir do qual nunca mais poderá se recuperar dos impactos sofridos.
Plano Estratégico
O Plano Estratégico 2011 – 2020 é o documento considerado o mais importante da Convenção sobre Diversidade Biológica. É ele que define as ações que serão tomadas na próxima década pelos países signatários da CDB para reduzir a perda de biodiversidade do planeta. Ele deve integrar os programas e decisões da Convenção, dar o tom e o nível de ambição dos próximos 10 anos e ter metas claras e verificáveis.
As discussões sobre o tema têm sido longas, cansativas, e não muito animadoras. Houve um retrocesso na negociação com a reabertura da discussão sobre alguns pontos que já haviam sido acordados entre os países.
Um ponto sensível nas negociações é a definição da missão do Plano. Alguns países defendem zerar a taxa de perda de biodiversidade até 2020, o que é considerado extremamente desejável pela Rede WWF e pelo WWF-Brasil, e outros defendem a redução dessa taxa pela metade. Para a surpresa e desapontamento da sociedade civil do país, o Brasil apoiou a segunda opção, manifestando-se a favor de um Plano Estratégico menos ambicioso.
A meta sobre o aumento da proteção em unidades de conservação de 10 para 20% dos países até 2020 tem fortes defesas, mas também tem gerado polêmica. Muitos países têm se posicionado contra esse aumento e inclusive abrindo a discussão para uma diminuição dessa meta para 6% na proteção das áreas dos oceanos.
Outro ponto crucial é a meta que aborda a questão do desmatamento ou conversão de habitats, ou seja, a transformação de áreas naturais em áreas degradadas, áreas agrícolas ou urbanas. Novamente o desejável seria acabar com a conversão de habitats e desmatamento até 2020, mas o Brasil anunciou que defende o compromisso de reduzir essa conversão pela metade até o fim da década.
“O Brasil está cooperando nas discussões sobre áreas protegidas, no entanto o posicionamento por uma missão do Plano Estratégico pouco ambiciosa e a redução apenas pela metade do desmatamento surpreenderam negativamente. Não esperávamos essa posição”, apontou Maretti.
“Isso não é nem manter os níveis dos compromissos nacionais! É fundamental um comprometimento mais forte no Brasil, sobretudo para quem sonha com o Brasil como líder do desenvolvimento sustentável, da economia verde. Esperamos que com o andar das negociações, eles mudem de ideia”, afirmou.
Repartição dos benefícios da biodiversidade
O protocolo sobre o acesso e repartição dos benefícios dos recursos genéticos da biodiversidade (ABS), vem despontando como o tema mais polêmico da conferência em Nagoia até o momento.
Na história da CDB, a repartição dos benefícios, sempre foi a questão que menos avançou em relação aos outros dois objetivos da Convenção – conservação e uso sustentável da biodiversidade. Depois de alguns anos de espera, estabeleceu-se que uma decisão sobre a questão seria tomada até esta COP, no entanto, os países ainda não atingiram consenso sobre o conteúdo do texto que servirá de base para negociações de alto nível que começam na próxima semana.
O grupo de trabalho que discute o tema está trabalhando intensivamente sem conseguir atingir um consenso. Estava prometida para hoje a entrega do documento final, no entanto, na plenária de avaliação da primeira semana, o responsável pelo grupo anunciou que os debates continuarão durante o fim de semana. Para saber alguns dos elementos de disputa entre os países, clique aqui.
O conflito de interesses tem acontecido principalmente entre países desenvolvidos, usuários dos recursos da biodiversidade, e países ricos em biodiversidade, em sua maioria em desenvolvimento, detentores desses recursos.
O principal problema desse conflito é que os países detentores da biodiversidade, como é o caso do Brasil, anunciaram que, sem a aprovação do protocolo de ABS, eles não aprovarão o Plano Estratégico com compromissos de conservação para a próxima década.
“Estamos bastante preocupados com a falta de consenso entre os países sobre o tema. A aprovação do protocolo de ABS é fundamental nessa COP. Chegou a hora dos países desenvolvidos mostrarem seu comprometimento com o sucesso desta COP e maior flexibilidade nas negociações do tema, em benefício de melhor equilíbrio e justiça”, afirmou Cláudio Maretti, superintendente de conservação do WWF-Brasil.
O chefe da delegação brasileira na Conferência, Paulino de Carvalho afirmou que a prioridade do país na COP de Nagoia é o protocolo. “Só iremos aprovar o Plano estratégico com um acordo no pacote completo: Plano, ABS e mobilização de recursos financeiros. Não estamos blefando”, afirmou Carvalho. No entanto, o ministro apontou que está otimista e que acredita que até o dia 29 de outubro, os países cheguem a um acordo.
Recursos Financeiros
As negociações também estão difíceis em relação à mobilização de recursos financeiros, embora haja avanços no estabelecimento da estrutura de um plano sobre o tema. Nesse ponto, a principal divergência acontece entre os países em desenvolvimento e os países desenvolvidos.
Os primeiros, liderados principalmente por países africanos, exigem que seja aprovada durante esta COP uma estratégia de financiamento de longo prazo que estabeleça um compromisso dos países desenvolvidos em doar recursos para ações de conservação da biodiversidade nos países em desenvolvimento.
Os países desenvolvidos estão resistindo principalmente com o argumento de que não tem mais recursos disponíveis.
Segunda semana
Na próxima semana acontecerão as negociações de alto nível entre os ministros dos países partes da Convenção sobre Diversidade Biológica. Nesse clima de indefinições e falta de consenso, as delegações das nações ainda têm muito trabalho pela frente.
“Tudo será definido na próxima semana. Esperamos bastante disposição das delegações dos países para superar as diferenças e muita vontade política para tomar decisões ambiciosas pela biodiversidade do planeta. Não podemos correr o risco de ver essa COP ser um fracasso. A vida no planeta é que pagaria por isso”, afirmou Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil.
Para James Leape, diretor-geral do WWF-Internacional, chegou o momento dos delegados dos países colocarem suas diferenças de lado. “Estamos chamando os delegados dos países a assumirem suas responsabilidades. Nossa segurança alimentar e estabilidade econômica dependem disso”, afirmou Leape.
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COP-10 não terá acordo, e isso já era previsto.
A falta de flexibilidade de alguns países emergentes foi criticada nesta sexta-feira na convenção da ONU sobre a biodiversidade realizada na cidade japonesa de Nagoia, informou a imprensa local.
A décima Conferência das Partes da Convenção da Organização das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP-10) pretende culminar em um plano estratégico para proteger a biodiversidade até 2020 e um protocolo sobre os benefícios compartilhados pelo uso dos recursos genéticos.
“O cumprimento das metas para a preservação da biodiversidade está sendo utilizado (pelos países emergentes) como moeda de troca para obter concessões das nações desenvolvidas com relação aos recursos genéticos”, disse hoje um negociador japonês à agência de notícias Kyodo.
Os interesses dos países emergentes nas discussões se focam nos recursos genéticos de plantas e micro-organismos e o acesso equitativo aos benefícios derivados de seu uso.
Alguns países como o Brasil, que tem uma grande riqueza de recursos genéticos, muitos deles dentro do território amazônico, pediram que os objetivos de conservação e o protocolo sejam adotados conjuntamente na COP-10, onde participam representantes de 193 países.
Para o diretor de biodiversidade da ONG WWF, Günter Mitlacher, as conversas não progrediram porque as posições dos países emergentes são tão firmes que não é possível negociar, segundo a Kyodo.
Nas discussões sobre a biodiversidade, os defensores das propostas mais ambiciosas, como a União Europeia e a Noruega, propuseram tornar 15% dos oceanos áreas de proteção ambiental.
Em um dos subcomitês para fixar as metas posteriores a 2010, o Brasil criticou o plano europeu por considerá-lo exagerado, enquanto a China pediu que a área de proteção seja reduzida a 6% dos oceanos, devido a limitações no financiamento.
Os países emergentes declararam que, para alcançar os objetivos propostos pela União Europeia e pela Noruega, a ajuda financeira atual deveria ser multiplicada por cem.
Com informações da Folha.com
- Deixo aqui minha opnião, que acredito seja a de muitos leitores sobre o assunto: Não teremos nenhum acordo viável e ninguém na verdade está interessado em cumprir essas metas. O Brasil, assim como os demais países tem um interesse único: dinheiro. Fingem estar interessados na biodiversidade, mas na verdade estão interessados no poder econômico e político de uma situação que lhe convém. Se o interesse fosse real, teria cumprido as metas (vide este post) que aliás o próprio governo fica apresentando nessas reuniões, com claro intuíto de aparecer bonito na mídia, mas nada cumpre. Está “interessado” na biodiversidade, na redução de poluentes, etc, mas aposta tudo no petróleo (leia-se pré-sal), e deixa de lado até mesmo o etanol. É ridícula a situação do Brasil.
A décima Conferência das Partes da Convenção da Organização das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP-10) pretende culminar em um plano estratégico para proteger a biodiversidade até 2020 e um protocolo sobre os benefícios compartilhados pelo uso dos recursos genéticos.
“O cumprimento das metas para a preservação da biodiversidade está sendo utilizado (pelos países emergentes) como moeda de troca para obter concessões das nações desenvolvidas com relação aos recursos genéticos”, disse hoje um negociador japonês à agência de notícias Kyodo.
Os interesses dos países emergentes nas discussões se focam nos recursos genéticos de plantas e micro-organismos e o acesso equitativo aos benefícios derivados de seu uso.
Alguns países como o Brasil, que tem uma grande riqueza de recursos genéticos, muitos deles dentro do território amazônico, pediram que os objetivos de conservação e o protocolo sejam adotados conjuntamente na COP-10, onde participam representantes de 193 países.
Para o diretor de biodiversidade da ONG WWF, Günter Mitlacher, as conversas não progrediram porque as posições dos países emergentes são tão firmes que não é possível negociar, segundo a Kyodo.
Nas discussões sobre a biodiversidade, os defensores das propostas mais ambiciosas, como a União Europeia e a Noruega, propuseram tornar 15% dos oceanos áreas de proteção ambiental.
Em um dos subcomitês para fixar as metas posteriores a 2010, o Brasil criticou o plano europeu por considerá-lo exagerado, enquanto a China pediu que a área de proteção seja reduzida a 6% dos oceanos, devido a limitações no financiamento.
Os países emergentes declararam que, para alcançar os objetivos propostos pela União Europeia e pela Noruega, a ajuda financeira atual deveria ser multiplicada por cem.
Com informações da Folha.com
- Deixo aqui minha opnião, que acredito seja a de muitos leitores sobre o assunto: Não teremos nenhum acordo viável e ninguém na verdade está interessado em cumprir essas metas. O Brasil, assim como os demais países tem um interesse único: dinheiro. Fingem estar interessados na biodiversidade, mas na verdade estão interessados no poder econômico e político de uma situação que lhe convém. Se o interesse fosse real, teria cumprido as metas (vide este post) que aliás o próprio governo fica apresentando nessas reuniões, com claro intuíto de aparecer bonito na mídia, mas nada cumpre. Está “interessado” na biodiversidade, na redução de poluentes, etc, mas aposta tudo no petróleo (leia-se pré-sal), e deixa de lado até mesmo o etanol. É ridícula a situação do Brasil.
Everett Kennedy Brown/Efe
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Países emergentes são criticados na cúpula da biodiversidade.
A falta de flexibilidade de alguns países emergentes foi criticada nesta sexta-feira na convenção da ONU sobre a biodiversidade realizada desde segunda-feira na cidade japonesa de Nagoia, informou a imprensa local. A 10ª Conferência das Partes (COP-10), da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU, pretende culminar em um plano estratégico para proteger a biodiversidade até 2020 e um protocolo sobre os benefícios compartilhados pelo uso dos recursos genéticos.
"O cumprimento das metas para a preservação da biodiversidade está sendo utilizado (pelos países emergentes) como moeda de troca para obter concessões das nações desenvolvidas com relação aos recursos genéticos", disse hoje um negociador japonês à agência de notícias local Kyodo. Os interesses dos países emergentes nas discussões se focam nos recursos genéticos de plantas e micro-organismos e o acesso equitativo aos benefícios derivados de seu uso.
Alguns países como o Brasil - que tem uma grande riqueza de recursos genéticos, muitos deles dentro do território amazônico - pediram que os objetivos de conservação e o protocolo sejam adotados conjuntamente na COP10, onde participam representantes de 193 países. Para o diretor de biodiversidade da ONG WWF, Günter Mitlacher, as conversas não progrediram porque as posições dos países emergentes são tão firmes que não é possível negociar.
Nas discussões sobre a biodiversidade, os defensores das propostas mais ambiciosas, como a União Europeia e a Noruega, propuseram tornar 15% dos oceanos áreas de proteção ambiental. Em um dos subcomitês para fixar as metas posteriores a 2010, o Brasil criticou o plano europeu por considerá-lo exagerado, enquanto a China pediu que a área de proteção seja reduzida a 6% dos oceanos, devido a limitações no financiamento. Os países emergentes declararam que, para alcançar os objetivos propostos pela União Europeia e pela Noruega, a ajuda financeira atual deveria ser multiplicada por cem.
"O cumprimento das metas para a preservação da biodiversidade está sendo utilizado (pelos países emergentes) como moeda de troca para obter concessões das nações desenvolvidas com relação aos recursos genéticos", disse hoje um negociador japonês à agência de notícias local Kyodo. Os interesses dos países emergentes nas discussões se focam nos recursos genéticos de plantas e micro-organismos e o acesso equitativo aos benefícios derivados de seu uso.
Alguns países como o Brasil - que tem uma grande riqueza de recursos genéticos, muitos deles dentro do território amazônico - pediram que os objetivos de conservação e o protocolo sejam adotados conjuntamente na COP10, onde participam representantes de 193 países. Para o diretor de biodiversidade da ONG WWF, Günter Mitlacher, as conversas não progrediram porque as posições dos países emergentes são tão firmes que não é possível negociar.
Nas discussões sobre a biodiversidade, os defensores das propostas mais ambiciosas, como a União Europeia e a Noruega, propuseram tornar 15% dos oceanos áreas de proteção ambiental. Em um dos subcomitês para fixar as metas posteriores a 2010, o Brasil criticou o plano europeu por considerá-lo exagerado, enquanto a China pediu que a área de proteção seja reduzida a 6% dos oceanos, devido a limitações no financiamento. Os países emergentes declararam que, para alcançar os objetivos propostos pela União Europeia e pela Noruega, a ajuda financeira atual deveria ser multiplicada por cem.
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Brasil apresentará na COP 10 um estudo sobre as potencialidades de 767 áreas
Potencial das áreas protegidas
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) considera o Brasil um líder mundial na criação de áreas protegidas.
Dos 700 mil km² de áreas destinadas à conservação e uso sustentável da biodiversidade criadas nos últimos sete anos, cerca de 75% estão no Brasil, segundo o relatório Panorama Global da Biodiversidade 3.
Na próxima sexta-feira, 22, o Ministério do Meio Ambiente do Brasil e o Centro de Monitoramento da Conservação Mundial (WCMC-Unep) apresentam, durante a 10ª Conferência sobre Diversidade Biológica da ONU (COP 10), em Nagoia, no Japão, as linhas gerais de um estudo sobre a potencialidade econômica e a sustentabilidade financeira das áreas protegidas existentes no território brasileiro.
Hoje, no País, existem 310 áreas protegidas federais, 397 estaduais e 60 municipais oficialmente registradas no Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (CNUC). O potencial econômico identificado pelo estudo está centrado no mercado internacional de carbono, fornecimento de água, uso público, taxas e produtos florestais.
Para que as áreas federais e estaduais funcionem plenamente, o estudo calculou que seriam necessários R$ 611 milhões (cerca de US$ 320 milhões) em investimentos de infraestrutura e planejamento no sistema federal e mais R$ 1,18 bilhão (cerca de US$ 659 milhões) nos sistemas estaduais.
Durante o evento paralelo de apresentação do estudo, o Brasil partilhará sua experiência na elaboração da metodologia especialmente desenvolvida pelos técnicos da área ambiental e que foi aplicada ao levantamento.
Os resultados preliminares considerando o atual estágio de implementação das áreas protegidas e as perspectivas de consolidação de cada uma delas também serão apresentados durante a COP 10.
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sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Potencial econômico de parques brasileiros será mapeado.
Objetivo do estudo é elaborar diagnóstico de oportunidades econômicas oferecidas por áreas de preservação
Afra Balazina e Andrea Vialli - O Estado de S. Paulo
O potencial econômico das Unidades de Conservação (UCs) do Brasil, como parques e florestas públicas, é tema de um estudo que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) prepara para levar à COP-10, a Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade, que será realizada em outubro deste ano em Nagoya, no Japão.
O Brasil possui 310 áreas de conservação federais e 374 estaduais. Do total, 26,7% permitem variedade de usos econômicos, como ecoturismo, pesquisa científica, manejo de recursos florestais e agricultura. “O Brasil tem um amplo potencial de aproveitamento dos parques, que ainda é pouco conhecido e explorado”, diz Fábio França de Araújo, diretor do departamento de áreas protegidas do MMA. Ele explica que em países como os Estados Unidos o turismo em parques nacionais promove uma receita de US$ 15 bilhões na economia e gera 250 mil empregos.
O objetivo do estudo, feito em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e a UFRJ, será elaborar um diagnóstico das oportunidades econômicas que áreas de preservação oferecem.
O Brasil possui 310 áreas de conservação federais e 374 estaduais. Do total, 26,7% permitem variedade de usos econômicos, como ecoturismo, pesquisa científica, manejo de recursos florestais e agricultura. “O Brasil tem um amplo potencial de aproveitamento dos parques, que ainda é pouco conhecido e explorado”, diz Fábio França de Araújo, diretor do departamento de áreas protegidas do MMA. Ele explica que em países como os Estados Unidos o turismo em parques nacionais promove uma receita de US$ 15 bilhões na economia e gera 250 mil empregos.
O objetivo do estudo, feito em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e a UFRJ, será elaborar um diagnóstico das oportunidades econômicas que áreas de preservação oferecem.
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