segunda-feira, 25 de maio de 2009

Expedição leva trenó habitável ao Pólo Sul do planeta

Julio Fiadi tinha o sonho de chegar sozinho e caminhando ao Pólo Sul do planeta, e para isso foi atrás de uma solução para que ele não precisasse carregar seu trenó todos os dias e ainda montar sua barraca ao fim de cada jornada, tendo que desmontá-la no começo de cada dia.

Em uma de suas expedições polares, ele teve a idéia de fazer um trenó habitável para sua próxima investida, que seria essa caminhada solitária. Ao retornar, procurou seu amigo arquiteto Alexandre Camargo, que projetou o que ele chama hoje de “cápsula vermelha”. Contando ainda com Jorge Nasseh, Lorenzo Souza, Leonel Brites e Igor Alexandre, eles conseguiram construir a cápsula, que serviria para Julio se alimentar, realizar suas atividades de leitura ou escrita em uma mesa preparada para isso e ainda deitar, dormir e se abrigar das tempestades. Sua composição é de fibra de carbono e kevlar, sendo sua cor vermelha.

Em novembro de 2008, Julio deixou o Brasil e voou para Patagônia, de onde foi embarcada a cápsula, que seguiu para a Antártica. Logo no princípio de sua jornada, Fiadi encarou uma tempestade de 120km/h com rajadas de até 180 km/h ileso. Há relatos de que alguns outros expedicionários no local tiveram suas barracas destruídas pela força do vento.

“Além de protegido, eu tinha telefone, computador conectado na rede, toda a eletricidade fornecida por painéis solares, mesa para escrever e comer, e até mesmo um confortável toilet, protegido do vento gelado”, contou ele sobre sua instalação.

Após alguns dias de viagem, um congelamento em um dedo do pé de Julio foi diagnosticado por um médico do acampamento de Patriot Hills, que o aconselhou a não caminhar mais por dez ou doze horas com temperatura de -35ºC como estava fazendo.

“Ter superado a tempestade e o mais difícil trecho de toda a viagem, me fez acreditar que eu tinha grandes chances de chegar ao pólo. Tal entusiasmo me levou a querer continuar, sem me preocupar muito com meu dedo. Porém, os conselhos dos médicos, de que eu deveria parar, levaram-me a tomar a difícil decisão”, relatou ele sobre sua desistência. “A cápsula polar provou ser um projeto viável, e podemos nos orgulhar de ter levado o primeiro trenó habitável rígido a se deslocar pelo continente gelado”, completou ele, que promete mais uma tentativa de realizar o feito.

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