quarta-feira, 2 de setembro de 2009

3 de setembro- Dia Nacional do Biólogo

Publicado no periódico de notícias O Diário do Norte do Paraná (Maringá, PR, Brasil, 2/9/2009)

3 de setembro- Dia Nacional do Biólogo

Fábio Angeoletto
Biólogo da Rede Nacional Observatório das Metrópoles

A profissão de Biólogo foi regulamentada no Brasil pela Lei número 6.684 de 3 de setembro de 1979. Os 30 anos de regulamentação da profissão ensejam algumas reflexões sobre a formação acadêmica desses profissionais e sobre as possibilidades de atuação dos biólogos no mercado de trabalho.

Apesar de contarmos com excelentes cursos de graduação em Biologia, usualmente disciplinas como ecologia urbana, planejamento ambiental e planejamento urbano não fazem parte das grades curriculares desses cursos. Pouco se discute, nos cursos de Biologia, sobre a ecologia dos ecossistemas urbanos.

É inquietante perceber que, mediante o crescimento avassalador das cidades em área e número, os biólogos tenham pouco a dizer sobre esse fenômeno mundial.

Os biólogos brasileiros são exemplarmente habilitados para detectar impactos ambientais e sugerir medidas corretivas. Mas poucos são formados para integrar equipes de planejamento urbano que procurem se antecipar e evitar os impactos causados pelas cidades.

É compreensível que biólogos tenham relutado em usar seu instrumental metodológico para produzir informações sobre as cidades. Diferentemente dos demais ecossistemas, as cidades não são regidas apenas por dinâmicas ambientais.

Além delas, dinâmicas políticas, culturais, sociais e econômicas tornam a compreensão das cidades, desde um ponto de vista ecológico, uma tarefa hercúlea, mas, também, fascinante.

Cidades são classificadas como ecossistemas heterotróficos, extremamente dependentes de áreas externas para obtenção de matérias-primas e energia e para a deposição dos resíduos gerados pela produção e consumo de produtos tão diversos como gastronomia japonesa, gasolina, sexo virtual, eventos culturais ou viagens planetárias.

As necessidades de recursos e energia das cidades, bem como os dejetos gerados por elas, são de magnitude colossal e de influência biosférica. Compreender sua ecologia é fundamental para o surgimento de formas de planificação ambientalmente mais eficazes.

Urge que as cidades brasileiras componham equipes multidisciplinares de planejamento onde biólogos, urbanistas, advogados, médicos, sociólogos, educadores e outros profissionais façam frente aos desafios da gestão urbana.

Afinal, as cidades não são um “câncer”, como alardeiam alguns ambientalistas. As cidades são, de fato, a mais fabulosa expressão do nosso comportamento gregário. Elas são nossa mais importante invenção. Seu surgimento permitiu o desenvolvimento de instituições como museus, escolas e hospitais. As cidades funcionam como imensos catalisadores das artes e das ciências.

Encará-las como a antítese da natureza é nada mais do que uma miragem. “As cidades são tão artificiais quanto colméias”, comentou o filósofo inglês John Gray em um de seus livros. Sua afirmação é muito mais do que uma bela metáfora.

Um comentário:

  1. Nossa achei super interessante!!! Que bom que existem pessoas que pensam como eu em relação ao planeta!! Bom saber que existe um blog chamado A Hora do Planeta...entrarei sempre aki pra ler esses posts do blog!! Achei a iniciativa excelente!! E como amanhã é dia do Biólogo parabéns a todos os Biólogos...bjãooo!!!

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