As experiências ligadas às compras responsáveis de madeira em diferentes regiões do Brasil e as perspectivas de implantação de políticas similares no Acre serão debatidas hoje em Rio Branco, capital do Estado, num evento com a participação do poder público, empresas e organizações não-governamentais de São Paulo, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul e do próprio Acre.
O principal objetivo é a apresentação de casos de cidades e estados que têm programas de compras responsáveis de madeira, bem como experiências de empresas e organizações não-governamentais envolvidas com a adoção de políticas voltadas para o consumo responsável de produtos madeireiros.
As conclusões do “Seminário de Compras Responsáveis de Madeira” servirão de base para a criação, pelo Município de Rio Branco e Estado do Acre, de suas políticas de compras responsáveis de madeira. O governador Arnóbio Marques (PT) e o prefeito Raimundo Angelim (PT) assinaram em março decretos aderindo à Rede Amigos da Amazônia e definindo a elaboração de políticas públicas que vetam a compra de madeira ilegal pelo poder público no território acreano.
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Foi feito, ainda, um acordo do poder público estadual e municipal com as empresas que trabalham com madeira no Acre, para que o setor produtivo também adquira e comercialize produto legal e, preferencialmente, com a certificação do Conselho de Manejo Florestal (FSC). O selo FSC atesta que a madeira utilizada como matéria-prima foi obtida de forma sustentável a partir de um plano de manejo, obedecendo a rigorosos critérios ambientais e sociais.
- O seminário será o primeiro de diversos fóruns que organizaremos para compartilhar, em escala nacional, experiências de sucesso adotadas regionalmente para assegurar a compra de madeira produzida em conformidade com a legislação ambiental - avalia Alberto Tavares, o Dande, líder do escritório do WWF-Brasil no Acre.
Dande salienta que a adoção de políticas de compras responsáveis e o consumo consciente de produtos florestais têm relação direta com a conservação das florestas. Segundo ele, os resultados dessas iniciativas se refletem na redução de emissões de gases de efeito estufa, bem estar de comunidades extrativistas que vivem da floresta e incentivo ao manejo florestal, dentre outros aspectos.
Frederico Soares Machado, oficial de projetos da União Internacional para a Conservação da Natureza, considera que a adoção de critérios socioambientais para as compras públicas tem o grande potencial de contribuir para conservar a floresta em pé.
- O evento será uma boa oportunidade para troca de experiências, em que os participantes locais poderão ter contato com outras realidades bem-sucedidas e tirar dúvidas. Esperamos que todos saiam do evento vestindo a camisa da Rede Amigos da Amazônia.
Para o secretário estadual de Floresta do Acre, Carlos Ovídio Rezende, quando o poder público decide abraçar uma política de compras responsáveis de madeira, o resultado é a valorização da floresta em pé, dos ativos florestais e a geração de renda para as populações locais.
- É essencial estabelecer o referencial comparativo entre uma floresta explorada de forma convencional, causando grandes estragos nos ecossistemas, e uma explorada por meio do manejo. Precisamos saber de onde vêm os produtos que compramos. A madeira tem uma lógica similar à do DVD pirata, que financia o crime, o trabalho infantil e a violência - analisa Rezende.
Em março, o governo de São Paulo, a prefeitura de São Paulo, o Sinduscon (SP) e mais 20 organizações, entre elas o WWF-Brasil, aderiram ao programa “Madeira é Legal”, que tem como objetivo promover o uso da madeira de origem legal e certificada no Estado e no Município de São Paulo.
O evento em Rio Branco é organizado pelo governo do Acre, prefeitura de Rio Branco, Federação das Indústrias do Estado do Acre, Fundação Getúlio Vargas (FGV), União Mundial para a Natureza e WWF-Brasil.
Também participam, relatando suas experiências em políticas de compras responsáveis de madeira, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente de São Paulo, a Polícia Ambiental do Estado de São Paulo, Sindicato da Indústria da Construção Civil de Grandes Estruturas do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), o Grupo de Produtores Florestais Certificados na Amazônia (PFCA), as prefeituras de Porto Alegre (RS) e Americana (SP), além da Construtora EBM, de Goiás.
Fotos: Eduardo A. Marques e Evandro Ferreira
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