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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Hidrelétricas não prejudicarão meio ambiente, diz Lula.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse falou das obras durante seu programa de rádio “Café com o presidente”

  Por:  G1


Hidrelétricas não prejudicarão meio ambiente, diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva em visita a obras da ferrovia Transnordestina
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na manhã desta segunda-feira (16), durante seu programa de rádio “Café com o presidente”, que as hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia (RO), geram 25 mil empregos. Lula afirmou que as obras estão aceleradas e a energia limpa dos dois complexos vai preservar o meio ambiente.
Lula iniciou o programada falando sobre as usinas de Rondônia. Para ele, as hidrelétricas também formarão novos trabalhadores. “São duas grandes hidrelétricas, uma está prevista para produzir 3.400 megawatts; outra , 3.200 megawatts. São as duas maiores hidrelétricas que estamos produzindo no Brasil. Elas estão gerando por volta de 25 mil empregos. Muitas pessoas estão sendo formadas e preparadas. Estamos qualificando mão de obra que não existia mais, porque o Brasil tinha deixado de investir em grandes projetos de infraestrutura, sobretudo, na questão energética”.
Meio ambiente
Segundo o presidente, as duas usinas não vão provocar danos ao meio ambiente. “Esse é um problema que está resolvido da forma melhor possível, tanto em Santo Antônio quanto em Jirau. Preservando o meio ambiente, ou seja, cuidando da manutenção e da preservação dos peixes, da floresta. Temos consciência de que é preciso produzir energia limpa. E temos mais consciência ainda de que é necessário cuidar para que a comunidade possa viver dignamente, sem ser prejudicada pela hidrelétrica”, disse.
Aposentadoria
Lula falou ainda sobre o demonstrativo mensal de créditos para os aposentados. Para Lula, o setor está mais confiável e mai ágil. “Primeiro foi o avanço que tivemos na Previdência Social. O sistema de controle, o software, montado e utilizado pela Previdência Social, permite que, hoje, o ministro e os gerentes tenham o controle de todas as agências da Previdência no território nacional; online. O que acontece a cada minuto, cada pessoa que chega, que é tratada, cada consulta marcada, cada benefício é recebido em tempo real. O trabalhador urbano que recebe uma carta, comunicando que ele já tem o seu tempo de serviço, já pode receber a aposentadoria”.
O presidente afirmou que pretende levar o benefício ao trabalhador rural. “Estamos estendendo isso para o campo. Já temos 5 milhões de cadastrados”.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Lula sanciona lei que obriga empresas a recolherem lixo tóxico.


BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta segunda-feira a lei que cria a política nacional de resíduos sólidos e pediu rapidez na elaboração da regulamentação da norma. Lula deu prazo de 90 dias para que seja apresentada a regulamentação da lei que obriga as empresas a recolherem lixo tóxico de difícil decomposição, como baterias, pilhas, pneus, lâmpadas, eletrodomésticos e embalagens de agrotóxicos, e proíbe a criação de lixões ao ar livre.”
- Temos que tomar cuidado para não demorar a regulamentação. Não podemos passar de 90 dias para regulamentar, porque eu só tenho cinco meses de governo. Para a oposição, o tempo demora, mas para mim está passando rápido – disse.
Lula afirmou que, quando mandou o projeto para o Congresso em 2007, poucos acreditavam que seria aprovado, pois uma proposta semelhante tramitava desde 1991.
- É uma revolução em termos ambientais. Organiza sem perder o foco que é a inclusão social. O mérito da lei é tratar da inclusão de trabalhadores que foram esquecidos e maltratados pelo poder público – afirmou.
Ao comemorar a sanção da lei, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira citou o prefeito de Sucupira, Odorico Paraguassu, personagem do Bem Amado, de Dias Gomes:- Estou com a alma lavada e enxaguada e agora reciclada.
O representante do Movimento Nacional dos Catadores, Severino Lima Júnior, afirmou que a categoria quer tirar seu sustento da coleta seletiva e a partir de agora ser tratada como empreendedor social.
- Não queremos ser reconhecidos como catadores de lixo, mas como catadores de material reciclável – afirmou.
Para o representante dos empresários, Vitor Bicca, ainda há desafios no setor, como o aumento da coleta seletiva e a desoneração do setor.
(O Globo)

sábado, 10 de julho de 2010

Copa do Mundo de 2014 será "verde", promete Lula.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu nesta quinta-feira, 8 de julho, que a Copa do Mundo de futebol de 2014, que será realizada no Brasil, ficará marcada por adotar medidas de desenvolvimento sustentável. Ele discursou no Sandton Convention Center, em Johannesburgo (África do Sul), durante a apresentação oficial do logotipo do próximo mundial.

"Essa será a Copa verde, como tem na nossa bandeira e nas nossas florestas. A sustentabilidade ambiental é uma prioridade para o Brasil", afirmou Lula, que também destacou a importância da transparência no período pré-mundial. "Dois decretos foram assinados por mim: todos os gastos públicos serão divulgados pela internet e acompanhados em tempo real."

Segundo o governante, as boas impressões deixadas pela África do Sul na Copa do Mundo de 2010 só aumentará a responsabilidade do Brasil. "Estamos aprendendo com eles e faremos um Mundial tão bonito e emocionante", garantiu.

Lula, que está prestes a encerrar seu segundo mandato como presidente, aproveitou ainda para deixar um recado ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira: "não serei mais presidente depois de janeiro de 2011, mas continuarei brasileiro, continuarei um amante do futebol e pode contar comigo no que for necessário para que a gente possa fazer a melhor Copa do Mundo que um país já conseguiu fazer".

Acordo

Em 29 de abril, os ministros do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e do Esporte, Orlando Silva, assinaram um acordo de cooperação que prevê o implemento de uma agenda sustentável nos próximos anos, voltada tanto para a Copa do Mundo de 2014 como para as Olimpíadas de 2016, que também será realizada no Brasil. A parceria busca facilitar o lincenciamento ambiental dos empreendimentos prioritários para os eventos esportivos, para evitar impasses no cronograma brasileiro de obras.

Os ministérios se comprometeram em literligar os criadores dos empreendimentos e os responsáveis pelo licenciamento ambiental, para que juntos encontrem uma solução com garantias de proteção ao meio ambiente.

Gol Verde

A Fifa, instituição máxima do futebol e organizadora da Copa do Mundo, promove desde o Mundial de 2006 o programa "Gol Verde", que institui metas e objetivos a serem cumpridos durante o evento com foco na sustentabilidade. Novas tecnologias para construção de estádios sustentáveis e a implantação de sistemas de transporte inteligentes são algumas das melhorias estimuladas pela iniciativa, que também será aplicada no Brasil.

(EcoDesenvolvimento.org)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O GOL DE DUNGA - Por Juçara Dutra Vieira

Por Juçara Dutra Vieira*
O recente episódio envolvendo a Rede Globo e o técnico da seleção brasileira, Dunga, levou-me a reler um livro do Pedrinho Guareschi sobre comunicação e poder1 . Lembro de tê-lo recomendado a meus alunos dos cursos de Letras e de Pedagogia, ainda nos anos 1980. Pedrinho relata que a prodigiosa ascensão do conglomerado está associada ao respaldo financeiro do grupo americano Time-Life, nos anos 1960. O acordo chegou a ser objeto de uma CPI, que concluiu pela sua inconstitucionalidade. No entanto, o presidente Castello Branco, ao invés de cassar a concessão, concedeu noventa dias de prazo para que a emissora regularizasse a situação... “Não houve quem pudesse segurar, desde então, a Vênus Platinada”, diz Guareschi. (1985, p. 47).
A Globo foi fiel à ditadura e só se desapegou da mesma quando o movimento pela Diretas Já ecoava por todo o Brasil, levando estudantes, intelectuais, sindicalistas, políticos, enfim, parte importante da sociedade brasileira às ruas, reivindicando a democratização do país. O processo desembocou nas eleições diretas de 1989, com Lula e Collor disputando a presidência. O que fez a Globo? Alavancou a candidatura do “caçador de marajás”, tripudiou sobre os funcionários públicos e preparou-se para apoiar a privatização do patrimônio brasileiro. Collor não resistiu à crescente politização da sociedade e renunciou para não ser cassado, mas a Globo teve a satisfação de apoiar o presidente seguinte e seu projeto privatizante.
Contra todo o esforço das elites brasileiras, Lula chegou ao poder. Foi quase um deboche para os donos da comunicação. Wiliam Bonner deu-se ao desplante de puxar as orelhas do candidato em um debate eleitoral promovido pela emissora. A Vênus Platinada estava vingada! Mais tarde, o apresentador desculpou-se, porém já cumprira seu papel: externar o ressentimento de classe contra o trabalhador brasileiro que ousara tornar um dos seus nada mais nada menos que presidente da república.
O Governo Lula não arriscou ou avaliou que não teria sustentação política para enfrentar a poderosa Globo. Assim, ela teve renovada a concessão que lhe permite expandir e consolidar seu império. Aí, nesse cenário em que reina absoluta, aparece um bronco para dar bronca (com a licença do trocadilho). Logo no ambiente da Copa do Mundo de futebol! Não sei se Dunga tem a dimensão do que fez, ao recusar a entrevista “exclusiva” para a rede Globo. Possivelmente, não tenha as mesmas motivações ideológicas de milhares de brasileiros que o aplaudiram. Não importa. Pôs as coisas no seu devido lugar. Foi o gol político da Copa.

* Juçara Dutra Vieira é professora, ex-presidente do CPERS e, hoje, faz parte da direção da CNTE e é vice-presidente da Internacional da Educação - órgao vinculado à ONU que representa sindicatos de educadores de 140 países.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

'Indústria do apagão' não quer que Belo Monte seja construída, diz Lula

Para o presidente, será um 'movimento insano' abandonar o potencial hídrico de 260 mil megawatts da região

Agência Estado  

SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a importância da construção da usina de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), durante o programa semanal de rádio "Café com o Presidente" que foi ao ar nesta segunda-feira, 26. O licenciamento ambiental da usina, disse Lula, foi o "melhor já ocorrido em todo o Brasil", com cinco anos de estudo para licença prévia. "Obviamente que sempre vai ter aqueles que não querem que a gente faça, porque tem aqueles que esperam que haja sempre uma desgraça no País para eles poderem encontrar um culpado; nós temos aí a indústria do apagão, pessoas que não querem que a gente construa a energia necessária porque querem que tenha um apagão para justificar o apagão de 2001", disse. Para Lula, o apagão de 2001 foi "incompetência, e nós não vamos ter atos de incompetência".
"Belo Monte é um projeto de 30 anos, não é um projeto de agora, Belo Monte levou muito tempo sendo discutida, foi muita gente que discutiu, se fazia projeto, se não fazia projeto, e nós conseguimos dar a Belo Monte um tratamento, diria, qualificado envolvendo todo o segmento da sociedade num debate", afirmou. De acordo com Lula, abandonar um potencial hídrico de, aproximadamente, 260 mil megawatts para começar a usar termoelétrica a óleo diesel será um "movimento insano", contra toda a ação que se faz no planeta pelo tema climático.
Para defender a tese de que a usina hidrelétrica é mais barata, Lula disse que as empresas que ganharam o leilão de Belo Monte ofereceram cerca de 78 reais o megawatt/hora, enquanto a administração federal fixou um preço mínimo de 83 reais o megawatt/hora. "É importante a gente fazer uma comparação para o povo saber o que nós estamos falando: a usina Belo Monte, ela vai custar 78 reais o megawatt/hora; uma usina eólica custa 150 reais o megawatt/hora, e uma usina a gás, mais ou menos, 200 reais o megawatt/hora", comparou. "Portanto, a energia hídrica ainda é a mais barata; o que nós precisamos é trabalhar com muito cuidado para fazer as hidrelétricas da forma mais cuidadosa possível, causar o menor impacto ambiental possível, e é por isso que eu estou muito feliz, porque depois de 30 anos, finalmente, Belo Monte vai sair."
Segundo o presidente, muitos pontos mudaram no projeto da usina desde que ele começou a ser discutido. Lula lembrou que houve redução de 60% na área que será ocupada pelo reservatório da usina. O tamanho do lago, declarou, hoje é 40% daquilo previsto anteriormente. O presidente afirmou ainda que o Poder Executivo cuida da preservação de áreas indígenas. Arara da Volta Grande, Xingu e Paquiçamba, que antes seriam afetadas, não serão mais, citou.
"Há previsão de realocação de 16 mil pessoas. Nós estamos pensando em fazer uma hidrelétrica que seja modelo, que seja exemplo de que o Brasil vai continuar fazendo a hidrelétrica, mas, sobretudo, o Brasil vai continuar dando importância ao povo brasileiro, cuidar dos nossos índios, cuidar dos nossos produtores rurais, cuidar dos nossos ribeirinhos", avaliou. "As pessoas não terão prejuízo, pelo contrário, o que nós queremos é que a hidrelétrica signifique um ganho para essas pessoas, uma melhoria na qualidade de vida dessas pessoas."

Terra indígena
Lula falou também de sua visita à Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, no dia 19, Dia do Índio. Ele afirmou acreditar que foi uma "coisa extraordinária" a demarcação da área. Desde 2003, afirmou, o Executivo homologou 81 terras indígenas. De acordo com Lula, o Brasil tem hoje 663 terras homologadas, declaradas, delimitadas e em estudo, somando 107.618.000 hectares - 12,5% do território nacional está preservado para os índios."Nós demos um passo definitivo para reconhecer os índios como cidadãos brasileiros, dono da sua cultura, homens livres que podem exercitar da forma que quiserem toda a sua cultura", disse.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Chama Chávez a preservar o meio ambiente.

jueves, 22 de abril de 2010

Caracas, 22 abr (Prensa Latina)

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, chamou a expandir os espaços produtivos em harmonia com a proteção do meio ambiente e os recursos naturais.

O dignatário realizou um percurso pelo bairro El Limón, situado na estrada que une a Caracas com o litoral central, no estado de Vargas.

Durante sua visita à zona, caracterizada por suas férteis terras e abundante vegetação, Chávez exortou o povo a preservar os espaços verdes.

"A chave está no reflorestamento, quanto mais árvores tenhamos, melhor, para conservar a vida no futuro".

O estadista propôs, também, ampliar a construção de moradias e criar comércios socialistas na localidade, com preços acessíveis para a população.

O objetivo é ajudar aos pobres para que melhorem sua qualidade de vida, porque disso se trata o socialismo, sentenciou.

arc/ap/bj

Belo Monte será hidrelétrica menos produtiva e mais cara, dizem técnicos

Eles preveem que insegurança jurídica e ambiental vão complicar usina.
Leilão definiu grupo que tocará obra, formado por Chesf e construtoras.

Mariana Oliveira e Marília Juste Do G1, em São Paulo

A hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, Pará, será a usina que produzirá menos energia, proporcionalmente à capacidade de produção, e que terá maior custo para os investidores na comparação com outros empreendimentos de grande porte, em razão da intensidade dos impactos sociais e ambientais na região, na avaliação de especialistas na área consultados pelo G1.
Na terça (20), o governo realizou, em meio a uma batalha jurídica, o leilão que definiu o consórcio que fará a construção e venderá a energia de Belo Monte, o Norte Energia. O grupo é liderado pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), que tem 49,98% de participação, e mais oito empresas de construção e engenharia.
Após o leilão, algumas informações indicavam que a construtora Queiroz Galvão e a J. Malucelli pensavam em sair do consórcio, mas as empresas não confirmaram.
Embora tenha capacidade instalada de 11 mil MW, o que a tornará a segunda maior hidrelétrica do país, Belo Monte tem energia firme (que pode ser assegurada já prevendo os períodos de seca) de 4,4 mil MW, 40% da capacidade. Na maior usina do país, a binacional Itaipu, que tem 14 mil MW de capacidade, a energia firme representa 61%. Na segunda maior atualmente, Tucuruí - que perderá a posição para Belo Monte -, o percentual é de 49%.
Confira abaixo características técnicas das maiores hidrelétricas brasileiras e de outras que estão em construção atualmente
Hidrelétrica de Itaipu

Hidrelétrica de Itaipu
Rio Paraná
Local: Paraná / Paraguai
Inaugurada em 1984
Capacidade instalada: 14 mil MW
Energia firme: 8,6 mil MW (61% da capacidade)
Rio Xingu, perto de onde será a hidrelétrica de Belo 
Monte

Hidrelétrica de Belo Monte (projeto)
Rio Xingu
Local: Pará
Leilão ocorreu em 20 de abril, operação deve começar em 2015
Capacidade instalada: 11 mil MW
Energia firme: 4,4 mil MW (40% da capacidade)
Hidrelétrica de Tucuruí

Hidrelétrica de Tucuruí
Rio Tocantins
Local: Pará
Inaugurada em 1984
Capacidade instalada: 8,3 mil MW
Energia firme: 4,1 mil MW (49% da capacidade)
Rio Madeira, perto de onde será construída usina Santo 
Antônio

Hidrelétrica de Jirau
Rio Madeira
Local: Rondônia
Deve começar a operar em 2012
Capacidade instalada: 3,3 mil MW
Energia firme: 1,9 mil MW (57% da capacidade)
Rio Madeira, perto de onde será construída usina Santo 
Antônio

Hidrelétrica de Santo Antônio
Rio Madeira
Local: Rondônia
Deve começar a operar em 2012
Capacidade instalada: 3,1 mil MW
Energia firme: 2,2 mil MW (70% da capacidade)
A energia firme de Belo Monte é proporcionamente menor segundo dados do governo por conta das caracteríticas do Rio Xingu, cuja vazão fica bastante reduzida em épocas de seca. Para reduzir os impactos ambientais, Belo Monte não terá reservatório, será uma usina a fio d´água, ou seja, vai gerar energia conforme a quantidade de água existente no rio.
Em entrevista ao G1 no fim de março, Maurício Tolmasquim, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão do governo federal responsável pelo planejamento de energia, disse que o percentual menor de energia firme é um fator negativo. "Temos no Brasil um sistema interligado, onde uma usina complementa a outra. Uma hora chove mais no Sul, outra hora no Norte. Não se pode olhar números isoladamente", disse.
O Relatório de Impacto Ambiental (Rima) de Belo Monte diz que quando a hidrelétrica estiver cheia "vai ser possível guardar água nos reservatórios das usinas em outras regiões do país. Com os reservatótios cheios, essas usinas vão gerar mais energia quando Belo Monte estiver gerando pouca energia (na seca)".
Produtividade
Especialistas em energia elétrica destacam que Belo Monte é importante para atender ao crescimento da demanda de consumo prevista para os próximos anos, mas concordam que a produtividade da hidrelétrica é baixa.
Para o engenheiro Silvio Areco, da consultoria Andrade & Canellas, especializada em energia e com atuação direta em hidrelétricas, o percentual considerado bom para os investidores da energia firme em relação à capacidade instalada é de 55%.
"Se fizer uma relação entre a capacidade de gerar energia e a energia assegurada, a de Belo Monte é menor. Vai precisar instalar muito mais máquinas, mas vai produzir menos energia relativamente. Vai ter relativamente menos energia do que nas outras hidrelétricas e com preço similar", afirma Areco.
Areco afirma ainda que os custos para cumprir as condicionantes impostas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) para conceder a licença ambiental - que determina que o consórcio vencedor do leilão realize ações em prol da população e natureza local - podem ser mais altos do que os previstos.
O governo estima cerca de R$ 3 bilhões dos R$ 19 bilhões totais previstos para a construção. Especulações dão conta de que a obra total custe até R$ 30 bilhões.
"A usina está em um local longe e o primeiro problama é o acesso. Entra em território que não é reserva indígena, mas tem população indígena. Se conhece o terreno olhando de cima", acrescentou. Para o engenheiro, há muita coisa na construção da hidrelétrica que não se pode prever. "A complexidade disso é exatamente pelo porte da obra. Os problemas serão de magnitude e consequencias do porte da obra", afirma Areco.
O conhecimento dos problemas juntamente com o baixo preço estabelecido como máximo para o leilão pelo governo foram alguns dos motivos para as construtoras Camargo Corrêa e Odebrecht, que participaram dos estudos da hidrelétrica e conhecem melhor o local, desistirem de concorrer no leilão. Em nota, as construtoras afirmaram que não havia condições financeiras.
O preço máximo definido pelo leilão era de R$ 83 por MWh. O consórcio derrotado, formado pela Construtora Andrade Gutierrez, que também participou dos estudos da obra, ofereceu R$ 82,9 por MWh. O grupo vencedor, que entrou de última hora na disputa, ofereceu R$ 78.
Areco considerou que o valor é bem abaixo do que seria necessário para cobrir os gastos.
Rio Xingu, no Pará, onde será construída hidrelétrica de Belo
 MonteRio Xingu, no Pará, onde será construída hidrelétrica de Belo Monte (Foto: Mariana Oliveira / G1)
Custo socioambiental
Na avaliação do engenheiro Luiz Pereira de Azevedo Filho, que foi de Furnas e atualmente é secretário-geral do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina), embora haja previsão da variação da produção de energia ser elevada em Belo Monte, o principal problema são as questões socioeconômicas.
"Vejo que os impactos socioambientais são os que influenciam para tornar a obra menos viável economicamente, do ponto de vista de investimento. Mas esse é um preço que vamos ter que pagar aqui para frente para fazer usinas da Amazônia, um empreendimento menos atrativo."
Azevedo Filho afirmou que as usinas do Rio Madeira, Jirau e Santo Antônio, que estão em construção, são "menos complicadas" porque a vazão do rio é constante.
O secretário do Ilumina diz ainda temer que o custo da obra seja maior do que o previsto, mas acredita que fique bem abaixo dos R$ 30 bilhões especulados. "Eu acho que houve certa precipitação, o governo deveria ter feito com mais calma. Tenho temor de que possa aparecer algo que não foi devidamente estudado e que vai aumentar o custo da obra."
Ele destaca ainda a insegurança jurídica - levantamento do G1 mostrou que o governo ainda terá de enfrentar 15 ações na Justiça contra a hidrelétrica no rio Xingu. "E se em uma dessas ações a Justiça acaba concedendo e alterando o fluxo da obra? A situação pode se complicar ainda mais", destaca Azevedo Filho.

Contraponto
Já o físico Luiz Pinguelli Rosa, diretor da COPPE, instituição da área de engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acredita que o preço acertado por Belo Monte foi adequado.
"O preço foi o melhor dentro do que se estava dizendo, de que era impossível [chegar nisso]. É claro que a presença das estatais facilitou [esse preço], além do sistema de financiamento favorecido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas obras públicas todas têm que ter isso. Obras com esse investimento precisam ter esse alívio", afirmou ele ao G1.
O empréstimo que o BNDES deve conceder ao consórcio Norte Energia, pode ser o segundo maior da história da instituição. Perde apenas para o crédito de R$ 25 bilhões liberado para a Petrobras, que teve contrato de financiamento assinado em julho do ano passado.
Para Pinguelli, o custo alto da obra de Belo Monte é justificado pela sua alta capacidade, mesmo que em períodos de seca a produção possa cair a mil MW. Ele acredita que não dá para comparar Belo Monte com a hidrelétrica de Jirau, por exemplo, que tem um potencial menor (de 3.300 megawatts), mas uma energia firme maior proporcionalmente.
"Jirau é uma exceção. Jirau tem um fator de capacidade muito alto, não é a média brasileira", afirma.
Ainda assim, Pinguelli acredita que hidrelétricas menores poderiam ter sido construídas no lugar de Belo Monte. "O empreendimento podia ser outro? Podia. Fizeram Belo Monte porque já estavam envolvidos com Belo Monte. Virou a bola da vez", afirma.
Obra
A hidrelétrica de Belo Monte ocupará parte da área de cinco municípios do Pará: Altamira, Anapu, Brasil Novo, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu. Altamira é a mais desenvolvida e tem a maior população dentre essas cidades, com 98 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os demais municípios têm entre 10 mil e 20 mil habitantes.
A região discute há mais de 30 anos a instalação da hidrelétrica no Rio Xingu, mas teve a certeza de que o início da obra se aproximava após a concessão em fevereiro, pelo Ibama, da licença ambiental.
A população que depende do Rio teme ainda a seca na Volta Grande, local habitado por índios e ribeirinhos. Isso porque parte da água terá seu curso desviado para um reservatório, uma área que será alagada, e com isso a vazão será reduzida no trecho de 100 quilômetros. O governo confirma que haverá redução na vazão, mas diz que a população não será prejudicada.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Ibama autoriza construção de base de foguete ucraniano no Maranhão

Primeiro foguete para serviços de lançamento de satélites tem previsão para ser lançado em 2011

14 de abril de 2010 |
Solange Spigliatti, do estadao.com.br
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou na semana passada uma licença prévia para a construção do Centro de Lançamento para o foguete Cyclone-4, em Alcântara, localizado no Maranhão.
Sergio Dutti/AE
Sergio Dutti/AE
Lula e Viktor Yushchenko, presidente da Ucrânia, selaram a parceria em dezembro do ano passado
 
Veja também:
linkLula anuncia crédito para Ucrânia lançar foguetes no Brasil 

A medida foi publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira, 13, permitindo que a Empresa Binacional Alcântara Cyclone Space (ACS) comece a escolha da empresa que fará a obra, segundo informações da ACS. A licença prévia, esperada havia cerca de seis meses, dá continuidade ao acordo entre o Brasil e a Ucrânia.
Após o início das obras, a ACS vai necessitar de outras licenças, a permanente de instalação, que requer uma avaliação sobre os impactos socioambientais da instalação da ACS, e por último a de funcionamento, segundo a ACS. A previsão é a de que já em 2011 o primeiro foguete para serviços de lançamento de satélites seja lançado, segundo a empresa.
O regime de cooperação entre o Brasil e a Ucrânia estabelece ainda que os dois países devem integralizar o capital da empresa até um total de US$ 105 milhões. Em reunião realizada em Kiev, capital da Ucrânia, em junho de 2008, decidiu-se por aumentar o capital da empresa para US$ 375 milhões.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Cabral e Paes pedem que população fique em casa; Lula apela a Deus

Impotentes diante da chuva, autoridades culpam 'irresponsabilidade e demagogia' de governantes que permitiram ocupação irregula

 
 
Luciana Nunes Leal / RIO - O Estado de S.Paulo
Impotentes diante da chuva e do número de mortos, as autoridades fizeram apelos dramáticos à população. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou os moradores de áreas de risco a deixarem suas casas, apelou a Deus pelo fim dos temporais e pediu aos patrões que não cortassem o dia do salário dos empregados. O governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes (ambos do PMDB) insistiram para que a população evitasse sair às ruas.
"Quando o homem lá em cima está nervoso e faz chover, só temos de pedir a Ele para parar a chuva no Rio e que a gente possa tocar a vida na cidade", disse Lula ao deixar o Hotel Copacabana Palace, onde chegou pouco depois das 23 horas de segunda-feira, depois de passar por dois pontos de alagamento no Aterro do Flamengo, no trajeto de carro entre a base aérea do Galeão e a zona sul. Alguns motociclistas que faziam a escolta da comitiva ficaram parados no caminho.
Encostas. As autoridades reiteraram a preocupação com os deslizamentos de encostas, que causaram a maior parte das mortes. Lula dirigiu-se aos moradores de áreas de risco. "Quem mora em beira de córrego, na encosta de morro, em área que possa ter deslizamento, por favor, saia e espere a chuva passar. Vá para a casa de um parente, procure a prefeitura. Só tem chance de brigar para melhorar sua vida se estiver vivo. Não fique arriscando neste momento, porque não ajuda", disse o presidente, depois de uma conversa de meia hora com o governador. "Não existe ser humano no planeta Terra que consiga enfrentar uma mudança de clima como esta. É a maior chuva da história do Rio de Janeiro. Não há possibilidade de o homem vencer, se a intempérie for demais", afirmou Lula.
Cabral chegou ao Copacabana Palace às 11 horas de ontem, com a confirmação de 25 mortos no Estado do Rio. Depois de se despedir de Lula, anunciou que o número de mortes já havia chegado a 40. Em poucas horas, mais de 30 outros corpos seriam encontrados.
Assim como o presidente, o governador atribuiu a tragédia a anos de "irresponsabilidade e demagogia" de governantes que permitiram a ocupação de áreas de risco pela população pobre.
Demagogia. O governador disse que os transtornos no trânsito, nos trens e as ruas alagadas eram menores diante das vidas perdidas. "A demagogia levou a essa situação. Pessoas morarem em áreas de risco não é natural. Você pode ter uma ou outra vítima de um poste que cai na cabeça, de um carro que entra em um buraco. Mas faça um levantamento do número de pessoas que morrem. São os mais pobres, em áreas de risco. Os transportes ficam caóticos, as vias ficam caóticas, mas não matam ninguém. Tudo isso é muito ruim, mas não é tão dramático quanto perder vidas", afirmou o governador.
Cabral lembrou também que foi criticado quando determinou a construção de muros em favelas para evitar a expansão das construções irregulares. "Ninguém está proibido de ir e vir. Não é muro judeu contra palestino, Alemanha Oriental e Ocidental. É muro contra a expansão da irresponsabilidade. A demagogia, o populismo é que fez o Rio de Janeiro ter esse número de mortos", reagiu.
Antes do encontro com Lula, Cabral pediu que a população ficassem em casa e mantivesse a calma. "Peço à população que fique em casa, os que não conseguiram chegar, que tenham calma. É um momento de muita serenidade, de ficar em casa, de não se mexer, de ficar tranquilo. Isso para que a Defesa Civil possa circular nas vias, resgatar os que se encontram em dificuldades, sobretudo os mais humildes", afirmou governador.
Apelos. O prefeito Eduardo Paes evitou discutir ações de ocupação irregular no passado e se concentrou nos apelos à população. "Todas as áreas de encosta da cidade correm risco de deslizamento. Nosso apelo é para que as pessoas, nas áreas de encosta, saiam das casas. Não quero aqui discutir o mérito da ocupação, dos assentamentos, mas é inaceitável que permaneçam correndo risco. A gente pede que saiam para casas de vizinhos que sejam mais seguras, se desloquem para casas de parentes, mas saiam de suas casas, porque as encostas estão muito encharcadas", disse, em entrevista coletiva.
Por causa das chuvas, o presidente Lula cancelou a visita que faria ao Complexo do Alemão, onde inauguraria obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O presidente disse ter visto na TV imagens de comunidades alagadas, incluindo favelas com obras do PAC. No Alemão e na Favela de Manguinhos, o governo do Estado teve de fazer novas obras em condomínios recém-inaugurados, por causa de alagamentos de apartamentos, no início do ano.
"A única explicação para ter água lá (nos condomínios do PAC) é o excesso de chuva. Mas é importante que tenha acontecido para a gente ver o que pode ser feito e não permitir que aconteça outra vez", afirmou o presidente. "Estamos fazendo obras do PAC para mudar esta situação, mas ninguém é mágico. As pessoas têm de contribuir e tem de jogar duro e não permitir novas ocupações", disse o governador. / COLABOROU FELIPE WERNECK

PARA LEMBRAR
Em SP, Lula apontou "culpa gerencial"

Um dia antes, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, apontou o volume de chuvas e o crescimento desordenado da cidade como responsáveis pelas enchentes. Era 21 de janeiro. No dia seguinte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso na capital, disse que "muitas vezes" há responsabilidade dos governantes nesses casos. "A verdade é a seguinte: muitas vezes existe culpa gerencial porque se sabe onde vai encher e, portanto, poderia resolver", disse. "Se chove em uma hora o que deveria chover em 20 horas, alguma coisa vai acontecer." Em seguida, Lula baixou o tom. "Sabemos também que custam muito caro (obras antienchentes) e, portanto, não vou jogar pedra em nenhum prefeito ou governador." Três dias depois, no aniversário de São Paulo, Lula voltou ao tema. Lembrou que, em 1957, se mudou de Santos para a Vila Carioca, na capital. "Dava enchente todo fim de ano. Não é de hoje que dá enchente". O governador José Serra, que estava ao lado, ficou emburrado com a declaração.